Diagnóstico tardio e invisibilidade feminina expõem lacunas no autismo

Diagnóstico tardio e invisibilidade feminina expõem lacunas no autismo

2 de abril de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Em abril, mês de conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA), campanha de 2026 propõe o tema “Autonomia se constrói com apoio” e mobiliza a hashtag #RESPECTRO  

O Brasil tem hoje cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, segundo dados do Censo 2022 do IBGE, um marco importante, mas ainda insuficiente para dimensionar a real presença do Transtorno do Espectro Autista, TEA, no país. Isso porque, parte significativa dessa população segue fora das estatísticas, especialmente adultos e mulheres. O cenário internacional reforça o alerta, dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, CDC, dos Estados Unidos, indicam que 1 em cada 31 crianças está no espectro, um aumento em relação ao índice anterior, de 1 para 36. Mais do que crescimento, o dado aponta para avanços na identificação, mas também evidencia a urgência de ampliar o acesso ao diagnóstico. Para Mariana Valente, diretora clínica do Grupo ABAcadabra, psicóloga e analista do comportamento, a subnotificação ainda é um dos principais desafios. “Estamos avançando no reconhecimento, mas ainda há muitos perfis que não são identificados, o que impacta diretamente o acesso ao suporte adequado”, afirma.

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Entre os grupos mais invisibilizados estão as mulheres. O autismo feminino, muitas vezes, se manifesta de forma diferente dos padrões clássicos descritos na literatura, o que contribui para diagnósticos tardios ou equivocados. “Meninas e mulheres aprendem, desde cedo, a camuflar comportamentos. Elas observam, imitam e se adaptam socialmente, o que pode mascarar sinais importantes do autismo”, explica Mariana. Como consequência, é comum que enfrentem altos níveis de ansiedade, exaustão emocional e sofrimento psíquico ao longo da vida, sem compreender a origem dessas dificuldades.

Se por um lado há diagnósticos que chegam tarde, por outro, especialistas reforçam que identificar o autismo precocemente faz toda a diferença na trajetória da pessoa. “O diagnóstico precoce permite o início de intervenções baseadas em evidências, como a Análise do Comportamento Aplicada, ABA, que contribuem para o desenvolvimento de habilidades e para a redução de barreiras no dia a dia”, destaca Mariana Valente. Segundo ela, a ausência de diagnóstico pode intensificar o sofrimento ao longo da vida. “Muitas pessoas crescem se sentindo deslocadas, incompreendidas ou inadequadas. Quando o diagnóstico chega, há um alívio, mas também a percepção de que esse suporte poderia ter transformado a trajetória desde cedo.”

Campanha 2026: autonomia com apoio

Em 2026, a campanha nacional de conscientização traz o tema “Autonomia se constrói com apoio”, reforçando que independência não significa ausência de suporte, mas sim acesso a condições adequadas para o desenvolvimento individual. “A autonomia só é possível quando existe compreensão, acolhimento e intervenção adequada. Falar sobre diagnóstico, em todas as fases da vida, é essencial para garantir esse caminho”, conclui Mariana.

Ao ampliar o debate sobre diagnóstico tardio e subnotificação de mulheres, o mês de conscientização reforça a necessidade de olhar para o espectro em toda a sua diversidade, e de garantir que ninguém fique fora dessa conversa.

Sobre o Grupo ABAcadabra: 

O Grupo ABAcadabra é especializado em Análise do Comportamento Aplicada. A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) consiste na aplicação e/ou intervenção derivada da Ciência do Comportamento ou Behaviorismo, proposto por Skinner, que se destina ao estudo da associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem. Baseado em princípios validados empiricamente, a intervenção ABA envolve o ensino intensivo e individualizado das habilidades necessárias para que o indivíduo possa adquirir independência e a melhor qualidade de vida possível (o que engloba comportamentos sociais, comportamentos acadêmicos, além de atividades da vida diária). A redução de comportamentos como agressões, estereotipias e fugas também fazem parte do tratamento.

O Grupo ABAcadabra, fundado em 2015, com sede em Campinas, amplia suas instalações nesse ano de 2026 e chega à cidade de Mogi Mirim com a mesma missão transformar realidades de pessoas com desenvolvimento neurodivergente e/ou que apresentem queixas comportamentais por meio da intervenção ABA. Para isso, o Grupo conta com uma equipe interdisciplinar, composta por psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e profissionais de educação física, que atua diretamente no desenvolvimento das habilidades de cada paciente.

A Direção Clínica do Grupo ABAcadabra é de responsabilidade da psicóloga e analista do comportamento Mariana Valente Teixeira da Silva Talarico, fundadora do Grupo. Graduada pela PUC-Campinas, Mariana especializou-se em Psicologia do Desenvolvimento e Deficiência, pela FCM – Unicamp; Psicopedagogia Clínica e Institucional, pela Universidade São Francisco; Psicologia Clínica – Terapia Comportamental pelo ITCR-Campinas; Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado para Autistas, pelo Infoco.  É doutoura em psicologia pela UFSCar, mestra em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação pela FCM – Unicamp. É pós-graduada em ABA: Análise do Comportamento Aplicada à Educação de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista e Atraso no Desenvolvimento, pela UFSCar.

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