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No último artigo, sobre o Ginásio Ipanemense, toquei no assunto sobre o desfile de 7 de setembro. O 7 de setembro sempre foi nossa principal data cívica, superando em muito o 15 de novembro, que marca a proclamação da República. Em Ipanema,MG, não era diferente.
Ipanema, no Leste de Minas Gerais, é um típico município do interior das Gerais, localizado no vale do Rio Doce, a 370 Km da capital, com população estimada em 20.200 habitantes. O desfile de 7 de setembro, nos anos 70 e 80, era um dos principais acontecimentos da cidade. O local do desfile, como não podia deixar de ser, era a larga e comprida avenida 7 de setembro. Essa avenida sempre foi o coração pulsante da cidade. Com duas pistas para a circulação de automóveis, com um canteiro separando as duas pistas, a população se aglomerava na avenida, aguardando o desfile de 7 de setembro. Na época, as duas principais escolas, a Escola Imaculada Conceição e o meu querido Ginásio Ipanemense, ficavam nas extremidades da avenida. O Imaculada na própria avenida. O Ipanemense numa rua perto da avenida 7 de setembro. Não lembro o nome da rua agora.
Os dias anteriores ao desfile eram de intensos ensaios. As classes de aulas ensaiavam a marcha, esquerda, direita, esquerda, direita! Ao som de intensa bateria que ditava o ritmo da marcha. De longe ouvia-se o apito do “regente” da bateria, marcando alguma pausa ou mudança de ritmo. Dias felizes aqueles! Dias singelos, carregados de simplicidade, criando uma expectativa para o grande dia do desfile.
A avenida 7 de setembro naquela época ainda não tinha o devido calçamento em toda a sua extensão. Só uma parte do pequeno centro. Paralelepípedos! O resto era de terra, fazendo subir muita poeira. Lembro dos três “pês” de Ipanema: Poeira, Política e Pernilongo. Temas para outros artigos.
As duas escolas iniciavam o desfile. Alunos impecavelmente uniformizados. Filas “indianas”, formação por classes. Cada escola nas extremidades da avenida. O ponto alto era o encontro das duas baterias, quando os tambores e taróis eram acionados com maior intensidade na tentativa de abafar a bateria da outra escola. Havia sempre uma disputa no ar. Quem ganhou o desfile? Quem marchou melhor? Quem cometeu menos erros? Logicamente, não havia um juiz, um jurado para sentenciar o ganhador. Não era uma disputa. A disputa estava no imaginário de cada um dos presentes.
Eram dias lindos! Dias que trago na memória do coração! Escrevo essas linhas com lágrimas nos olhos e gratidão pelas doces lembranças. O 7 de setembro sempre foi especial para mim, de meus desfiles, de menino e do querido Ginásio Ipanemense!
É isso!
Ailton Gonçalves Dias Filho, Pastor Presbiteriano e Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie