Uma startup que não dá certo é um golpe ou um erro de projeto?

Uma startup que não dá certo é um golpe ou um erro de projeto?

6 de janeiro de 2022 0 Por Priscila Guidini

Entenda como o caso da Theranos pode influenciar o mundo da inovação

Por Priscila Guidini

Essa foi a questão o que o júri popular americano levou mais de 50 horas para entender recentemente.

Vou contar a história que tem mexido com o mercado: a da startup Theranos e de Elizabeth Holmes – Uma jovem promissora, considerada o Steve Jobs da saúde, que acaba de ser condenada a mais de 20 anos de prisão por ter orquestrado uma das maiores fraudes da história do mundo dos negócios.

Como assim? Holmes era uma jovem de 19 anos que deixou Stanford para empreender no Vale do Silício e com sua ideia inovadora, conseguiu captar quase 1 bilhão de dólares na época, prometendo a maior disrupção no mercado de testes e exames do mundo: Theranos.

A startup fundada por Elizabeth, em 2003, queria construir um dispositivo que pudesse realizar centenas de testes diagnósticos de forma mais barata e precisa do que qualquer coisa no mercado. Resumindo… Uma revolução na indústria de exames.

A empresa alegava que suas pequenas máquinas eram capazes de fazer uma série de testes com apenas algumas gotas de sangue retiradas através de uma simples picada no dedo — ao invés das agulhas e tubos (sabe aqueles vários que as vezes coletamos para exames diversos…).

Muita gente comprou essa ideia…  A empresa captou cerca de US$ 750 milhões de fundos de Venture Capital e investidores privados, incluindo o lendário multibilionário Rupert Murdoch e outros como Henry Kissinger, Larry Ellison, Betsy DeVos. Até a rede de farmácias Walgreens entrou no meio e investiu US$ 140 milhões na Theranos, para colocar os testes em suas farmácias.

Para se ter uma ideia, em 2015, Holmes teve o patrimônio estimado em US$ 4,5 bilhões pela Forbes.  

Mas como foi que deu errado?

Enquanto a mídia criava o fenômeno, algumas pessoas da comunidade médica questionavam se realmente era possível fazer o que a Theranos queria.

Professores e experts no assunto passaram a estudar a empresa a fundo e desmistificar as promessas. Basicamente, o que se concluía era que a maioria das afirmações da empresa eram extremamente exageradas.

Mas a bomba realmente estourou quando… O The Wall Street Journal relatou que Theranos estava usando máquinas tradicionais de teste de sangue ao invés de sua própria tecnologia. Um ex-funcionário foi o principal informante.

A empresa virou pó e os investidores foram atrás do prejuízo. Diversos processos judiciais foram instaurados contra a empresa e Elizabeth Holmes se tornou a maior vilã do Vale do Silício.  

Agora, quase 7 anos depois das acusações, um júri dos EUA considerou a fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, culpada por fraudar relatórios e enganar os investidores da startup. Das 11 acusações, ela foi condenada em 4.

A condenação consistiu no fato da Theranos utilizar máquinas convencionais secretamente para fazer os “testes inovadores” dos pacientes.

  • Ela pode pegar até 20 anos de prisão, mas ainda pode apelar da decisão. Holmes alega que nunca teve a intenção de enganar ninguém.

A crença de alguns — e o argumento da defesa — é que Elizabeth Holmes não agiu de má fé e realmente acreditava em sua ideia, assim como muitos empreendedores que vendem algo que só depois vão conseguir construir…

E aí, será que o caso da Theranos vai impactar no mundo de inovação de startups?

Não ter o produto pronto e se apoiar na ideia, pode ser considerado crime???

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