Criança pode tomar energético?
20 de outubro de 2026Ranking traz as 10 dúvidas sobre alimentação infantil mais populares no Google
A alimentação infantil segue como um dos grandes desafios de saúde no Brasil: segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, no último ano, 33% das crianças e adolescentes estavam com excesso de peso e 13% com obesidade.
No mês em que se celebra o Dia das Crianças e o Dia da Alimentação (16/10), o Olá Doutor — plataforma de consultas que conecta pacientes a médicos — mapeou as principais dúvidas dos brasileiros no Google sobre o que os pequenos podem consumir. As bebidas lideram com folga: concentram praticamente 6 em cada 10 buscas, à frente de doces e proteínas, por exemplo.
Diante do impasse entre liberar ou proibir determinado consumo, as buscas digitais se tornaram o primeiro recurso de muitos pais e responsáveis. A seguir, o Olá Doutor esclarece as principais dúvidas identificadas no estudo.
Quais grupos alimentares mais geram dúvidas?
Quando o assunto é a nutrição dos pequenos, o principal ponto de incerteza dos brasileiros está no copo. As bebidas concentram 57,9% das buscas sobre o que as crianças podem ou não consumir — uma proporção substancialmente superior à de categorias como doces (16,9%), proteínas (9,7%), frutas (8,3%), sementes e oleaginosas (5,0%) e temperos e condimentos (2,2%).
O domínio das bebidas também se reflete no ranking geral de dúvidas que está abaixo: metade das dez perguntas online mais frequentes envolvem líquidos. Itens como energético, Gatorade, café, iogurte proteico e cerveja sem álcool dividem espaço com alimentos do dia a dia, a exemplo de pipoca, mel, chia, ovo e banana.
As 10 dúvidas mais frequentes dos brasileiros sobre alimentação infantil
O ranking reúne dúvidas sobre diferentes tipos de bebidas e alimentos, desde produtos com cafeína até opções associadas à hidratação e ao consumo de proteínas. A variedade de itens pesquisados evidencia o interesse dos brasileiros em entender quais produtos podem fazer parte da alimentação infantil e quais cuidados devem ser considerados em cada caso.
Criança pode tomar energético? e café?
O destaque para o energético (1º lugar, com 48.630 pesquisas) e o café (3º lugar, com 20.630) mostra que as dúvidas sobre alimentação infantil também alcançam alguns dos produtos mais populares entre os adultos. Ambas contêm cafeína, substância estimulante que pode provocar efeitos como agitação, alterações no sono e aceleração dos batimentos cardíacos em crianças e adolescentes.
Para a Dra. Manoella Ferreira, gestora médica do Olá Doutor, a maior sensibilidade do organismo infantil exige cautela redobrada. “As crianças sentem os efeitos da cafeína com doses bem mais baixas do que os adultos: um gole de energético ou meia xícara de café, por exemplo, já pode ser muito para um organismo em desenvolvimento”, afirma. ”Por isso, produtos com apelo adulto ou voltados a desempenho e energia não devem ser incorporados à rotina dos pequenos”.
Criança pode tomar Gatorade? E iogurte proteico?
A dúvida também aparece em relação a bebidas associadas à prática de atividades físicas: Gatorade (43.130 buscas) e iogurte proteico (8.740) estão entre os termos pesquisados.
Os isotônicos foram criados para repor líquidos e sais minerais em atividades físicas intensas e prolongadas. Para a maioria das brincadeiras e esportes infantis, a água já é o suficiente, e essas bebidas possuem grandes quantidades de açúcares e sódio, que fazem mal para o organismo quando consumidos em excesso.
Já quando o assunto são as bebidas proteicas, como o iogurte proteico, não existe uma recomendação específica sobre a idade mínima de corte. Nesse caso, é orientado que os pais ou responsáveis conversem com um médico ou nutricionista antes de introduzir a bebida na rotina.
E quanto à pipoca, ao ovo, à chia, à banana e ao mel?
Nem sempre a dúvida está relacionada a alimentos pouco comuns na infância. Pipoca (14.650 buscas) e mel (12.980), por exemplo, aparecem entre os termos mais pesquisados devido a restrições específicas para crianças na primeira infância.
O mel não deve ser oferecido a bebês com menos de 1 ano e deve ser evitado em menores de 2 anos, tendo como seu principal motivo o risco de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum, que produz uma toxina que pode provocar o botulismo. Já a pipoca exige atenção devido ao risco de engasgo, especialmente antes dos 4 anos.
Já chia (11.810), ovo (10.950) e banana (9.860) estão entre os alimentos comuns na introdução alimentar, que começa a partir dos 6 meses.
Criança pode beber cerveja sem álcool?
Nem mesmo a cerveja “sem álcool” escapa das dúvidas de quem convive com os pequenos: nos últimos 12 meses, a pergunta apareceu 7.350 vezes nos mecanismos de buscas.
Apesar do nome, a bebida pode conter pequenos resíduos de etanol: a legislação brasileira permite até 0,5% de álcool em cervejas classificadas como “sem álcool”. Por isso, ela não é indicada para crianças, tanto pelo teor alcoólico residual quanto por naturalizar um hábito associado ao consumo de álcool.
Whey, melatonina e creatina: as dúvidas sobre suplementação infantil
Além do prato, os suplementos também estão no radar das famílias, e com volumes de busca que superam os dos próprios alimentos.
Whey (96.800) e creatina (49.890) são suplementos associados ao universo esportivo, geralmente usados por adultos em busca de ganho de massa muscular e melhora do desempenho.
Para crianças, o uso não é indicado de forma rotineira e deve ser considerado apenas em situações específicas, sempre com orientação médica.
E quanto à melatonina? E outros nutrientes e minerais?
Segunda colocada, a melatonina (61.650) reflete a preocupação das famílias com o sono dos pequenos. O uso, no entanto, deve ocorrer somente após avaliação e prescrição médica, com acompanhamento de um pediatra ou neuropediatra, e nunca de forma livre ou sem orientação profissional.
Nas demais posições aparecem vitaminas e minerais, como vitamina C (13.240), ômega 3 (8.040), magnésio (5.350), além de vitamina B12 (3.980) e psyllium (3.790). A regra geral é a mesma: a suplementação só é indicada quando há uma necessidade identificada por um profissional de saúde. Já a glutamina (2.280), uso por crianças deve ocorrer somente com indicação expressa e acompanhamento de um médico. O própolis (9.620) também aparece entre as dúvidas dos brasileiros e pode ser introduzido a partir dos 2 anos de idade e pode ser utilizado para aliviar sintomas de doenças respiratórias e auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico, após a devida orientação médica.
“O crescimento do universo fitness e a popularização de conteúdos sobre suplementação fizeram com que produtos como whey protein e creatina se tornassem cada vez mais conhecidos também fora do ambiente esportivo. Isso naturalmente pode gerar dúvidas entre pais e responsáveis sobre o uso desses produtos por crianças. No entanto, a indicação de suplementos na infância não deve partir da tendência ou da exposição nas redes sociais, mas de uma avaliação médica individual das necessidades nutricionais da criança”, completa a doutora.
Metodologia
Para compreender as principais dúvidas dos brasileiros sobre alimentação e suplementação infantil, foram consideradas pesquisas realizadas no Google Brasil entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O levantamento contemplou buscas iniciadas pelo termo “criança pode” e suas variações, relacionadas a alimentos, bebidas e suplementos.
As buscas sobre alimentação foram agrupadas em seis categorias (bebidas, doces, proteínas, frutas, sementes e oleaginosas, e temperos e condimentos) para calcular a participação de cada grupo. Os itens mais pesquisados foram organizados em rankings de acordo com o volume total de buscas, com as dúvidas sobre suplementos analisadas separadamente.
Sobre o Olá Doutor
Fundado no Rio Grande do Sul, o Olá Doutor foi o primeiro aplicativo de consultas médicas assíncronas do Brasil. Hoje a plataforma vai além do chat: conecta pacientes a médicos através de dois formatos de atendimento em um só app — a Consulta Imediata, via chat, para quem precisa de agilidade, e a Consulta Agendada, por chat ou vídeo, para quem busca continuidade com o médico de sua preferência. A proposta é simples: uma consulta do seu jeito, no seu tempo. Já são mais de 700 mil consultas realizadas e mais de 1 milhão de pacientes cadastrados, com NPS superior a 87 e recorrência acima de 77%.






