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Estou em Americana há 34 anos. Mas hoje quero escrever sobre Ipanema, no leste de Minas Gerais, cidade do maior queijo do mundo. Do maior e do melhor. O melhor quem faz é minha irmã Maria Amélia. Quase todos os dias ela faz um “queijim” delicioso.
Mas não quero falar de queijos, nem da bela Ipanema, embora seriam temas encantadores. Quero falar da escola onde fiz o antigo primeiro grau. Esta semana bateu uma saudade do Ginásio Ipanemense, onde estudei da quinta à oitava série, período que compreendia o antigo primeiro grau. Foi onde e quando fiz o antigo exame de admissão para adentrar à quinta série. Era o último ano do ensino de francês nas escolas, dando lugar ao protagonismo do inglês como língua estrangeira em nossas escolas. Tempos áureos.
O Ginásio Ipanemense era uma escola simples, mantido pela Loja Maçônica da cidade. Sim, eu posso dizer que estudei numa escola mantida pela Loja Maçônica. Era uma escola simples, acolhedora. Um prédio térreo, com a secretaria logo na entrada, com um pequeno corredor que dava acesso ao pátio onde estavam as quatro salas das séries. Salas amplas, espaçosas e acolhedoras. Havia um espaço que estava sempre fechado, de portas cerradas. Só mais tarde, na formatura na oitava série, eu fui descobrir que era exatamente o templo maçônico. Recebi meu diploma da oitava série dentro de um templo maçônico. Nos intervalos da época, era a hora do recreio, quando no pátio se misturavam os alunos de todas as séries, correndo e brincando com todos. “Oh, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais”, lembrando aqui com os olhos em lágrimas de Casimiro de Abreu. Lembro que cada aluno tinha que levar sua caderneta, onde era registrada, por meio de carimbo, a “presença” ou a “ausência”. Lembro-me do “chefe de disciplina”, uma espécie de fiscal dos alunos que inspecionava os alunos e o ambiente da escola.
A escola era particular. Naquela época não havia ainda em Ipanema escolas estaduais de primeiro e segundo grau. A duas escolas, o Ginásio Ipanemense e a escola Imaculada Conceição, eram particulares, eram escolas pagas. Vem à minha memória meu pai, um homem simples que lutou pela educação de suas filhas e de seu filho. Lembro-me dele “lutando” pela minha entrada na escola com o “chefe de disciplina”, que barrava os alunos com alguma inadimplência.
Obrigado, pai! Obrigado por todas as vezes que você, do seu modo e do seu jeito lutou por minha educação.
Sempre penso e tenho sonhos com o ambiente prazeroso daqueles dias de Ginásio Ipanemense. Hoje o Ginásio não existe mais. Existe apenas nas minhas memórias de dias que não voltam mais!
Ah! E tinham os desfiles de 7 de setembro, na Avenida Sete de Setembro, onde as duas escolas se encontravam. Havia uma disputa no desfile.
Mas isso é assunto para uma outra crônica…
É isso!
Ailton Gonçalves Dias Filho, Pastor Presbiteriano e Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie