Vereador Adrilles Jorge registra boletim de ocorrência após ameaças de morte em redes sociais
11 de abril de 2026Parlamentar paulistano sofreu ataques após discursar contra o PL da Misoginia no Legislativo; investigação ficará a cargo da Divisão de Crimes Cibernéticos de São Paulo
O vereador Adrilles Jorge (União Brasil), da Câmara Municipal de São Paulo, registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) junto à Polícia Civil após ser alvo de uma série de ameaças e mensagens de ódio em suas plataformas digitais. As intimidações, que incluem ameaças de morte, surgiram como reação ao posicionamento público do parlamentar contrário ao Projeto de Lei (PL) 896/2023, conhecido como “PL da Misoginia”, que atualmente tramita no Congresso Nacional.
O PL da Misoginia, recentemente aprovado pelo Senado Federal e agora sob análise da Câmara dos Deputados, visa incluir crimes motivados pelo ódio ou aversão às mulheres na legislação que pune atos de discriminação ou preconceito.
Em discurso proferido na Tribuna da Câmara Municipal na última semana, o vereador Adrilles Jorge classificou a proposta como uma “ameaça direta à democracia”. Segundo o parlamentar, o texto possui termos subjetivos que poderiam criminalizar a liberdade de expressão e gerar insegurança jurídica. Em sua fala, o vereador argumentou ainda que a medida poderia afetar negativamente o mercado de trabalho feminino por receio de empregadores quanto à nova regulamentação.
A escalada de agressões teve início após a divulgação de um vídeo do referido discurso nas redes sociais do político. Entre as mensagens interceptadas pela assessoria jurídica do vereador, constam frases de cunho violento, como “Te acho e te mato” e “Vai morrer por isso”. A defesa do parlamentar sustenta que os ataques apresentam indícios de uma ação orquestrada com o intuito de comprometer a imagem pública de Adrilles.
A investigação será conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCIBER) de São Paulo. Os autores das mensagens, caso identificados, poderão ser indiciados pelos crimes de:
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Ameaça (Art. 147 do Código Penal): pena de detenção de um a seis meses, ou multa.
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Injúria (Art. 140 do Código Penal): pena de detenção de um a seis meses, ou multa.
Declarações do Parlamentar
Ao registrar a ocorrência, o vereador reiterou que não recuará de suas posições políticas. “Defendo as mulheres contra a violência real, não contra palavras. Registro esse B.O. para proteger a mim e a minha família e alertar sobre uma cultura de perseguição”, afirmou. Adrilles alega que existe um “ódio sistêmico contra os homens” e nega a existência de misoginia sistêmica no território nacional.
Cenário Legislativo
Enquanto o caso é apurado na esfera policial, a tramitação do PL 896/2023 sofreu uma alteração no cronograma em Brasília. Lideranças partidárias da Câmara dos Deputados decidiram retirar a matéria da pauta de votações imediata, postergando a discussão para após o período eleitoral de 2026.






