Operação identifica fraude em medidor de energia de adega em Campinas
22 de maio de 2026Ação em adega resultou na prisão em flagrante do proprietário por adulteração em rede trifásica; concessionária investiu R$ 90,2 milhões em sistemas de blindagem e monitoramento remoto
A CPFL Paulista, em conjunto com a Polícia Civil, deflagrou uma operação de fiscalização nesta quinta-feira (20) para sanar uma irregularidade no fornecimento de energia elétrica em um estabelecimento comercial do ramo de bebidas (adega). A inspeção técnica, motivada por análises internas da distribuidora, constatou manipulação no sistema de medição do imóvel.
Segundo o relatório técnico da concessionária, o imóvel possuía um padrão de entrada com ligação trifásica. Embora o medidor de consumo estivesse ativo e com aparência regular, as equipes de campo identificaram adulterações nos mecanismos internos do dispositivo. Essa intervenção impedia o registro real do consumo de energia da adega, resultando em faturamento inferior ao efetivamente demandado pela atividade comercial.
A perícia do Instituto de Criminalística foi acionada para realizar o laudo técnico do equipamento. Diante das evidências, a autoridade policial determinou a prisão em flagrante do proprietário do comércio.
Impacto Tarifário e Tipificação Penal
O gerente de Gestão de Energia e Receita do Grupo CPFL, Daniel Carvalho, ressaltou que as chamadas “perdas não técnicas” — categoria que abrange os furtos e as fraudes contratuais — geram repercussões financeiras coletivas.
“O volume de energia desviado é computado nos processos de revisão tarifária periódica conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Consequentemente, o custo do prejuízo é rateado e repassado à base de consumidores regulares, onerando a tarifa pública”, explicou o executivo.
No ordenamento jurídico brasileiro, o desvio direto de corrente configura o crime de furto (Artigo 155 do Código Penal), com pena prevista de um a quatro anos de reclusão e multa. Já a adulteração do medidor mediante fraude enquadra-se no crime de estelionato ou subtipificações equivalentes, cuja penalidade pode ser agravada. Administrativamente, o infrator fica sujeito à cobrança retroativa dos valores retroativos não computados, além do custeio dos procedimentos de regularização.
Investimentos em Tecnologias de Blindagem
Para mitigar o índice de perdas na rede de distribuição, a CPFL Paulista expandiu o uso de sistemas automatizados e de engenharia de segurança. Em 2025, a companhia destinou o aporte de R$ 90,2 milhões para projetos de proteção e blindagem de ativos.
O plano de modernização tecnológica da distribuidora contempla:
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Área Comercial e Residencial: Instalação de caixas de medição invioláveis em pontos com histórico de reincidência e implementação de sistemas de medição centralizada instalados no topo dos postes.
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Área Industrial: Alocação de conjuntos blindados de medição, dotados de leitura externa e telemetria para monitoramento remoto em tempo real.
A concessionária reforça que, além do monitoramento tecnológico, os canais de denúncia anônima via centrais de atendimento permanecem operantes para que usuários colaborem na identificação de anomalias na rede elétrica.






