Estudo indica que uso de Viagra pode estar associado à redução do risco de Alzheimer em homens
10 de fevereiro de 2024Pesquisa sugere que medicamentos para disfunção erétil podem ter impacto na prevenção da doença, mas são necessários estudos adicionais para comprovar a relação
Um estudo recente sugere que homens que fazem uso de medicamentos para disfunção erétil, como o Viagra, possuem menor probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer. Realizada com mais de 260 mil participantes do sexo masculino, a pesquisa revelou que aqueles que utilizavam tais medicamentos apresentaram uma redução de 18% no risco de desenvolver a doença neurodegenerativa.
Apesar dos resultados promissores, é necessário realizar estudos adicionais para estabelecer uma relação direta entre o uso desses medicamentos e o efeito observado na prevenção da doença de Alzheimer. Até o momento, dois novos medicamentos voltados para o tratamento da doença mostraram-se altamente promissores ao retardar seu avanço nas fases iniciais, direcionando-se à substância conhecida como beta-amilóide, que se acumula no cérebro de pacientes com Alzheimer.
Ao atacar essa substância, os medicamentos podem revolucionar o tratamento da doença. No entanto, os cientistas continuam em busca de medicamentos já existentes que possam prevenir ou retardar o desenvolvimento do Alzheimer.
Os medicamentos para disfunção erétil, como o Viagra, inicialmente foram desenvolvidos para tratar hipertensão e angina, porém, além de agir como mensageiros de sinalização celular, eles também impactam a atividade das células cerebrais. Estudos com animais sugerem que tais medicamentos possuem efeito protetor no cérebro.
No estudo recente publicado na revista Neurology, pesquisadores da University College London analisaram registros médicos de milhares de homens com disfunção erétil, comparando aqueles que receberam medicamentos com aqueles que não receberam. Durante um período de cinco anos, foram registrados 8,1 casos de Alzheimer por 10 mil pessoas por ano no grupo que utilizou medicamentos, enquanto o grupo que não utilizou apresentou 9,7 casos.
Embora o estudo não comprove de forma conclusiva que os medicamentos para disfunção erétil são capazes de reduzir o risco de Alzheimer, os resultados indicam uma possível nova linha de pesquisa. Ruth Brauer, autora principal do estudo, enfatizou a importância de pesquisas adicionais para confirmar as descobertas, avaliar os benefícios e mecanismos potenciais desses medicamentos, além de analisar a dosagem ideal.
Os pesquisadores planejam realizar testes futuros, considerando tanto homens quanto mulheres, para investigar se o uso desses medicamentos tem impacto nos dois gêneros. É importante ressaltar que o desenvolvimento da doença de Alzheimer é influenciado por diversos fatores, e o estudo considerou alguns deles, como idade, condições de saúde subjacentes, outros medicamentos em uso e tabagismo.
Segundo Tara Spires-Jones, da Universidade de Edimburgo e presidente da British Neuroscience Association, embora o estudo não prove de forma conclusiva que medicamentos para disfunção erétil reduzem o risco de Alzheimer, essa pesquisa oferece evidências que justificam uma investigação mais aprofundada no futuro.
O neurofisiologista Francesco Tamagnini, da Universidade de Reading, comenta que o estudo é relevante, porém, é necessário obter evidências sólidas sobre como o medicamento afeta o cérebro. Ele sugere que a droga pode exercer um efeito terapêutico direto nos neurônios, caso seja capaz de atravessar a barreira hematoencefálica, ou aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, porém, essas hipóteses ainda precisam ser testadas.








