Conflito no Oriente Médio: o que isso pode interferir em seus investimentos?
7 de março de 2026O conflito geopolítico no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e com impactos em outros países vizinhos impõe apreensão ao mundo e riscos à economia mundial. Além da elevação nos preços do petróleo, a guerra deve impactar preços de diversos produtos, interferir na inflação interna do Brasil e, também, elevar os riscos para os investimentos de pessoas físicas e jurídicas. O momento exige cautela e calma nas tomadas de decisões, na opinião do planejador financeiro Silvio Faria.
O principal ponto de atenção no momento tem relação com os combustíveis e, consequentemente, o impacto inflacionário com aumentos de preços, que poderá, de alguma forma, interferir na condução de política monetária nacional nos próximos meses. O Irã desempenha papel fundamental no mercado global de petróleo. Além de grande produtor, com largas reservas, o país detém o controle do lado norte da rota marítima de escoamento, através do Estreito de Ormuz, por onde passam um quinto da produção mundial inteira diariamente.
O Estreito de Ormuz foi fechado no final de semana reduzindo o escoamento do produto para todo o mundo. O primeiro impacto da decisão foi o aumento de 10% no valor do barril de petróleo tipo Brent, referência global no preço dessa commodity para o mercado, que fechou na última sexta ao preço de US$ 73,00 o barril. No domingo o valor já passou de US$ 80,00. O mercado já projeta mais de US$ 90,00 em curto prazo se o conflito se estender.
“O Brasil, por uma série de fatores, não é autossuficiente em refino de combustível e precisa importar insumos e petróleos mais leves. Isso nos leva a entender, que com o possível aumento dos preços internacionais, esses importados devam chegar mais caros por aqui”, explica Faria. “A produção ficando mais cara, fatalmente o produto final, que vai para a bomba dos postos, deverá encarecer e a cadeia produtiva vai ficando mais custosa”, acrescenta.
Faria lembra que dois pontos importantes em decorrência ao aumento do petróleo internacional: o combustível entra na linha de transportes do IPCA, que tem um peso de cerca de 21% no índice. “Com isso, o índice oficial de inflação balizador para queda da taxa Selic, pode não reduzir. Segundo ponto, 65% do escoamento de nossa produção, pensando em logística, é majoritariamente viária, sendo assim, um aumento de preços nos combustíveis, vai encarecer tudo que seja escoado por rodovias, podendo indiretamente afetar mais linhas de vetores dentro do acompanhamento da inflação.
De acordo com Faria, pensando nesse cenário, se a inflação resistir fora do teto da meta e o governo não tiver margem para reduzir a Selic, o que pode acontecer com os investimentos aqui no país?
“Primeiro, ativos atrelados a renda fixa prefixados e a juros real, o famoso IPCA+, podem não performar como planejado ou mesmo ficar até negativo, a depender do quão impactante será o conflito e por quanto tempo ele durar”, alerta ele. “Selic mais alta por mais tempo, pode representar queda de bolsa de valores, onde, aproveitando máximas históricas recentes, investidores podem vender suas posições para comprar títulos mais rentáveis de renda fixa, causando deságios razoáveis para o mercado acionário. O mesmo racional vale para os Fundos Imobiliários”, projeta.
“A bolsa americana pode também ter algum revés, já que, somado às questões tarifárias confusas do Governo Trump, esse conflito pode gerar mais incertezas, fazendo os investidores de Wall Street reduzirem posições também na bolsa por lá”, afirma.
Para ele, a sugestão é que investidores tenham mais cautela em ativos de volatilidade, respeitando sempre a exposição dentro do perfil de risco de cada investidor. “Se está posicionado dentro do seu perfil, mantenha a calma, se está posicionado ligeiramente acima de seu conforto, realize posição aproveitando as altas recentes do mercado. Só compre posições de fundos imobiliários ou ações que você, ou quem lhe apoia em sua gestão patrimonial, realmente acredita”, ensina Faria.
Na renda fixa, ele prega cautela nas novas aquisições de títulos, exceto os que acompanham o CDI, que são conservadores. “Mantenha posição dentro dos ativos já presente em carteira, até entendermos o que vai acontecer daqui pra frente com o cenário”, conclui o planejador financeiro.







