Com a chegada do inverno, doação de sangue se torna ainda mais necessária
18 de junho de 2026Especialista explica quem pode doar e por que a manutenção dos estoques é fundamental durante todo o ano
A queda das temperaturas traz consigo um desafio recorrente para os hemocentros: a redução no número de doações de sangue. Entre gripes, resfriados, viagens e a menor disposição para sair de casa nos dias frios, os estoques costumam sofrer uma diminuição justamente quando a necessidade de sangue permanece constante nos hospitais.
Segundo a enfermeira e docente da área da Saúde do Senac Novo Hamburgo, Carol Engers Piumato, a doação regular é fundamental para garantir o atendimento de pacientes que dependem de transfusões diariamente. “O sangue tem prazo de validade limitado. As hemácias podem ser armazenadas por até 42 dias, enquanto as plaquetas duram apenas cinco dias. Por isso, os estoques precisam ser constantemente renovados”, explica.
Embora muitas pessoas associem a necessidade de sangue apenas a acidentes, a realidade é bem diferente. Pacientes em tratamento contra o câncer, pessoas com doenças hematológicas, receptores de transplantes, pacientes submetidos a cirurgias complexas e mulheres que enfrentam complicações durante o parto também dependem das doações para seguir seus tratamentos. “O sangue doado é fundamental em diversas situações além dos acidentes“, destaca Carol.
Para quem deseja contribuir, existem critérios básicos para a doação. De forma geral, podem doar pessoas entre 16 e 69 anos (menores de idade precisam de autorização dos responsáveis), com peso mínimo de 50 quilos, boas condições de saúde e pelo menos seis horas de sono na noite anterior. Algumas situações exigem um período temporário de espera, como a realização recente de tatuagens ou piercings, determinadas viagens e o uso de alguns medicamentos. “O ideal é sempre verificar os critérios no hemocentro mais próximo, pois as orientações podem ser atualizadas”, orienta a docente.
Outro aspecto importante é que o processo de doação é simples, rápido e seguro. Após o cadastro e a triagem clínica, o candidato apto realiza a coleta, que dura entre oito e dez minutos. Todo o material utilizado é descartável e estéril, eliminando riscos de contaminação. Depois da doação, o voluntário recebe um lanche e pode retornar gradualmente às suas atividades. “O organismo repõe o volume de sangue em cerca de 24 horas, e a recuperação costuma ocorrer sem impactos para a maioria das pessoas”, explica.
Mesmo assim, alguns mitos ainda afastam possíveis doadores. Entre os mais comuns estão o medo de contrair doenças durante o procedimento, o receio de sentir fraqueza após a coleta e a crença de que determinados tipos sanguíneos são menos necessários. “Todos os tipos de sangue são importantes. Além disso, o desconforto da doação é mínimo e passageiro, e não existe risco de contrair doenças porque todo o material utilizado é descartável”, esclarece Carol.
De acordo com a especialista, mesmo sem grandes emergências, os hospitais precisam de doações contínuas para manter os estoques funcionais. “Uma semana sem doadores suficientes já pode comprometer seriamente o atendimento hospitalar, especialmente de pacientes crônicos que dependem de transfusões regulares”, alerta.
Doar sangue é um gesto simples, mas com potencial de transformar vidas. Cada bolsa coletada pode ser separada em diferentes componentes e beneficiar até quatro pessoas. “Não espere uma emergência na família para descobrir o quanto isso importa. Se você está saudável e pode doar, procure o hemocentro mais próximo da sua cidade. Não é preciso esperar uma campanha para fazer o bem”, conclui.






