Aquilo que não é seu

Aquilo que não é seu

29 de março de 2022 0 Por Redação Em Notícia

Por vezes na vida carregamos pesos que não nossos. Levamos tempo a amadurecer e perceber o que realmente nos pertence e o que é dos outros. Refiro-me a cargas de sentimentos negativos, pensamentos e opiniões ruins de pessoas ao nosso redor.

Chega um momento em nossa jornada em que devemos ter consciência do que somos e sentimos de verdade. Autoconhecimento é um processo contínuo e sem fim, mas que demora a chegar com profundidade e clareza.

Conheço pessoas que tem uma imagem muito distorcida de si mesmas e de como são vistas pelos demais. Acredito que muitos de nós temos essa visão diferente do que somos e do que pensam sobre nós durante boa parte de nossas vidas. É preciso muita coragem para se olhar com transparência. E mais: para perceber como somos vistos pelos demais. E aceitar seja o que for.

Muitas vezes convivemos com pessoas que não nos aceitam. A partir desta não aceitação, se existe o convívio, passamos a ser alvos de críticas e falas negativas.

Alguém que não nos aceita ou que simplesmente nos desgosta, sofre ao suportar nossa presença. Sua reação será transmitir sua insatisfação de volta para nós.

Durante toda a vida passamos por fases em que iremos conviver com pessoas diferentes. Afinidade é algo maravilhoso, mas nem sempre podemos escolher as pessoas que permanecem ao nosso lado. Um pai, uma mãe, um filho, um colega de trabalho e até mesmo um vizinho podem ser muito diferentes daquilo que esperávamos que fossem. Há de se entender como algo natural da vida. Com isso praticamos nossa tolerância e o verdadeiro amor ao próximo. Amar sem olhar a quem e sem julgamentos.

Não são os outros que devem mudar. Por pior que seja uma pessoa que conhecemos, sua função ao nosso lado é nos tornar melhores como seres humanos: no amor, na paciência e na resiliência daquilo que não se muda. Se somos capazes de transformar a nós mesmos com este comportamento, estaremos oferecendo o melhor exemplo que podemos dar. Aceitamos o diferente. E não o julgamos.

Chegar neste ponto de evolução é um encontro com sua própria paz e tranquilidade. O mal de outrem passa a não incomodar. Conseguimos entender que seu caminho na jornada do crescimento pessoal está em outra fase. E simplesmente respeitamos.

Devemos aprender a olhar para nós mesmos sem qualquer desculpa. Admitindo nossos erros, defeitos e limitações. O que é possível melhorar e transformar: trabalhamos. O que são limites: respeitamos. E quando convivermos com aqueles que não conseguem o mesmo nível de compreensão com o próximo, ainda assim não julgamos.

Há de se perceber a diferença entre o que é a falta de aceitação e amor do outro e o que é meu. A mágoa, a raiva ou a inveja alheia deve ser vista como um obstáculo a ser superado por quem a sente. E não por quem a recebe.

Se você não aceita alguém, sente raiva ou inveja, o problema é seu. Você deve trabalhar a si mesmo com honestidade, por benefício próprio. Mas se você é alvo dos sentimentos negativos de outros, você não tem que trabalhar ninguém, apenas a si mesmo para que não faça julgamento algum. Se você está aquém de sentimentos negativos, apenas respeite quem os sente e se afaste o quanto possível com respeito.

Amar ao próximo também significa respeitar o limite de outros em não aceitar você ou não gostar de você. Muitos de nós se sentem culpados quando não somos aceitos ou amados. Desnecessário.

Amor de verdade ainda é para poucos, mas estamos todos a caminho da evolução, quando um dia nos olharemos nos olhos sem máscaras e sem qualquer sombra de crítica ou opiniões formadas.

Sinta as pessoas e principalmente a si mesmo verdadeiramente. Assim, leve apenas o que é seu. O que é dos outros, é dos outros!

Carolina Vila Nova