Psoríase: avanços no tratamento e a necessidade de abordagem multidisciplinar no Brasil
15 de janeiro de 2026Condição autoimune atinge 1,3% da população nacional e demanda atenção para além das manifestações cutâneas, envolvendo impactos nas articulações e na saúde mental
A psoríase, uma patologia autoimune crônica e não contagiosa, afeta aproximadamente 5 milhões de brasileiros — cerca de 1,3% da população —, segundo dados do Ministério da Saúde. Embora seja reconhecida primordialmente por suas manifestações dermatológicas, especialistas alertam para a complexidade sistêmica da doença, que exige um protocolo de tratamento integrado para mitigar impactos neurológicos e psicológicos.
Manifestações Clínicas e Comorbidades
Clinicamente, a psoríase apresenta-se por meio de lesões eritemato-escamosas (manchas avermelhadas com escamas esbranquiçadas), localizadas preferencialmente em regiões de atrito ou trauma, como cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar. O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por médicos dermatologistas.
De acordo com a Dra. Raquel Rennó, dermatologista e docente da Wyden, a patologia transcende a barreira dérmica. Aproximadamente 30% dos pacientes diagnosticados podem desenvolver a artrite psoriásica, uma condição inflamatória que resulta em dor, rigidez e potencial comprometimento funcional das articulações. Além disso, há uma correlação documentada entre a inflamação crônica e o sistema nervoso central.

“O paciente com psoríase pode apresentar também distúrbios do sono, fadiga, ansiedade e depressão, o que reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar”, explica a especialista.
Abordagem Terapêutica e Inovação
Embora a psoríase não possua cura definitiva, o arsenal terapêutico evoluiu significativamente nos últimos anos. O controle da doença é realizado de forma escalonada, dependendo da gravidade do quadro:
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Tratamentos Tópicos: Uso de cremes e pomadas para casos leves.
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Fototerapia: Exposição controlada à luz ultravioleta.
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Terapias Biológicas: Medicamentos de alta tecnologia que atuam diretamente em alvos específicos da resposta inflamatória, indicados para quadros moderados a graves.
A patologia manifesta-se majoritariamente entre os 15 e 35 anos, embora possa surgir em qualquer faixa etária, não havendo métodos preventivos conhecidos até o momento.
O Impacto Psicossocial e a Psicodermatologia
O campo da psicodermatologia estuda a relação intrínseca entre o estado emocional e as doenças de pele. Fatores como estresse agudo e traumas podem atuar como gatilhos para crises de psoríase, criando um ciclo onde a aparência das lesões retroalimenta o estresse e o isolamento social.
Fabrício Otoboni, docente de Psicologia, enfatiza que o acompanhamento psicológico é um pilar estratégico no tratamento. “O suporte auxilia na construção de estratégias de enfrentamento e contribui para preservar a autoestima e os vínculos sociais”, afirma. A estruturação de uma rede de apoio familiar é considerada fundamental para a adesão ao tratamento e para a redução do estigma social que ainda envolve a condição.
A recomendação técnica atual orienta que, diante de sinais de interferência na qualidade de vida ou no bem-estar emocional, o paciente busque suporte integrado entre dermatologia, psicologia e, se necessário, reumatologia e neurologia.






