Violência nas Escolas Públicas: 700 psicólogos cuidarão da saúde mental dos alunos

Violência nas Escolas Públicas: 700 psicólogos cuidarão da saúde mental dos alunos

18 de julho de 2025 0 Por Redação Em Notícia
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Casos cresceram 254% na última década; novo ataque no Rio Grande do Sul reforça urgência de ações preventivas e o papel de psicólogos na identificação de riscos

O cenário da violência nas escolas brasileiras tem demonstrado uma escalada preocupante nos últimos anos. Entre 2013 e 2023, o número de vítimas de violência escolar registrou um aumento de 254%, passando de 3,7 mil para 13,1 mil casos. Este dado sublinha uma crise crescente no ambiente educacional, onde conflitos emocionais e sociais não resolvidos frequentemente culminam em episódios de agressividade extrema. Os anos de 2022 e 2023, em particular, registraram um recorde de mais de 22 mil ocorrências de violência estudantil, gerando um alerta generalizado na sociedade.

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Especialistas apontam que a prevenção dessas situações está intrinsecamente ligada ao cuidado com a saúde mental, uma vez que a maioria dos incidentes é atribuída a fatores como bullying, desigualdade social e a carência de discussões sobre ética, empatia e relações humanas no ambiente escolar.

A urgência de ações preventivas foi novamente reforçada nesta semana por um caso de extrema gravidade. Um adolescente de 16 anos invadiu uma escola estadual em Estação, Rio Grande do Sul, e desferiu golpes de faca contra alunos e professores. Embora as vítimas tenham sido socorridas e sobrevivido, o ataque gerou pânico entre a comunidade escolar. Conforme o prefeito Geverson Zimmerman, o agressor, um ex-aluno, teria solicitado entrada na escola sob o pretexto de entregar um currículo. O episódio reitera a fragilidade emocional de jovens e a necessidade de um ambiente escolar mais seguro, acolhedor e vigilante aos sinais de sofrimento psíquico.

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Ações e Investimentos na Saúde Mental Escolar

Desde 2019, diversas iniciativas têm sido implementadas para reverter esse cenário. O poder público tem ampliado programas voltados à saúde mental nas escolas. Entre 2023 e 2024, seis novos projetos foram lançados em diferentes estados brasileiros. Destacam-se a formação de professores em saúde emocional na Bahia, a capacitação de gestores para identificação de violências no Pará, e os programas “Ciranda do Coração” e “Acolhendo Corações Jovens” no Distrito Federal. Em São Paulo, a iniciativa Conviva SP, em vigor há quase seis anos, busca melhorar a convivência escolar e implementar tecnologias de prevenção, como aplicativos de denúncias e botões do pânico para acionamento da Polícia Militar.

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“A contratação de psicólogos nas escolas, além de atender a uma demanda legal e social, representa um avanço civilizatório. O desenvolvimento cognitivo depende de um ambiente emocionalmente acolhedor e preocupado com o lado humano. Garantir que esse espaço conte com profissionais preparados é um compromisso que deve ser compartilhado entre poder público e sociedade”, afirmou Victor Reis, Chairman do Grupo Med+.

Prevenção e Identificação de Comportamentos de Risco

Além de acolher e proteger as vítimas, a identificação precoce de comportamentos de risco é crucial. Muitos dos casos de violência escolar envolvem alunos ou ex-alunos que, em algum momento, vivenciaram sofrimento emocional, exclusão ou episódios de violência. A atuação contínua de psicólogos pode ser decisiva na prevenção de tragédias. “Nossa principal função é criar um ambiente seguro nas unidades escolares. A função do psicólogo na escola é identificar comportamentos de risco, sinais de isolamento, sofrimento psíquico e até ideação violenta antes que algo aconteça”, complementou Giselle Silva.

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