Veneza

Veneza

5 de fevereiro de 2026 2 Por Redação Em Notícia
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O mineiro com cara de matuto chega em Veneza. Ele saiu de Verona muito chateado. Perdeu alguns de seus pertences. Mas, levantou, sacudiu a poeira e deu jeito de pegar o trem (trem mesmo), às 13h30 no dia 07 de janeiro. Viagem rápida. O mineiro já escreveu aqui neste espaço sobre a eficiência do transporte ferroviário italiano. Che bello!
Havia uma certa expectativa no coração do mineiro com cara de matuto. Veneza era, no seu pensamento, a cereja do bolo da viagem. Embora o mineiro preferisse mil vezes um belo pão de queijo. Na viagem, a cada cinco minutos, o mineiro dava uma espiada no computador de bordo para checar o tempo que faltava até Veneza. Santa expectativa…
Veneza foi fundada em 421 d.C. por refugiados que buscavam abrigo nas ilhas da lagoa veneziana. Esses refugiados, igual ao mineiro, queriam apenas viver em paz. Viviam, inicialmente, em pequenas palafitas, aproveitando os fartos recursos naturais da lagoa, como peixes e aves. Veneza, por sua localização, proporcionou uma defesa natural contra invasores, permitindo rapidamente que a comunidade se desenvolvesse de forma independente. Assim, com o passar do tempo, começaram a construir estruturas mais permanentes, com técnicas de construção que envolviam a cravação de pilares na lama da lagoa, surgindo fundações sólidas para suas casas.
Quando o trem (trem mesmo) chegou em Veneza, na estação Santa Lúcia, o mineiro com cara de matuto tratou logo de olhar pelas janelas a cidade lá fora. O mineiro confessa que seu coração de matuto, roceiro, acelerou. Saindo da estação, a aceleração aumentou. O mineiro com cara de matuto, puxando suas malas, não sabia para onde lançava seu olhar… Os barcos, as casas, o corre-corre das pessoas, a arquitetura das casas e prédios… O mineiro sabia que tinha que comprar uma passagem de “vaporeto” para chegar até a praça São Marcos. Desconfiado e sempre com medo de pegar o transporte errado, o mineiro não se cansava de olhar para aquela maravilhosa construção humana. Era janeiro, o frio era intenso. O mineiro pensou, que delícia de frio e che bello!
O mineiro e a esposa sabiam que a cidade seria especial. Portanto, reservaram quatro dias para conhecer e curtir a cidade. A chegada à praça de São Marcos foi fenomenal. Êxtase! Admiração! Emoção! O mineiro com cara de matuto deu sorte. Seu hotel era ao lado da famosa praça. Queria chegar ao hotel e voltar à praça para apreciar sua beleza e majestade. Os pombos e as gaivotas da praça eram uma história à parte. O mineiro voltou à praça, desacelerado, assentou-se com a esposa, pediu um café e ouviu o bater do sino na torre da igreja… Sem pressa, numa cidade que o tempo se movimenta noutro compasso…o mineiro agradeceu ao Criador, pensando…Che bello!
É isso!
Ailton Gonçalves Dias Filho, Pastor Presbiteriano e Professor na Universidade Mackenzie
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