STF aciona PGR para analisar possível descumprimento de medidas cautelares por Jair Bolsonaro

STF aciona PGR para analisar possível descumprimento de medidas cautelares por Jair Bolsonaro

31 de março de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Ministro Alexandre de Moraes solicita manifestação do órgão após declaração de Eduardo Bolsonaro em evento nos EUA; defesa nega contato e reitera observância rigorosa das regras da prisão domiciliar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (31) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre indícios de descumprimento de medidas cautelares por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O despacho fundamenta-se em declarações proferidas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no último domingo (29), no Texas, Estados Unidos.

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O Incidente e as Restrições Judiciais

Durante o evento internacional, Eduardo Bolsonaro foi registrado portando um dispositivo móvel e afirmando, em língua inglesa, que realizava uma gravação de vídeo destinada ao pai. A manifestação gerou questionamentos jurídicos, uma vez que Jair Bolsonaro cumpre, desde a última sexta-feira, prisão domiciliar humanitária pelo prazo de 90 dias, para recuperação de um quadro de broncopneumonia.

As condições impostas pelo STF para a manutenção do benefício incluem:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;

  • Proibição estrita de acesso a redes sociais ou dispositivos de telefonia celular (próprios ou de terceiros);

  • Veto à comunicação com aliados políticos e acesso à internet.

Caso a PGR ou o magistrado entendam que houve comunicação direta ou indireta via meios digitais, a concessão humanitária pode ser revogada, resultando no retorno do ex-presidente ao sistema prisional comum.

Argumentação da Defesa

Em resposta enviada à Corte nesta segunda-feira (30), o corpo jurídico de Jair Bolsonaro rechaçou qualquer violação das normas estabelecidas. Os advogados argumentam que o ex-presidente mantém observância “rigorosa, integral e permanente” às cautelares.

De acordo com a petição da defesa, a fala de Eduardo Bolsonaro corresponde a uma “manifestação verbal de terceiro” ocorrida no exterior, sem a participação ou anuência do ex-mandatário. Os advogados enfatizam que não existem dados objetivos que comprovem o recebimento, reprodução ou visualização do referido conteúdo por parte do custodiado.

Próximos Passos

O parecer da PGR é um rito processual obrigatório para que o ministro Alexandre de Moraes decida sobre a manutenção ou a regressão do regime de prisão. O órgão deve avaliar se a declaração pública do filho do ex-presidente constitui prova material de que o isolamento digital imposto pela Justiça foi rompido.

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