Estudo mostra as 6 propostas de IA mais viáveis dos presidenciáveis

Estudo mostra as 6 propostas de IA mais viáveis dos presidenciáveis

23 de setembro de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Da organização das filas do SUS ao controle de gastos públicos e à automação de decisões do INSS, análise da FMG aponta iniciativas com maior potencial de implementação por meio de processos e estruturas já existentes no país

A inteligência artificial tem sido usada como símbolo de modernidade nestas eleições. No entanto, as políticas para essa área precisam partir de indicadores objetivos e de estruturas capazes de sustentar sua implementação. É o que aponta um estudo da FMG, empresa de tecnologia, que avaliou os 13 programas de governo dos candidatos à Presidência da República. O levantamento identificou seis propostas envolvendo IA com maior potencial de implementação no curto e médio prazo.

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Segundo Alex Ferreira, CEO da companhia, o ponto em comum entre elas é justamente o fato de não começarem pela tecnologia: todas partem de processos, dados e estruturas que já existem no país. Com base nessa análise, ele destaca as propostas com maior potencial de implementação, incluindo o uso da tecnologia para organizar filas do SUS, identificar riscos em licitações e automatizar decisões do INSS.

Fila única do SUS por risco clínico com IA

A criação de uma fila única do SUS baseada em risco clínico aparece nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Clariana Barão (DC), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). A proposta prevê o uso de inteligência artificial para apoiar a classificação dos pacientes de acordo com a gravidade dos casos e organizar a ordem de atendimento.

Para Alex Ferreira, CEO da FMG, esse tipo de iniciativa tem alta viabilidade porque faz parte de um processo que já existe e apresenta resultados concretos no país. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a experiência com regulação reduziu de 741 para 22 dias o tempo de espera em uma linha de cuidado de reumatologia, de acordo com dados do RegulaSUS, projeto desenvolvido pelo TelessaúdeRS.

“A IA não precisa inventar um novo sistema. Ela pode acelerar um processo que já existe, desde que haja dados interoperáveis e regras claras sobre o que cabe à máquina e o que precisa de decisão humana”, explica Ferreira.

IA para identificar riscos em gastos e licitações

O uso da tecnologia para ampliar o controle sobre gastos públicos e licitações está nas propostas de Caiado, Lula, Cury e Pablo Marçal (PRTB). A IA poderia identificar padrões de risco, inconsistências e possíveis irregularidades antes que os recursos sejam efetivamente utilizados.

Esses planos também aproveitariam uma estrutura que já presente no país. O robô ALICE, desenvolvido pela Controladoria-Geral da União (CGU), analisou 118 mil processos e auxiliou o rastreio de R$ 25,57 bilhões em recursos destinados a licitações, que se traduziu em uma economia de R$ 257,25 milhões com as auditorias concluídas em 2024, segundo a CGU. “Esse ferramenta mostra que o Brasil já possui capacidade para aplicar tecnologia e dados voltados ao controle da administração pública.  Quando essa estrutura já existe, a IA entra como acelerador”, destaca o CEO da FMG.

Implementação automática de decisões favoráveis no INSS

A demora na implementação de decisões favoráveis aos segurados é outro problema que pode ser atacado com automação e inteligência artificial. O tema é apontado no plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e já mobiliza o próprio governo federal, que solicitou à Dataprev soluções para automatizar o processo.

Atualmente, cerca de 336 mil processos aguardam implementação, com tempo médio de espera de 130 dias, de acordo com o Ministério da Previdência Social. “A IA poderia identificar decisões já concluídas, extrair as informações necessárias e acionar automaticamente as etapas seguintes, desde que haja integração entre os sistemas e regras claras para a automação”, aponta o executivo.

Teleconsulta e triagem apoiadas por IA na atenção primária

A ampliação do atendimento digital e o uso de tecnologia na saúde aparecem nos planos de Cury, Santos e Flávio. Uma aplicação com potencial de curto prazo seria combinar teleconsultoria e IA para apoiar profissionais da atenção primária na avaliação inicial dos casos e na definição de encaminhamentos.

A experiência brasileira novamente oferece uma base para a implementação. No Rio Grande do Sul, a teleconsultoria já consegue resolver 45% dos encaminhamentos, segundo a TelessaúdeRS-UFRGS. Para escalar o modelo, seriam necessárias conectividade nas unidades básicas, prontuários interoperáveis e regras claras para utilização da IA.

Programa de adoção de IA para pequenas e médias empresas

O incentivo à adoção de inteligência artificial por pequenas e médias empresas aparece nos planos dos candidatos do PSD, PT e PL. A proposta poderia apoiar empresas na implementação de ferramentas de IA voltadas à produtividade, atendimento, gestão e operação, com metas definidas de acordo com o porte e o setor.

Segundo Ferreira, a iniciativa tem uma vantagem: o país já possui instituições que poderiam funcionar como operadores de um programa dessa natureza, como SENAI, EMBRAPII e BNDES. O ponto central seria vincular os incentivos a resultados concretos, e não simplesmente à compra de ferramentas.

Monitoramento ambiental por satélite e IA

O uso de inteligência artificial combinado a imagens de satélite para monitoramento ambiental está ainda nas propostas apresentadas por Lula, Flávio, Caiado, Cury e Zema. A tecnologia poderia ampliar a capacidade de identificar desmatamento, mudanças no uso do solo e outras alterações ambientais em grandes áreas.

Nesse caso, o Brasil também parte de uma infraestrutura já consolidada, especialmente a capacidade de monitoramento desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A IA funcionaria como uma camada adicional de análise, capaz de processar grandes volumes de imagens e apontar situações que demandem fiscalização.

Metodologia

A FMG analisou os 13 programas de governo registrados no TSE, identificando as propostas relacionadas à IA e avaliando seu potencial de implementação a partir da existência de dados, processos e estruturas já disponíveis no país, além da viabilidade técnica e operacional. Desse universo, foram selecionadas seis iniciativas com maior potencial de sair do papel no curto e médio prazo.

Sobre a FMG

A FMG é uma empresa de inteligência artificial  que atua na implementação da tecnologia com foco em resultados de negócio. Desde 2007, a empresa acompanha diferentes ciclos de transformação tecnológica e, atualmente, concentra sua atuação em inteligência artificial, dados e soluções digitais. A partir do conceito de Inteligência Híbrida, a FMG combina agentes de IA, dados reais das operações e supervisão de especialistas para identificar oportunidades, implementar soluções e transformar tecnologia em resultado. A empresa atua em frentes como jornada e diagnóstico de IA, operação de agentes, governança de IA, dados, analytics e soluções digitais. Com experiência em setores como mercado financeiro, saúde, saneamento e tecnologia, a FMG trabalha da estratégia à operação, sempre com o princípio de que a tecnologia deve estar a serviço de problemas reais do negócio, segundo a premissa de que a IA é sempre o meio, nunca o fim.

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