E viva o sucesso de Anitta!

E viva o sucesso de Anitta!

1 de maio de 2022 0 Por Carolina Vila Nova

“Todos vivemos sob o mesmo céu,

mas ninguém tem o mesmo horizonte!” (Konrad Adenauer)

Sim, celebro o sucesso da cantora brasileira, sim! Mesmo não sendo fã de funk, sou capaz de reconhecer a trajetória improvável de alguém que nasceu e cresceu numa favela, em meio a pobreza, sem qualquer perspectiva de  se sobressair ao meio e ir além.

Não sou seguidora da Anitta, mas tenho admiração por sua história e principalmente pelo fato dela mesma administrar sua carreira, colocando em evidência sua inteligência e capacidade como empresária. Bem mais difícil do que cantar é gerir sozinha uma empresa e carreira, naturalmente cheia de dificuldade e concorrência, onde tantos tentam tirar vantagem, puxar o tapete e passar a perna.

A contragosto, algumas pessoas parecem engajadas nas críticas em vídeos e artigos, relacionados a ela: a bunda de Anitta no clipe de sucesso mundial, “Envolver”!

Me pergunto, se essas mesmas pessoas também criticaram Madona, Britney Spears, Miley Cyrus, Beyonce, Rihanna, Shakira, Katy Perry, Jeniffer Lopes e tantas outras. Será que nenhuma brasileira aqui, incomodada com a bunda de Anitta, nunca dançou  “Na boquinha da garrafa” do “É o tchan” no auge da adolescência ou juventude ou num fim de festa, um pouquinho mais animada? Curioso…

Entendo que a vida é feita de fases e durante a descoberta da sexualidade, é natural que se explore este mundo, alguns em maior escala, outros em menor, mas onde estão todas as cantoras que também mostraram a bunda em um clipe ou outro, ou muitos? Quase todas são bem-sucedidas, se tornaram mães, tem suas famílias e levam a vida como qualquer uma de nós.

– Opa. Qualquer uma,  não!

Alguns podem dizer, que essas mulheres, que usaram de sex appeal não são corretas e nem de família.

– Então, vamos de Britney, mas vamos falar mal da Anitta!

Gente!

Antes de apontar o dedo para um artista, já parou para pensar no público desse, ou dessa, ou daquela artista?

Vejamos.

Gostaria de me colocar como exemplo: eu já escrevi mais de sessenta trabalhos, considerando livros e roteiros durante a minha carreira e só agora, com um livro cômico, debochado e com pitadas eróticas, atingi o sucesso com o meu nome na capa, o “Deu Match! 13 Crushes, 1 amor e 1 livro”, há mais de 21 semanas na lista dos livros mais vendidos do Brasil.

Por que os outros livros não fizeram tanto sucesso, se tem o mesmo estilo e qualidade na escrita?

Há mais de uma década, recebi um conselho de um premiado cineasta:

– Carol,  escreva comédia, algo do tipo “Zorra Total”.

Na época, eu sequer considerei a hipótese, pois não era exatamente fã desse tipo de programa. Mas o cineasta reforçou:

– No Brasil, o que se vende é isso.

– Por quê?

– Porque é o que o público quer!

Não segui o conselho e escrevi inúmeros livros, principalmente de crônicas, cheias de reflexão e filosofia (vide carolinavilanova.com), livros infantis, romances, e principalmente dramas. Adoro um drama!

Até que entendi. Nãos somos um país, onde a arte, cultura e educação estão em evidência. Ao contrário da Alemanha, país onde morei por seis anos, que costuma ser o primeiro no mundo em número de leitores e venda de livros. O Brasil é um desastre, se comparado a tal. Somos poucos leitores, senhoras e senhores, muito, muito poucos! Infelizmente! E isso é geral no que se refere à arte, cultura e educação.

Então a culpa é do público?

Mais ou menos…

Primeiro,  não é uma questão de culpa. O ponto neste incômodo em relação ao sucesso de Anitta, ao que parece, é mais uma vez a conhecida intolerância com o que se difere da opinião ou perspectiva  de algumas pessoas.

Eu não gosto de funk, mas fico feliz que ela tenha atingido o sucesso, mostrando que a arte pode levar uma pessoa da favela a caminhos além das drogas, da criminalidade, pobreza e marginalidade.

Não concordo com discursos supostamente feministas, dizendo que ela se empoderou e não deveria estar mostrando a bunda. Não dizem que uma mulher deve estar onde ela quiser? Então… Anitta está no auge, no topo, se tornou milionária e conselheira de um banco digital, considerado empresa unicórnio, que possui avaliação de preço de mercado no valor de mais de 1 bilhão de dólares americanos. Além de assinar um contrato, onde irá receber 36 milhões pela parceria.

E o povo está mesmo focado na bunda, minha gente?

A bunda de Anitta vem bem depois de sua capacidade intelectual, voz, carreira, criatividade e originalidade, independente do fato de eu mesma gostar disso ou não. A jovem provavelmente tem inteligência acima da média e já compreendeu o que o público brasileiro quer.

Quem se ressente do que faz sucesso no país, sugiro pensar numa frase muito propícia de Madre Teresa de Calcutá:

– Nunca irei a uma manifestação contra a guerra, se fizerem uma pela paz chamem-me.

Se você é contra a sensualidade, erotismo ou o que for no meio artístico, promova a educação, a ponto de instigar que  interesses sobre temas reflexivos e filosóficos possam vir à tona. Nada muda e transforma mais uma sociedade, do que o conhecimento, que vem a partir da educação.

Quem se ressente ou não concorda com algo tem todo direito de se manifestar, mas levantar uma bandeira contra isso, aparentemente só demonstra inveja, intolerância e falta de conhecimento sobre o que é evidente para um artista se sobressair no Brasil. Ou ideologia política e ou religiosa. Vai saber…

Apoiar o sucesso do outro, seja ele quem for, é sinal de empatia e maturidade! Se não puder apoiar, nem apreciar, o silêncio será bem-vindo à sua própria imagem, para que você mesmo não pareça uma pessoa invejosa e cheia de crenças limitantes.

Antes de julgar o trabalho de um artista, olhe para o público. E se isso incomodar, trabalhe em prol de evoluir o conhecimento desse público. E se lhe parecer difícil, apenas foque em evoluir a si mesmo. Quem transforma a si em uma pessoa melhor então se torna capaz de melhorar o seu entorno.

Quem fica apontando o dedo é só mais um chato, intolerante, invejoso ou hater! Não muda nada, é só mais um!

Quer aparecer bem na fita? Influenciar de maneira positiva? Elogie de forma construtiva, crie algo novo, ensine! Seja alguém que levanta seus semelhantes e aceita as diferenças!

Com Funk ou sem Funk, sua opinião é só mais uma, assim como esta. Porém esta, apesar de não gostar de funk, não tem inveja e nem a suposta ideia de superioridade.

E viva o sucesso de Anitta sim e de todo artista, que mesmo em um país com lacunas graves na educação, arte e cultura, consegue sobreviver e lutar por algo melhor, seja só por si mesmo, como profissional, ou ainda pelo seu entorno!