STF cancela pronunciamento de Alexandre de Moraes em meio a cabo de guerra institucional

STF cancela pronunciamento de Alexandre de Moraes em meio a cabo de guerra institucional

10 de setembro de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Cancelamento da fala ocorre após presidente da Corte, Edson Fachin, intervir em decisões cruzadas de Mendonça e Dino, avocar investigações e retirar o inquérito das fake news das mãos do ministro

O pronunciamento que o ministro Alexandre de Moraes faria às 11h desta quinta-feira (10) no Supremo Tribunal Federal (STF) foi cancelado pela assessoria de imprensa da Corte, que informou que a fala será remarcada para “data oportuna”. O recuo ocorre no epicentro de uma crise institucional sem precedentes recentes no tribunal, marcada por decisões conflitantes entre ministros, o avanço das apurações sobre o Banco Master e uma ampla reestruturação na arquitetura de inquéritos comandada pela presidência da Casa.

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A manifestação pública de Moraes havia sido anunciada em um cenário de forte pressão política e jurídica, menos de 24 horas depois de o presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirar de sua relatoria a condução do inquérito das fake news (Inquérito 4.781). Inicialmente prevista para ser transmitida ao vivo, a fala sofreu idas e vindas na comunicação oficial do tribunal — que primeiro descartou a transmissão e, logo em seguida, suspendeu o evento por completo.

Choque de competências e o fator Banco Master

A escalada da tensão teve como gatilho os desdobramentos da Operação Compliance Zero e as investigações sobre a rede de influência atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Relator dos processos ligados ao caso, o ministro André Mendonça requisitou relatórios à Polícia Federal (PF) que acabaram por expor supostas irregularidades nas apurações e citações a autoridades com foro privilegiado, atingindo indiretamente a estrutura do próprio STF.

No dia 3 de setembro, Moraes remeteu à presidência do tribunal uma decisão na qual apontava indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça. No dia seguinte, Fachin avocou o caso, retirando os documentos do guarda-chuva do inquérito das fake news para concentrá-los em uma petição própria sob o controle da presidência.

O conflito de atribuições escalou na última terça-feira (8), quando Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino reverteu a medida, determinando a reintegração imediata dos dirigentes.

Diante da colisão institucional, Fachin interveiu na quarta-feira (9) para suspender os efeitos de ambas as decisões e convocou uma sessão extraordinária presencial do plenário para o próximo dia 15, às 10h, quando o colegiado dará a palavra final sobre o imbróglio.

Mudança estrutural

A ofensiva da presidência do STF também atingiu o formato processual que, desde 2019, permitia a concentração de novos casos em torno de Moraes por conexão e prevenção ao inquérito 4.781. Ao apontar risco de “conflitos e sobreposições processuais”, Fachin revogou a designação histórica que mantinha o magistrado à frente da investigação-mãe.

Com a medida, investigações preliminares ainda em curso retornam à mesa da presidência, preservando-se apenas as ações penais com denúncia já recebida e os atos processuais consolidados sob a relatoria anterior. É neste tabuleiro de reconfiguração de poderes e atritos na cúpula do Judiciário que o pronunciamento de Moraes foi cancelado por tempo indeterminado.

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