TIRA-DÚVIDAS: saiba mais sobre hepatites B e C

TIRA-DÚVIDAS: saiba mais sobre hepatites B e C

27 de maio de 2024 0 Por Redação Em Notícia
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As hepatites B e C foram responsáveis por 83 mil mortes no Brasil, entre 2000 e 2021, segundo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Nesta entrevista, o coordenador-geral de Vigilância do HIV/AIDS e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Artur Olhovetchi Kalichman, aborda esses dois tipos de hepatites virais e os desafios e avanços no enfrentamento das doenças no Brasil.

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Kalichman pontua a importância da vacinação na erradicação da hepatite B e do tratamento para a cura da hepatite C, e cita a influência das condições socioeconômicas na manutenção dessas doenças como problemas de saúde pública.

Além disso, o coordenador destaca o papel do Programa Brasil Saudável do Governo Federal, como essa iniciativa interministerial pretende chegar às pessoas em estado de vulnerabilidade para melhorar o acesso ao diagnóstico e tratamento de doenças e infecções.

Brasil 61: O que são as hepatites B e C, conhecidas como hepatites virais?

Artur Olhovetchi Kalichman: “São causadas por vírus. Normalmente, têm poucos sintomas, a pessoa pode cursar assintomática com a hepatite B ou C. Porém, no passar do tempo — principalmente a hepatite C —, pode levar a problemas sérios: câncer, cirrose. Embora a B também possa, numa quantidade menor. O mais importante que a população tem que saber é buscar o teste. Existem [disponibilizados no SUS] testes, tanto para fazer diagnóstico da hepatite B quanto de hepatite C”. 

Brasil 61: Como é o tratamento?

Artur Olhovetchi Kalichman: “Todos os diagnósticos de hepatite C, hoje em dia, têm indicação para iniciar o tratamento. O tratamento é relativamente rápido — em torno de 4 a 12 semanas — e a pessoa fica curada. A hepatite C tem cura. Mais um motivo importante para as pessoas buscarem fazer o teste. Já a hepatite B, nem todo mundo tem indicação de tratar, vai ter que ter um médico que vai avaliar se tem ou não tem indicação de tratar. Para aquelas pessoas que têm indicação de tratar, o tratamento é para vida toda. Infelizmente, a hepatite B tem tratamento, mas não tem cura”. 

Brasil 61: Quais são os principais sintomas das hepatites virais?

Artur Olhovetchi Kalichman: “São doenças relativamente assintomáticas, que no decorrer do tempo, a pessoa sente nada. O que pode acontecer, principalmente em relação à hepatite C, é que no decorrer dos anos, as pessoas cuja imunidade não consegue eliminar esse vírus acabam podendo desenvolver, mais tarde, quadros graves hepáticos de cirrose, de câncer, o que vão dar vários sinais e sintomas de icterícia, de crescimento da barriga. E se for o câncer, você pode ter todas as complicações”. 

Brasil 61: Como posso desconfiar que tenho hepatite? 

Artur Olhovetchi Kalichman: “Entre a pessoa pegar uma infecção e ter de fato alguns sintomas graves — como cirrose e câncer — pode levar até 20 anos. Isso, por um lado, dá bastante tempo para todo mundo para buscar o teste antes de isso acontecer. As formas de transmissão da hepatite B e C são o contato com sangue, ou em troca de agulha e seringa entre usuários de droga injetável ou numa relação sexual onde você tenha troca de fluidos e sangue. Então, qualquer pessoa que tem vida sexualmente ativa corre risco de ter encontrado um parceiro com hepatite B ou ter tido, em alguma relação, alguma ‘lesãozinha’ com troca de sangue e poder também pegar hepatite C”. 

Brasil 61: Como é o teste que detecta essas doenças?

Artur Olhovetchi Kalichman: “Tem o teste rápido — em que o resultado sai na mesma hora. O Ministério da Saúde compra esses testes e os distribui para a rede pública do SUS. Em princípio, em todos os serviços — seja de atenção primária, de atenção especializada, nos centros de testagem anônima ou centros de testagem que existem no país —, esse teste deve estar disponível. É procurar uma Unidade Básica de Saúde ou ambulatório, ou um local de testagem, e você pode testar para HIV, para sífilis e aproveitar para fazer teste para hepatite também”.

Brasil 61: Quem tem outras doenças e infecções, como HIV e sífilis, está mais vulnerável a ter hepatites virais?

Artur Olhovetchi Kalichman: “Sim, pela questão da transmissão sexual, já que uma pessoa que contraiu alguma IST [infecção sexualmente transmissível], pode ter contraído qualquer outra. Pois, provavelmente namorou [teve relações sexuais] sem preservativo e se colocou em alguma situação mais arriscada. Então, seja começando pela sífilis, pelo HIV ou pela hepatite, o ideal é fazer o combo [de testagem]. O teste rápido está disponível para essas três doenças. O ideal para o cidadão, se ele quer fazer um rastreio da sua situação de saúde, é pedir para fazer os três [testes]”. 

Brasil 61: Qual a principal arma contra a hepatite B hoje? 

Artur Olhovetchi Kalichman: “É importante falar que há vacina para a hepatite B. Nossa expectativa é, de fato, eliminar a hepatite B, porque já entrou no Calendário Nacional de Vacinação do SUS, as crianças quando nascem já estão tomando a vacina para hepatite B; os adultos também, fazendo um teste, vendo que nunca teve hepatite B, podem tomar vacina. No caso da hepatite B, uma arma fundamental de saúde pública é a vacina. E incentivamos todo mundo a buscar a vacinação. [Recomendamos] Os pais vacinarem seus filhos e os adultos a buscarem a sua própria vacinação”.

Brasil 61: Hepatite C não tem vacina, mas tem tratamento e cura?

Artur Olhovetchi Kalichman: “No caso da hepatite C, todos que têm diagnóstico feito têm indicação de se tratar. O tratamento é de 12 a 24 semanas, [a hepatite C] é curável. Ou seja, se do lado da hepatite B, apostamos muito na vacina, buscando a eliminação, no caso da Hepatite C — que infelizmente não tem vacina —, apostamos no tratamento, porque é altamente efetivo. O Ministério da Saúde disponibiliza os tratamentos mais modernos disponíveis no mundo para a hepatite C e, em princípio, 100% das pessoas ficam curadas após o tratamento”. 

Brasil 61: Nos casos onde o diagnóstico e tratamento não são feitos, o fígado é o órgão mais afetado. Qual a principal causa de transplante de fígado hoje no país? 

Artur Olhovetchi Kalichman: “Infelizmente, são as hepatites B e C. Seja do ponto de vista do sofrimento individual de chegar a precisar de um transplante por estar com o fígado sem funcionar, seja pelos custos enormes que isso acaba trazendo para o SUS. Comparando com uma vacina ou um diagnóstico precoce, é muito importante  —  seja por bem-estar de cada um ou do ponto de vista de saúde pública  —  que cada vez menos gente evolua para cirrose ou para câncer. E que as pessoas façam o diagnóstico precoce e se tratem”.

Brasil 61: Quais são as condições socioeconômicas que favorecem a contaminação e a não eliminação das hepatites virais? 

Artur Olhovetchi Kalichman: “A grande questão — do ponto de vista da determinação social — está relacionada às pessoas mais vulnerabilizadas pelas suas condições de vida. Por questões de preconceito ou discriminação — homofobia, transfobia — não conseguem chegar no serviço de saúde, seja para fazer o diagnóstico, seja para se tratar. Então, hoje, as pessoas em maior situação de vulnerabilidade têm mais dificuldade de acessar diagnóstico e tratamento”. 

Brasil 61: De que forma o Programa Brasil Saudável vem para ajudar nessa questão? 

Artur Olhovetchi Kalichman: “O Brasil Saudável vem, justamente, tentar lidar com essa dimensão dos determinantes sociais e, principalmente, da pobreza, das iniquidades. E tentar — junto todos os ministérios envolvidos dentro da proposta do Brasil Saudável — como é que a gente, além do setor saúde, consegue promover cidadania, melhores condições de vida [às pessoas em situação de vulnerabilidade]. E, para isso, os ministérios — como os que cuidam de Bolsa Família, que cuidam de saneamento, o Ministério da Educação, o Ministério da Justiça — são muito importantes. E a ideia do Brasil Saudável é, justamente, que as políticas públicas de todos os ministérios —  como transferência de renda, por exemplo — possam ajudar a que as pessoas consigam fazer o diagnóstico, se manter e fazer todo seu tratamento”. 

Criado pelo Governo Federal em fevereiro deste ano, o Programa Brasil Saudável é coordenado pelo Ministério da Saúde e reúne esforços de outros 13 ministérios para eliminar ou reduzir as cargas de transmissão, de incapacidade e de mortalidade da doença de Chagas, tuberculose, esquistossomose, filariose linfática, geo-helmintíase, malária, tracoma, oncocercose, HIV/Aids, hepatite B, sífilis e HTLV. 

Por meio do programa, as pastas estão atuando em frentes, com foco no enfrentamento à fome e à pobreza, na ampliação dos direitos humanos e proteção social para populações e territórios prioritários. Há ainda a previsão da qualificação de trabalhadores, movimentos sociais e sociedade civil, de incentivos à inovação científica e tecnológica para diagnóstico e tratamento, e da ampliação das ações de infraestrutura e de saneamento básico e ambiental.

Para saber mais sobre hepatites virais e sobre ações do Programa Brasil Saudável, acesse: www.gov.br/saude.
 
 

Pixel Brasil 61
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