OMS aponta perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano por depressão e ansiedade em escala global

OMS aponta perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano por depressão e ansiedade em escala global

29 de junho de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Psicóloga corporativa Marcela Viana aponta protagonismo de saúde organizacional nas empresas com exigências da NR-01

A saúde organizacional passou a ocupar espaço cada vez mais relevante nas estratégias empresariais. Mais do que promover qualidade de vida aos colaboradores, o tema está diretamente relacionado à produtividade, retenção de talentos, redução de custos e sustentabilidade dos negócios. A discussão ganhou ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que desde maio de 2026 passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais no gerenciamento dos riscos ocupacionais.

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A mudança acompanha uma preocupação mundial com os impactos dos transtornos mentais no ambiente de trabalho. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão e a ansiedade são responsáveis pela perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, gerando prejuízos econômicos significativos e afetando diretamente a produtividade das organizações.

Para a psicóloga corporativa e consultora de RH Marcela Viana, a saúde organizacional vai além da prevenção de doenças e deve ser entendida como um fator estratégico para o crescimento das empresas.

“Saúde organizacional é a capacidade de uma empresa manter um ambiente de trabalho saudável, produtivo e sustentável, considerando aspectos físicos, emocionais e relacionais. Esse tema se tornou estratégico porque as organizações perceberam que o bem-estar das pessoas impacta diretamente os resultados do negócio”, afirma.

Segundo a especialista, ainda existe uma diferença importante entre organizações que apenas cumprem obrigações legais e aquelas que efetivamente investem no bem-estar de seus profissionais.

“A empresa que apenas cumpre a legislação atua de forma reativa, focando em evitar penalidades. Já a organização que investe em saúde organizacional trabalha de forma preventiva, desenvolvendo lideranças, promovendo um bom clima organizacional e reduzindo fatores que podem gerar adoecimento e queda de desempenho”, explica.

Entre os principais reflexos de um ambiente corporativo saudável estão o aumento do engajamento, da produtividade e da retenção de talentos. Para Marcela, quando os colaboradores se sentem valorizados e pertencentes ao ambiente de trabalho, os resultados aparecem de forma natural.

“Ambientes saudáveis aumentam o senso de pertencimento, a motivação e a confiança das equipes. Isso resulta em maior produtividade, melhor desempenho, redução da rotatividade e maior capacidade de atrair e reter profissionais qualificados”, destaca.

Por outro lado, alguns sinais podem indicar que a organização enfrenta problemas relacionados à saúde ocupacional e ao clima interno. A especialista alerta que o aumento do turnover, das faltas ao trabalho e dos afastamentos por questões emocionais merecem atenção.

“Entre os principais sinais estão aumento do turnover, absenteísmo, afastamentos por questões emocionais, conflitos frequentes, queda de produtividade, desmotivação e dificuldades de comunicação entre equipes e lideranças”, observa.

A liderança também exerce papel decisivo na construção de ambientes mais seguros e equilibrados. De acordo com Marcela, os gestores influenciam diretamente a forma como as equipes vivenciam as pressões e desafios do cotidiano profissional.

“A liderança exerce papel fundamental. Líderes preparados promovem diálogo, reconhecimento, segurança psicológica e equilíbrio nas demandas. Já lideranças despreparadas podem contribuir para sobrecarga, conflitos e adoecimento dos colaboradores”, ressalta.

A preocupação com a saúde mental tornou-se ainda mais urgente diante do crescimento dos casos de estresse ocupacional e Burnout registrados nos últimos anos. Nesse cenário, a prevenção passa a ser uma das principais ferramentas para reduzir riscos e preservar a saúde dos trabalhadores.

“A prevenção acontece por meio da identificação dos fatores de risco, melhoria dos processos de gestão, capacitação das lideranças e promoção de um ambiente mais equilibrado. O foco deve estar em prevenir as causas do estresse crônico e não apenas tratar suas consequências”, afirma.

Além dos impactos humanos, negligenciar a saúde organizacional pode gerar consequências financeiras expressivas para as empresas. Custos relacionados a afastamentos, rotatividade, queda de desempenho e processos trabalhistas costumam representar prejuízos significativos.

“Os custos podem ser elevados, incluindo afastamentos, aumento da rotatividade, perda de produtividade, retrabalho, processos trabalhistas e dificuldades para atrair e reter profissionais. Negligenciar esses fatores gera prejuízos financeiros e operacionais”, alerta.

NR-01 amplia responsabilidade das empresas

Com a atualização da NR-01, os riscos psicossociais passaram a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo que as organizações adotem medidas para identificar, avaliar e controlar fatores que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores.

Segundo Marcela Viana, a principal mudança está na necessidade de tratar o tema de forma estruturada e contínua.

“A principal mudança é que os riscos psicossociais passaram a integrar formalmente o gerenciamento de riscos ocupacionais. As empresas devem identificar, avaliar e adotar medidas preventivas para fatores que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores”, explica.

Para atender às exigências da norma, a especialista recomenda que as empresas realizem diagnósticos periódicos e implementem ações preventivas voltadas para a melhoria do ambiente de trabalho.

“O primeiro passo é realizar um diagnóstico dos riscos existentes, incluindo fatores como sobrecarga, conflitos e assédio. A partir disso, devem ser implementadas ações preventivas, treinamentos para lideranças e acompanhamento contínuo dos indicadores de saúde organizacional”, orienta.

Marcela reforça que a gestão dos riscos psicossociais não deve ficar restrita ao setor de Recursos Humanos, mas envolver toda a estrutura corporativa.

“A gestão dos riscos psicossociais é uma responsabilidade compartilhada. RH, lideranças, segurança do trabalho e alta direção precisam atuar juntos para criar ambientes mais seguros, saudáveis e produtivos”, destaca.

Para a consultora, as organizações que já compreenderam a importância da saúde organizacional estão conquistando vantagens competitivas importantes em um mercado cada vez mais exigente.

“Essas empresas conseguem equipes mais engajadas, menor rotatividade, maior produtividade e melhor reputação no mercado. Além disso, estão mais preparadas para enfrentar desafios e sustentar resultados de longo prazo, transformando o cuidado com as pessoas em vantagem competitiva”, conclui.

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