Reforma

Reforma

22 de outubro de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Dos cismas que o Cristianismo viveu nenhum produziu tantas consequências como o da Reforma Protestante.
O marco inicial desse movimento foi o gesto do padre alemão Martinho Lutero. Em 31 de outubro de 1517, ele afixou nas portas de sua Igreja suas 95 teses, com o objetivo de combater a venda das indulgências por parte da Igreja. Quando olhamos para a história, percebemos que bem antes do século XVI, houve movimentos com anseios reformadores. Apenas para citar dois exemplos, os Cataristas e os Valdenses são dignos de nota neste sentido, além do movimento revolucionário, citando aqui dois nomes importantes antes de Lutero, John Wycliffe e John Huss.
O fato é que a Reforma ficou robusta a partir do gesto de Lutero, dando início ao movimento que cresceu em boa parte da Europa. Das muitas consequências do movimento, temos o fortalecimento dos princípios sociais e econômicos. Há avanços de atividades comerciais e financeiras nos países europeus, patrocinados principalmente por burgueses protestantes. O ambiente era propício a conflitos sociais de ordem religiosa. Perseguições e hostilidades passaram a fazer parte do cotidiano que se seguiu. Veja, por exemplo, o massacre da noite de São Bartolomeu, vitimando centenas de famílias huguenotes. Triste lembrança. Mas os movimentos sociais que surgem no bojo da Reforma vão pipocando, tinham como propósito a implantação de um sistema social e econômico mais justo.
Ademais, a Reforma vai alterar a dinâmica entre Igreja e Estado. O movimento fomentou uma cultura de questionamento das autoridades estabelecidas, incentivando a livre interpretação individual dos textos religiosos, contribuindo assim para o desenvolvimento do individualismo moderno.
Por fim, o movimento da Reforma influenciou o desenvolvimento de instituições educacionais e estruturas de governança. Quando, diante do imperador Carlos V, em 1522, Lutero não se retrata de seus ensinos em seus livros, dizendo que não ia agir contra as Escrituras e sua consciência, ele está, em poucas palavras, dizendo que não há nenhuma autoridade acima da autoridade oriunda dos textos sagrados. Estava sendo fortalecido ali, em seu gesto, um axioma precioso: “Sola Scriptura”. Para muitos historiadores, também, estava nascendo ali a “Idade Moderna”. Morre a “Idade Média” e nasce a “Idade Moderna”. A ideia é que o homem “moderno” não age contra sua consciência e contra os Livros. Bendita Reforma.
Hoje, quando olhamos para o protestantismo brasileiro, percebemos o quanto nos distanciamos dos ideais e das consequências produzidas inicialmente pela Reforma. Há um protestantismo completamente desfigurado que, além de não dar valor às Escrituras, não sabe lê-las nem interpretá-las. Vale a pena recordar as palavras do Senhor Jesus Cristo: “Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”.
É isso!
Rev. Ailton Gonçalves Dias Filho, Pastor Presbiteriano e Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie
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