Sindicato de Delegados emite nota de repúdio contra vídeo de candidato
24 de agosto de 2026Entidades representativas da segurança pública manifestaram posicionamento contrário à publicação de um influenciador digital e candidato a cargo eletivo em rede social. O conteúdo gravado abordava o atendimento prestado por uma unidade policial civil no interior do estado.
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) divulgou nota oficial para contestar a gravação. De acordo com a manifestação institucional, a abordagem desqualificou o trabalho da autoridade policial responsável pela unidade após a recusa de entrevista sobre um inquérito em andamento.
O texto sindical destacou que a legislação federal e as normas regulamentares estabelecem o sigilo de investigações policiais. A entidade pontuou, ainda, que normas estaduais determinam procedimentos específicos para a comunicação oficial por agentes públicos de segurança na ativa.
A organização criticou a utilização de unidades especializadas de proteção à mulher no debate político partidário e apontou a necessidade de retratação em virtude das declarações proferidas contra a profissional responsável pela delegacia.
Abaixo apresentamos a nota de repúdio na sua íntegra.
NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO DO SINDICATO DOS DELEGADOS AO CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL GUILHERME PALLESI (MDB-SP)
“O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), entidade representativa dos delegados e das delegadas de Polícia paulistas e atuante na defesa dos direitos e das prerrogativas da categoria, manifesta total repúdio ao vídeo publicado em rede social, em 20/8 (quinta-feira), pelo candidato a deputado federal Guilherme Pallesi, o Guipa (MDB-SP).De caráter indiscutivelmente sensacionalista, o conteúdo desmerece e busca desqualificar a atuação séria e profissional da delegada de Polícia de Hortolândia-SP – tudo porque, segundo afirma o emedebista, a profissional (em obediência aos ritos inerentes à função) – se recusou a conceder entrevista para suas redes sociais sobre inquérito policial em andamento.Espera-se que o candidato a deputado federal – que diz defender a pauta das mulheres – compreenda a importância e o regramento que balizam o trabalho das delegadas de Polícia de todo o estado bandeirante. Estamos falando de profissionais que, diariamente, lutampela igualdade de direitos e pelo respeito à condição feminina, por meio da responsabilização legal de agressores e de responsáveis por demais delitos.Infelizmente, durante o período eleitoral, muitos postulantes a mandatos públicos têm utilizado as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) em todo o estado como palanques eleitorais – condição que o Sindpesp, aliás, rechaça, veementemente.A lei federal 9.504/97 (Lei das Eleições) proíbe, inclusive, a utilização da máquina pública para a promoção de qualquer candidato, especialmente em períodos eleitorais. Além disso, a lei federal 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) e o Código de Processo Penalgarantem, expressamente, o sigilo do inquérito policial e dos dados relacionados a vítimas.Ademais, segundo a normatização do Governo de São Paulo – especificamente o artigo 21 do decreto 69.557/2025 – delegados de Polícia na ativa somente podem conceder entrevistas à Imprensa mediante autorização da Secretaria de Estado de Segurança Pública. A requisiçãopara tal deve ser feita por escrito, para deferimento ou não.O Sindpesp reconhece que o candidato a deputado federal tem rede social robusta, abarcando mais de 1 milhão de seguidores – sendo, desta maneira, de alcance incalculável.Não podemos, assim, nos esquecer que, embora não sejam formalmente consideradas veículos de Comunicação no sentido tradicional, as redes sociais desempenham papel crucial na disseminação de informações (e de desinformações), o que pode acarretar responsabilidadesjurídicas sérias, inclusive no âmbito eleitoral.Por fim, esta entidade de classe lamenta profundamente a declaração do político ao afirmar que “a maior rival da mulher é a própria mulher! Tem muita mulher que joga contra!”, referindo-se a uma delegada que atua, há anos, na defesa dos direitos das mulheres,colocando a própria vida em risco diariamente – e isso, não apenas quando a profissional está sob as lentes de uma câmera.Dito isso, o Sindpesp espera pela retratação do candidato diante da conduta adotada e das declarações descabidas e desrespeitosas dirigidas à delegada de Polícia. Tal comportamento, inclusive, não se mostra compatível nem com a postura esperada de alguém quepretende exercer um mandato parlamentar, nem com a de um cidadão que se apresenta para a sociedade como defensor do público feminino.A igualdade de gênero não pode se limitar ao discurso ou à exposição nas redes sociais; deve se revelar, sobretudo, em atitudes concretas, coerentes e respeitosas, inclusive quando a mulher em questão é uma agente pública que, no legítimo exercício de suasfunções laborais, atua cotidianamente na proteção de outras mulheres.”





