Por que muita gente está em um relacionamento e continua profundamente sozinha?
13 de agosto de 2026Estar solteiro nunca foi o maior problema. O verdadeiro problema é estar acompanhado e ainda assim se sentir invisível
Todos os anos, quando chega o Dia do Solteiro, vemos uma enxurrada de conteúdos ensinando como encontrar um relacionamento, conquistar alguém ou deixar de estar sozinho. Mas talvez estejamos fazendo a pergunta errada. E se o problema nunca tivesse sido a solteirice?
Como sexóloga, uma das frases que mais escuto é: “Eu namoro há anos, mas me sinto completamente sozinho.” Sempre que alguém diz isso, eu percebo o quanto ainda romantizamos a ideia de que encontrar um parceiro é o suficiente para sermos felizes. A verdade é que estar em um relacionamento nunca foi garantia de conexão.
É possível dividir a mesma cama, jantar na mesma mesa, viajar juntos e, ainda assim, viver uma profunda solidão emocional. A pior solidão nem sempre acontece quando estamos sozinhos. Muitas vezes, ela acontece quando estamos ao lado de alguém que já não nos escuta, não demonstra curiosidade sobre quem nos tornamos e faz com que nos sintamos invisíveis.
Vivemos um paradoxo curioso. Nunca foi tão fácil conhecer pessoas. Aplicativos aproximam desconhecidos em segundos, as redes sociais mostram milhares de possibilidades e basta um clique para iniciar uma conversa. Mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil construir intimidade. Criamos conexões rápidas, conversas superficiais e relações descartáveis, enquanto a ansiedade para encontrar alguém cresce cada vez mais.
Parte disso acontece porque ainda carregamos uma crença silenciosa de que estar solteiro é um problema a ser resolvido. Como se a felicidade tivesse, obrigatoriamente, a forma de um casal. Como se chegar sozinho a um casamento despertasse pena. Como se toda pessoa solteira estivesse desesperadamente procurando alguém.
Essa pressão tem um efeito perigoso: ela faz muita gente aceitar relacionamentos que nunca deveriam ter começado. Pessoas ignoram sinais claros de desrespeito, normalizam a falta de diálogo, toleram migalhas de atenção e permanecem onde já não são felizes apenas para não enfrentar o desconforto de voltar à solteirice.
E é justamente aí que nasce uma das formas mais dolorosas de solidão: a solidão acompanhada.
Existe uma diferença enorme entre solidão e solitude. A solitude é a capacidade de aproveitar a própria companhia, de sentir prazer em estar consigo mesmo e de entender que a felicidade não depende da presença constante de outra pessoa. Já a solidão aparece quando existe desconexão emocional. E essa desconexão pode acontecer tanto quando estamos solteiros quanto dentro de um casamento de vinte anos.
Talvez o Dia do Solteiro devesse nos lembrar de algo muito mais importante do que encontrar alguém: aprender a construir uma boa relação consigo mesmo. Porque pessoas que têm medo da própria companhia costumam aceitar qualquer companhia. Já aquelas que aprendem a gostar de quem são fazem escolhas mais conscientes sobre quem merece ocupar espaço em suas vidas.
Antes de perguntar quando você vai encontrar alguém, talvez valha fazer uma pergunta mais difícil: você está procurando um parceiro ou apenas tentando aliviar a ansiedade de ficar sozinho?
Existe uma diferença enorme entre amor e carência. A carência procura alguém para preencher um vazio. O amor procura alguém para compartilhar uma vida que já faz sentido.
Por isso, talvez o Dia do Solteiro mereça, sim, ser comemorado. Não porque estar solteiro seja melhor do que estar em um relacionamento, mas porque aprender a ser feliz sozinho é uma das maiores proteções contra aceitar um relacionamento que nunca deveria existir.
No fim das contas, a verdadeira meta nunca deveria ser deixar de estar solteiro. Deveria ser construir relações em que a presença do outro some, e nunca substitua, a felicidade que você já encontrou em si mesmo.
Stephanie Seitz, CMO do INTT Cosméticos e Sexóloga





