Varejo cresceu às vésperas das duas últimas eleições presidenciais, aponta levantamento da Seed Digital
18 de setembro de 2026Estudo mostra alta no fluxo de consumidores em setembro de 2018 e de 2022, contrariando percepção de paralisação do consumo no período pré-eleitoral
A proximidade das eleições presidenciais não significou retração do movimento no varejo físico nos dois últimos ciclos de eleição presidencial. Levantamento da Seed Digital, empresa especializada em inteligência de mercado para o varejo físico, mostra que o fluxo de consumidores cresceu 5% em setembro de 2018 e 7,8% em setembro de 2022, na comparação com os mesmos meses dos anos anteriores.
Os números chamam atenção porque setembro concentra justamente a reta final das campanhas para o primeiro turno, período marcado por maior exposição do noticiário político. Ainda assim, nos dois ciclos analisados, mais consumidores circularam pelas lojas de rua ou de shoppings que no mesmo período do ano anterior.
O comportamento se manteve inclusive quando a votação estava ainda mais próxima. Na semana anterior ao primeiro turno, o fluxo cresceu 3,6% em 2018 e 3,3% em 2022, também na comparação anual.
Para Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital, o histórico ajuda a relativizar a percepção de que a incerteza eleitoral necessariamente leva o consumidor a interromper ou postergar suas idas às lojas. “Existe uma tendência de imaginar que, quanto mais próxima uma eleição disputada, maior será a cautela e menor a movimentação do consumidor. Os dois últimos ciclos presidenciais mostram que essa relação não é tão simples. Mesmo em contextos políticos bastante diferentes, setembro foi positivo para o varejo físico tanto em 2018 quanto em 2022”, afirma Raulino.
Histórico como referência, não como previsão
O levantamento da Seed Digital analisa os ciclos presidenciais de 2018 e 2022 como referências históricas para 2026. O primeiro turno deste ano será realizado em 4 de outubro e o eventual segundo turno, em 25 de outubro. Os dados não têm caráter preditivo e as comparações mostram como o fluxo do varejo físico se comportou em períodos eleitorais anteriores, sem estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre as eleições e as variações observadas.
“A principal mensagem para o varejo é não antecipar um comportamento do consumidor apenas com base no calendário político. Se há algo que 2018 e 2022 têm em comum, é justamente o fato de que o consumidor continuou circulando pelas lojas na reta final antes das eleições”, complementa Raulino.
Comportamento de consumo semelhante em cenários políticos diferentes
Os resultados ganham relevância justamente pelas diferenças entre os dois períodos analisados. Em 2018, a reta final da campanha foi marcada por acontecimentos que aumentaram a imprevisibilidade da disputa, como o atentado contra Jair Bolsonaro e a substituição da candidatura de Lula pela de Fernando Haddad. Já em 2022, o país chegou às urnas em uma eleição marcada pela disputa entre o então presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula e por forte mobilização política. Apesar dos contextos distintos, o varejo chegou ao mês eleitoral depois de registrar crescimento de fluxo em setembro nos dois anos.
É em outubro que os dois ciclos começam a apresentar comportamentos diferentes. Em 2018, o fluxo do varejo ainda registrou crescimento de 2,9% em relação a outubro de 2017. Já em 2022, houve retração de 3,6% frente ao mesmo mês de 2021.






