Dieta cetogênica é opção de tratamento para quem tem epilepsia de difícil controle medicamentoso

Dieta cetogênica é opção de tratamento para quem tem epilepsia de difícil controle medicamentoso

21 de maio de 2021 0 Por Redação Em Notícia

De acordo com nutricionista da ABE especializada na dieta, o tratamento reduz, em média, 50% da frequência das crises de quem tem epilepsia fármaco-resistente

A epilepsia é uma doença neurológica crônica que faz parte da vida de cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, na atualidade, existem diferentes tipos de tratamento, inclusive para casos de difícil controle, como a dieta cetogênica, que engloba o aumento do consumo de alimentos fontes de gordura e a redução dos que são fontes de carboidrato.

A dieta cetogênica, entretanto, é indicada somente para aqueles que já fizeram o uso de pelo menos dois medicamentos anti-crise, isolados ou em associação, e continuam apresentando recorrência das crises epilépticas, ou seja, possuem epilepsia fármaco-resistente. Nestes casos, a dieta é adicionada ao tratamento medicamentoso.

Segundo Marcela Gregório, nutricionista especializada em dieta cetogênica e membro da Associação Brasileira de Epilepsia, o tratamento impacta em diversos processos do corpo. “Entre os mecanismos em que atua, a dieta cetogênica traz proteção ao sistema nervoso central, que é promovida pelos corpos cetônicos, substâncias produzidas pelo fígado por meio da oxidação das gorduras, também denominadas de ácidos graxos. Além disso, também aumenta os níveis de ácido gama-aminobutírico (GABA) no cérebro, que é o mensageiro químico que reduz os impulsos nervosos entre os neurônios. Outra ação importante é o controle da inflamação no sistema nervoso central, que é promovido por meio de diversos mecanismos, entre eles, as gorduras poli-insaturadas (ômega-3 e ômega-6), encontradas em determinados óleos vegetais e peixes”, diz.

Massas, pães, doces e farináceos, por serem ricos em carboidrato, são, portanto, alimentos que ficam fora da dieta. Em contrapartida, todas as frutas, legumes, carnes, ovos, laticínios e demais alimentos fontes de gordura, devem ser consumidos.

“Todas as verduras têm carboidrato, porém em pequena quantidade. Neste caso, vale a pena optar pelas verde-escuras, por serem ótimas fontes de cálcio, ferro e ácido fólico. Os tubérculos, como mandioca e batata; os cereais, como arroz e aveia; e as leguminosas, como feijão e ervilha, são permitidos apenas nas frações iniciais da dieta cetogênica e em porções menores, já que são grandes fontes de carboidrato. É sempre importante que as pessoas sigam as porções recomendadas pelos profissionais de saúde”, explica Marcela.

Ainda de acordo com a nutricionista da ABE, em média, com o tratamento dietético, há uma redução de 50% da frequência de crises epilépticas, e de 20% a 30% das pessoas têm as crises 100% controladas, porém, geralmente, estas têm alguma síndrome específica, como a Síndrome de West. Além do controle das crises, a dieta cetogênica também pode promover melhoras cognitivas e comportamentais. É importante destacar que para ser eficaz, é fundamental que as pessoas sigam as orientações dos profissionais especializados.

“Assim como os medicamentos anti-crise, a dieta cetogênica também pode trazer efeitos colaterais. Por isso, é essencial que o tratamento seja acompanhado por um nutricionista e neurologista que, inclusive, podem manejar os sintomas não desejados. Alguns dos efeitos colaterais de curto prazo, ou seja, durante a fase de introdução da dieta até a quarta semana, podem ser sonolência, irritabilidade e complicações digestivas, como náuseas, vômito e diarreia. Alguns dos efeitos de longo prazo podem ser alterações nos níveis de colesterol, obstipação intestinal e cálculo renal”, informa.

Também é importante destacar que a dieta cetogênica surgiu com o propósito de ser, justamente, uma opção de tratamento para pessoas com epilepsia de difícil controle medicamentoso, não sendo a perda de peso um objetivo. “É comum algumas pessoas dizerem que estão fazendo a dieta cetogênica para emagrecer, já que estão reduzindo o consumo de carboidratos, mas na verdade, neste caso, a dieta se chama low carb. A dieta cetogênica é caracterizada pelo aumento da gordura em relação aos carboidratos (high fat low carb)”, ressalta a nutricionista.

Sabendo que a dieta cetogênica para o tratamento da epilepsia ainda precisa ser melhor compreendida pela sociedade em geral e mesmo por aqueles que têm a doença, a Associação Brasileira de Epilepsia está divulgando conteúdos informativos sobre o assunto nas redes sociais. Além disso, no dia 18, às 19h, no Facebook da associação, aconteceu a live “Dieta cetogênica: perspectiva de familiares, pacientes e nutricionista”, que trouxe a nutricionista Marcela Gregório, a Mestre em Ciências, Amanda Mosini, e três convidadas com ampla vivência com dieta cetogênica. Para quem perdeu ou deseja rever, a live está disponível na rede social. No dia 29, às 19h, será divulgado o episódio do mês, do ABEcast, podcast da ABE, que também tratará do assunto.

Para a Presidente da ABE, Maria Alice Susemihl, a dieta cetogênica é uma opção de tratamento muito eficaz, porém é essencial que as pessoas tenham mais conhecimento sobre para quais casos é indicada, quais alimentos engloba, entre outras informações. “Tanto quem tem epilepsia como qualquer outra pessoa que pode ter um familiar ou um amigo com a doença, é interessante conhecer e se informar, e é por isso que estamos concentrando esforços nesta direção. Este tratamento precisa ser mais conhecido”, afirma.

Serviço

Live

Tema: Dieta cetogênica: perspectiva de familiares, pacientes e nutricionista

Dia: 18/05

Horário: 19h

Local: facebook.com/AssociacaoBrasileiradeEpilepsia

ABEcast

Episódio: Dieta cetogênica: 100 anos contribuindo com quem tem epilepsia

Dia: 29/05

Horário: 19h

Local: facebook.com/AssociacaoBrasileiradeEpilepsia

Sobre Associação Brasileira de Epilepsia

A ABE é uma Associação sem fins lucrativos que se estabeleceu como organização para divulgar conhecimentos acerca dos tipos de epilepsia, disposta a promover a melhora da qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença. Integra o International Bureau for Epilepsy e é composta por pessoas que têm epilepsia, familiares, neurologistas, nutricionistas, advogados, assistentes sociais, pesquisadores e outros profissionais. Atua formando grupos de autoajuda, facilitando a reabilitação profissional, lutando pelo fornecimento regular de medicamentos nos postos de saúde e hospitais públicos, além de batalhar, incansavelmente, pelo bem-estar das pessoas que convivem com a doença e pelo fim dos estigmas e preconceitos sociais.

Compartilhe: