Me perdendo de mim mesma

Me perdendo de mim mesma

8 de março de 2022 0 Por Carolina Vila Nova
Em que momento nós nos perdemos de nós mesmos? Será possível perceber o exato momento em que isto começa a acontecer? E então evitar uma das coisas mais dolorosas desta vida? E a pergunta mais importante: devemos evitar essas perdas? Já que justamente através delas é quando mais crescemos e nos fortalecemos? Longe de mim dar uma de especialista no assunto. Pois da única coisa que talvez seja um pouco expert é sobre minha própria vida. E nada mais. Assim sendo, olho para trás na minha história e tento identificar os momentos das perdas de quem eu sou. E eles doeram tanto a longo prazo, que se hoje volto ao passado é para evitar que eles se repitam. Sei que dores são necessárias, sofrimentos, altos e baixos de um modo geral, esta é a dança da vida. Mas será que dá pra viver uma dor sem necessariamente ter que me perder? Hoje percebo com alguma clareza os motivos que me levaram a me perder de mim mesma: imaturidade, falta de experiência, sentimentos confusos em momentos conturbados, paixões e amores que nem eram tão amores assim, vontade de satisfazer a vontade dos outros sobre a minha pessoa e atitudes. Com o tempo e depois de algumas vezes que me senti morta por dentro, finalmente entendi que o único caminho para não me perder de mim mesma é a fidelidade à quem eu sou, ao que eu sinto, penso e acredito. Parece simples, mas nem sempre é assim. Em primeiro lugar, porque conhecer a si mesmo é algo que denota tempo. Ninguém nasce sabendo, e maturidade emocional não é algo ensinado na escola, mas algo que se aprende vivendo. Doloridamente “quebrando a cara”. Em segundo lugar, porque o autoconhecimento é uma matéria a qual nunca teremos domínio completo, uma vez que mudamos constantemente. Nosso cérebro muda a cada dia, e nossos neurônios se reorganizam no cérebro diariamente tanto quanto nuvens no céu. Nenhum dia é exatamente igual ao outro. Além disso, somos seres em busca constante de equilíbrio, o qual em poucos momentos realmente alcançamos. A vida nos surpreende com altos e baixos quando menos esperamos. Oportunidades que chamamos de “portas abertas”, que nem sempre são o que parecem. Uma decisão aparentemente acertada, que no fim nos leva ao fundo do poço. Portas que se abrem ao mesmo tempo gerando dúvidas e confusões. “O que fazer? Que decisão eu tomo? Qual o melhor caminho?” E o mais interessante ainda é quando acreditamos ter tomado uma decisão errada e em seguida somos surpreendidos com a descoberta de que foi a mais acertada escolha. Viver não é fácil. Buscamos prazer diariamente nas pequenas coisas que realmente trazem sentido à nossa vida. Para muitos, nem isso é considerado simples e de fácil alcance. Eu felizmente descobri o caminho da felicidade, que nada mais é do que ser eu mesma, mas ainda assim não estou livre de me perder de novo, o que me assusta profundamente. Hoje mesmo, diante de uma oportunidade, decidi fechar a porta. Não porque tive medo ou certeza de que era uma “porta” ruim. Mas porque a escolha de um caminho não deve ser feita com o olhar apenas em seu fim, mas em todo o trajeto que este caminho envolve. Eu quero muito o que esta “porta” me ofereceu, mas não quero atravessá-la da forma que me foi oferecido. Desejar e querer algo não deve implicar se fazer tudo para tal, mas se fazer tudo que está de acordo com o que você aceita, gosta e acredita. Não sei se dessa forma estaremos totalmente livres de errar; acredito que não. Mas o respeito à si mesmo, em primeiro lugar, é com certeza um dos melhores caminhos para decisões acertadas.  E se no fim, ainda assim nos perdermos, tudo bem… Dói pra caramba, ninguém quer e eu também não. Mas o importante é saber que o caminho de volta é sempre uma volta pra casa. E o caminho de casa a gente nunca esquece.