Tira-dúvida da dengue: tudo que você precisa saber sobre a doença
7 de março de 2024O Brasil já ultrapassou a marca de um milhão de casos de dengue em 2024. Dezenas de cidades já decretaram estado de emergência por conta da doença. Diante desse cenário, o governo federal, estados, municípios e população brasileira estão unindo forças para reforçar a prevenção e eliminação dos focos do mosquito.
Para falar sobre a dengue e sobre as outras doenças transmitidas pelo Aedes, conversamos com Victor Bertollo Gomes Porto, Chefe da Assessoria de Mobilização Institucional e Social para Prevenção de Endemias da Subsecretaria de Vigilância à Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Ele falou ainda sobre como você pode fazer parte dessa mobilização nacional e deixar a dengue longe de casa.
Doutor, quais são os principais sintomas da dengue?
O principal sintoma dela é a febre, que quando acompanhada de pelos menos dois dos seguintes sintomas: dor atrás dos olhos, dor muscular, prostração, dor nas articulações, torna-se um suspeito para a dengue e sendo suspeito é importante passar por uma avaliação médica, por um serviço de saúde, para ver se esse indivíduo tem algum outro sinal de alarme, se tem a possibilidade de ter algum outro diagnóstico diferencial.
Qual o principal tratamento para a dengue e quando devo procurar ajuda médica?
Indivíduos com suspeita de dengue precisam aumentar a ingestão de líquidos de maneira geral, água, sucos, chás ou soros de reidratação oral — tanto caseiro quanto o disponível nas farmácias — e procurar atendimento médico em caso de suspeita e observar os sinais de alarme. Eles indicam a possibilidade de um agravamento da doença. São eles: dor abdominal importante, vômito frequente, sangramento, queda na pressão, confusão mental e letargia são os principais sintomas de alarme que requerem atenção individualizada.
Existe medicamento para dengue?
Não existem medicações específicas para a dengue. O tratamento é voltado para manejo de sintomas, tratamento de suporte e principalmente, a hidratação. Seja ela via oral, nos casos mais leves. Nos casos mais graves nós temos que fazer a hidratação endovenosa.
Como são os hábitos do Aedes?
O mosquito tende a ficar numa altura um pouco mais baixa, o que é um problema para pessoas que moram em casas. Ele é menos comum em apartamentos e andares mais altos. A principal zona de risco é a área térrea dos imóveis e os domicílios que ficam próximos ao solo.
Como se dá a prevenção das doenças transmitidas pelo Aedes?
Para evitar a proliferação é a questão das inspeções nos domicílios para tentar identificar focos que possam acumular água parada e que permitam a reprodução do mosquito. Ele se reproduz em água parada, uma vasilha, um pneu, uma calha, lixo, garrafas, qualquer recipiente que permitir que a água acumule e fique por um período de dias, pode permitir a proliferação do mosquito. O nosso foco para controle dele é justamente a remoção desses espaços e ambientes para reduzir a densidade desse mosquito nas nossas cidades.
O que mais podemos fazer para evitar se contaminar?
Outra estratégia é evitar o contato com o mosquito. Preferir roupas de mangas compridas, calças, usar roupas que cubram a maior parte possível do nosso corpo. É possível também usar repelentes à base de DEET e caridina ou IR 3535 que são produtos com recomendação da Organização Mundial da Saúde para serem utilizados como princípio ativo dos repelentes e que devem ser usados na parte do corpo que não estiverem cobertas pelas roupas.
Os repelentes caseiros também podem ser usados?
Não recomendamos o uso de repelentes caseiros pois não temos como assegurar a eficácia deles. Existe muita variabilidade sobre como eles vão ser produzidos, qual a concentração do princípio ativo, não existe uma padronização para o uso desses produtos. A recomendação de uso tanto da OMS quanto do Ministério da Saúde é de uso dos repelentes com DEET, caridina ou IR 3535.
Fonte: Brasil 61






