Qual o sentido da vida perante a iminência de uma guerra mundial?

Qual o sentido da vida perante a iminência de uma guerra mundial?

7 de março de 2022 0 Por Carolina Vila Nova

A guerra de cada um e a Guerra de todos nós!

“Um mundo diferente não pode  ser construído por pessoas indiferentes!”

Peter Marshall

 

Após o enfrentamento inesperado e despreparado de uma pandemia, que já dura tempo demais, sem perspectivas de término, a curto prazo, hoje amanhecemos  surpreendidos pela declaração de guerra da Rússia contra Ucrânia, que pode vir a ser o início de uma guerra mundial.

Numa vida que constantemente toma lá, dá cá, nos equilibramos numa corda bamba, entre perdas, ganhos e danos, quando a única coisa que resta somos nós mesmos, o que nos tornamos na trajetória individual, de cada um. Como sonhar com um mundo melhor e uma vida mais leve e feliz? Tenho dificuldade em acreditar, num futuro assim, se nem no nosso cotidiano estamos conseguindo equilibrar os acontecimentos diários.

Entre a vida e a morte como tragédia já anunciada, os poucos que amamos e a vontade de concretizar sonhos, como ligar a TV e encarar esses fatos? Ou como desligar e fingir, que nada está acontecendo? Há alguma alternativa positiva? Ou a possibilidade do NDA, nenhuma das alternativas anteriores?

A iminência de uma guerra do outro lado do mundo é  mais uma demonstração da irresponsabilidade estrutural, da qual ainda dependemos pela nossa omissão, leviandade ou ignorância em sermos cidadãos ( e eleitores) mais conscientes,  das mais graves, visto que existe a possibilidade de uso da energia atômica enquanto arma letal e sem fronteiras.  O jogo econômico que lidera  a tramoia política, mundialmente,  coloca pessoas egocentradas e desequilibradas no poder, capazes de desestabilizar nações,  a natureza, da qual todos nós dependemos e,  consequentemente, a vida no  planeta. E em nome de que? De um território que já foi maior e que, em uma  percepção unilateral  e dominante, deve voltar a ser o que era antes ou dos recursos naturais existentes no território adversário que supostamente, garantirão um maior domínio econômico?

Morei cinco anos no menor estado da Alemanha, Saarland. Um local notadamente francês, a começar pelo nome da cidade, Saarlouis, assim como os nomes de ruas, bairros, pontos comerciais e o idioma secundário ensinado nas escolas: o francês, depois da língua alemã.

A história de Saarlouis mostra o quanto a guerra cansa seus civis, até que alguém com poder de decisão e sensatez encontre a verdadeira solução. Em cem anos de guerra, enquanto Saarlouis ora pertencia a Alemanha, ora à França, finalmente alguém decidiu fazer diferente, optando por um plebiscito. O povo votou pelo país, ao qual gostaria de pertencer e o escolhido foi a Alemanha. A guerra acabou e desde então, alemães e franceses vivem em harmonia na pequena cidade de Saarlouis.

Por quantos líderes inescrupulosos o mundo ainda precisa passar, para vir a se tornar um lugar pacífico? Não bastassem os problemas existenciais diários e eminentes do ser humano e de uma sociedade desequilibrada, que gera fome, doenças, violências, abusos e injustiças de toda ordem, oprimindo a todos de alguma maneira  – ostensiva ou invisibilizada, para que uma guerra? O quanto a ideologia e sede de poder tem destruído a vida, desde sempre? Onde está a transição planetária rumo a um mundo melhor? Tudo isso faz parte?

– Para, que eu quero descer! Ou subir!

Iremos mesmo, ser melhores e mais fortes depois disso tudo? E quantos irão morrer agora? Não bastaram os mortos e negligenciados da pandemia da Covid-19?

A vida parece perder o sentido em meio a tanto desequilíbrio. É sério, que uma única pessoa é capaz de desestabilizar o planeta?

– Deus, cadê você? – clamam alguns desavisados das suas próprias mazelas autocriadas.

–  Hitler não foi o bastante para nos ensinar? – gritam outros que tiveram suas histórias ancestrais gravadas a ferro e fogo na memória das duas guerras mundiais anteriores.

Pelo jeito não. E então vamos de mais um, que não se importa com o peso da responsabilidade da morte sobre seus ombros, mesmo que seja de milhares? Ou milhões? Quantos serão? E como se mede a dor de uma guerra? Pelo número de mortos? Ou na intensidade da dor de cada um, como a de uma criança, que perde seus pais, depois é abusada e morre de fome nas mãos de outros inescrupulosos sobreviventes?

Quando ainda morava na Alemanha, me cansava ver documentários constantes sobre as guerras mundiais nos canais de televisão, mas entendi, que isso era feito, para que o povo se lembrasse de nunca mais repetir o erro.

Pelo jeito, os documentários não passaram na Rússia e em muitos outros lugares, e se passaram, ninguém viu. Será que todos nós, humanos precisamos passar pelas dores, pessoais e coletivas,   cada vez mais latentes daqui por diante, dado o grau de degradação moral e ética, que nos faz desrespeitar as leis naturais da vida?

Da indiferença de cada um por si mesmo, pelo seu semelhante e ambiente onde vive  nasce a cultura da violência e do desprezo, que vai engolindo tudo e a todos, de formas variadas.  Dizem que esse é o processo necessário de transição planetária para que acordemos, para o potencial humano de quem realmente estamos destinados a ser.

Será??? É preciso muita maturidade e desprendimento para estar nesse planeta.

– Para, que eu quero descer! Ou subir!