PF investiga transporte de R$ 746 mil em espécie após abordagem na Rodovia Fernão Dias
28 de abril de 2026Investigado afirmou que montante foi obtido em agenda partidária em São Paulo; veículo era conduzido por policial civil aposentado e interceptado em Vargem (SP)
A Polícia Federal (PF) instaurou investigação para apurar a origem de R$ 746 mil em espécie apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Rodovia Fernão Dias (BR-381), na altura de Vargem, interior de São Paulo. O montante era transportado em um veículo de passeio ocupado por José do Carmo Vieira, de 66 anos, que se identificou como coordenador político, e por um policial civil aposentado de Minas Gerais.
A interceptação ocorreu no quilômetro 7 da rodovia, no dia 9 de abril. Segundo o registro da ocorrência, os agentes da PRF localizaram o numerário acondicionado em uma caixa de papelão no banco traseiro de um Hyundai HB20. Os policiais relataram que os ocupantes apresentaram sinais de nervosismo e iniciaram justificativas antes da interpelação formal.
Em depoimento, José do Carmo Vieira afirmou ter recebido a quantia durante uma reunião do partido Podemos, na capital paulista, e que o destino final seria o estado de Minas Gerais. Ele declarou que os valores seriam destinados a “pagamentos”, mas não apresentou documentação comprobatória da origem lícita ou lastro financeiro do montante.
Vínculos Partidários e Empresariais
O condutor do veículo, o policial civil aposentado Sergio Felipe, havia realizado publicações em redes sociais horas antes da apreensão, registrando sua presença em um evento da Fundação Juntos Podemos, em São Paulo. A agenda em questão contou com a participação da cúpula da legenda.
A investigação também mapeou o perfil dos envolvidos:
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José do Carmo Vieira: Identificado como sócio da Mar de Minas Cooperativa de Transportes, empresa detentora de contratos públicos para transporte intermunicipal em Minas Gerais.
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Sergio Felipe: Além de policial aposentado, integra a Comissão Regional de Transportes e Trânsito (CRTT).
Enquadramento Jurídico
O caso foi encaminhado à delegacia da Polícia Federal em Campinas. Os investigadores avaliam a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e infrações à legislação eleitoral, dada a proximidade do evento partidário e a ausência de declaração dos valores às autoridades competentes.
Até o momento, o partido Podemos e os citados não emitiram notas oficiais detalhando a natureza do transporte dos valores. O numerário permanece apreendido sob custódia judicial enquanto as diligências prosseguem para verificar se os recursos possuem vínculo com os contratos públicos da cooperativa ou com o fundo partidário.






