Os Feios, Os Sujos, Os Malvados… e Os Bobos

Os Feios, Os Sujos, Os Malvados… e Os Bobos

24 de julho de 2021 6 Por Haroldo Barbosa Filho
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Vivemos momentos de polarização. De ideias mais e mais radicais. Da busca de tudo para uns e nada para outros. De um tudo que, penso, levará ao nada para todos.

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Neste objetivado mundo Orwelliano, só haverá dois tipos de seres: os que mandam, em sua proposital cegueira, e os que obedecem, cegados. A criatividade, vinda justamente de palavras como “se”, “mas” e “ou”, quer dizer, da consideração de um outro ponto de vista que pode ser melhor do que o decretado pelo establishment, tenderá a desaparecer.

Será um mundo dos que tudo sabem e podem – poucos, chamados de salvadores – e dos proibidos de saber e, consequentemente, se manifestar, sem identidade, chamados simplesmente de “massa”.

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Este será o ápice do recrudescimento da polarização atual, em um mundo onde é cada vez mais proibido pensar diferente. O mundo idealizado pelos manipuladores de opinião com suas big tech e pelos agentes de um desmedido – e violento – expansionismo totalitário.

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As chaves que eles usam, prometidas e amplamente propaladas como instrumentos de liberdade de pensamento e sentimento são – com raras exceções – usadas para cerceamento e condução da tal “massa” para campos cercados e altamente vigiados.

Como agem esses verdadeiros senhores feudais, que classifico como os “feios, sujos e malvados”, bem como os que fazem parte da “massa”, que coloco na categoria dos “bobos”?

Primeiro, um pouco sobre os feios, sujos e malvados. Eles mentem, apontando o deserto e prometendo um oásis inexistente que a vista jamais alcançará.

Eles desinformam, espalhando narrativas como se fossem os donos da verdade absoluta.

Eles provocam, aguardando uma reação – por mínima que seja – para se vitimizar.

Eles dividem a sociedade e até quebram os laços familiares, criando grupos enfraquecidos que, assim, se tornam facilmente dominados.

Eles usam táticas diversionistas, procurando ocupar a mente de seus manipulados com joguinhos e outros passatempos, de forma que não se informem sobre o que realmente importa e não reflitam.

Eles denigrem e tentam calar as opiniões de forma que só seu mantra seja divulgado e reconhecido.

Eles distorcem conceitos morais e éticos, subvertendo todos os valores.

Eles falam em igualdade, sem explicar que ela significa uma cartilha de obrigações

para todos e direitos só para a própria casta.

Sim, mas… e os bobos?

Os bobos aceitam tudo isso. Ou seguem a consciência e dão a cara a tapa.

Aos primeiros, as delícias do não-pensar e do cômodo não-agir. Viverão sempre felizes com o pouco farelo recebido. Aos demais, o descaso e todos os riscos por tentar abrir os olhos dos semelhantes.

Na maioria das vezes, sua poesia não é e jamais será lida, quiçá interpretada… Ou pior, será achincalhada e, se ainda assim resistir, censurada.

Apesar disso, continuarão compondo seus versos, certos que vieram ao mundo pela e para a poesia.

A poesia, cujo nome é liberdade.

É nisso que acredito. Esta é minha razão de ser.

EXTREMOS

Peço licença aos partidários do tudo ou nada, do vai ou racha, devotos reacionários, líderes e liderados, loucos e lacaios, mas quero distância de qualquer extremo. Extremo tem ponta, tem quina, é epílogo. A simples ideia de fim machuca, dói e corrói. Em si representa um só lado e, quando muito, uma metade. No máximo, o que é ainda pouco. De tudo, extremo significa o drástico, o sentimento e a ação que beiram o precipício. Só é possível atirar-se e desistir nele, sem armistício ou a permissão do recomeço, após uma derrota. Extremo é pá-bum, acabou e nada mais restou. Só o passado da esperança, que a vista não mais alcança diante da negação do novo e diferente. E, se tudo isso vale para a dor, vale também para o amor: não se pode julgar que nada mais há para conhecer, pois sempre é possível encontrar algo mais a surpreender, entre as buscas e o que é dado a entregar. Prefiro os meios, pois são caminhos por onde me embrenhar, aprender e reaprender, viver. Eles trazem a compreensão do assim pode ser, do talvez, de que sempre há algo mais, além do amém. Meios são escolhas e a tradução do meu estar, trazendo à baila minha própria identidade, dando sinal verde para a minha liberdade, e consciência de minhas ignorâncias. No meio, posso descer à relva e subir aos faróis. Ver minhas limitações diante do imprevisível. Concordar, arriscar e mudar de ideia, tocar o intangível, Questionar minhas discordâncias. Ah, tempos tão extremos! Gente afundada na superfície, tão radicalizada, a querer tudo, dando apenas farelos de nada, perdidas, se achando sem procurar. Não sei se nasci no lugar errado, na hora errada, ou ambos. Talvez este tempo e este espaço, enfim, é que não tenham nascido em mim.

(Poema do livro “Um dia, uma vida” – Haroldo Barbosa Filho – Clube de Autores: www.clubedeautores.com.br)

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