Caminhoneiros adiam paralisação e agendam nova rodada de negociações com o Governo
20 de março de 2026Decisão em assembleia ocorre após Petrobras suspender leilões de combustíveis; categoria busca consenso sobre teto emergencial para o diesel e isenção de pedágio para veículos vazios
Em assembleia realizada nesta quinta-feira (19), representantes dos transportadores rodoviários autônomos deliberaram pelo adiamento da greve nacional motivada pela recente alta nos preços dos combustíveis. O sobrestamento da mobilização visa abrir espaço para uma nova rodada de negociações com o Governo Federal, agendada para o início da próxima semana.
A interlocução entre a categoria e o Executivo será mediada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). De acordo com informações fornecidas pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) à CNN Brasil, o movimento apresenta divergências internas quanto à estratégia de paralisação imediata.
O objetivo do próximo encontro é alinhar mecanismos técnicos que permitam aos transportadores absorver os custos operacionais decorrentes da volatilidade do diesel. O cenário de incerteza é acentuado pela decisão da Petrobras de suspender leilões de combustíveis para uma reavaliação estratégica de seus estoques.
Pauta de Reivindicações e Demandas Técnicas
Os caminhoneiros formalizaram um conjunto de pleitos que extrapolam a revisão da política de preços. Entre os principais itens da pauta, destacam-se:
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Isenção de Pedágio: Suspensão da cobrança para veículos que circulem vazios em períodos de crise econômica, identificáveis por meio da suspensão dos eixos.
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Fiscalização Rigorosa: Atuação coordenada entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério da Justiça para monitorar as margens de lucro na venda do diesel.
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Teto Emergencial: Criação de um limite máximo temporário para o preço do combustível nas bombas.
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Mudança Estrutural: Defesa da reestatização da Petrobras e críticas à eficácia da desoneração de tributos federais (PIS/Cofins) sobre o diesel, medida considerada insuficiente pela categoria.
Cenário Político-Econômico
A suspensão temporária da greve é vista por analistas como um movimento para testar a disposição do governo em ceder em pontos regulatórios e tributários. Embora a desoneração de impostos federais tenha sido implementada, o setor alega que o repasse aos postos de combustíveis não ocorreu de forma integral, prejudicando a rentabilidade do frete.
As lideranças sindicais aguardam o resultado da reunião com a ANTT para definir se a paralisação será definitivamente cancelada ou se novas datas de protesto serão agendadas para o final do mês.






