DAE insiste na “versão” de excepcionalidade na falta d’água
3 de outubro de 2025Seguindo a mesma linha de comunicação que diz que Americana vive um momento excepcional, em que alguns bairros são afetados esporadicamente, nesta sexta-feira a autarquia emitiu uma nova lista com alguns bairros que em tese, nesta sexta-feira estaria sentindo problemas de abastecimento.
De acordo com o DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana, seu comunicado informa que, na manhã desta sexta-feira (3), os reservatórios do município contabilizam apenas 15 milhões de litros de água, apenas 41% do volume d’água ideal e que as regiões mais afetadas nesta sexta-feira são: Parque Novo Mundo, Parque Universitário, Terramérica, Jardim São José, Chácaras Letônia, Residencial Tancredi, Bosque dos Ipês e Iate Clube de Campinas.
Conversamos com alguns moradores das áreas citadas pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Americana, que centraliza a comunicação da administração, para verificar a veracidade das informações levadas ao público. O morador do bairro Vale das Paineiras, que encontra-se na região da Chácaras Letônia, Wilson Bueno, o seu bairro está sem água há duas semanas e não somente nesta sexta-feira. “Em muitos outros dias, realmente ficamos, frequentemente, a semana toda sem água. Pessoalmente já reclamei, os vizinhos também, mas nada muda. Tempos atrás diziam que o problema era com a caixa, que ela tinha defeito e que não podia ser enchida, de forma a normalizar a pressão. Agora a região tem nova caixa, mas o problema persiste não tendo mudado nada. Por vezes ficamos sem água. No momento estamos enfrentando total falta de água.”

O morador prossegue o desabafo: “Temos que lembrar que este é um serviço essencial e pelo que vejo, não tem sido tratado com a seriedade que merece. É como a transposição da rodovia: a prefeitura vai esperar que algum acidente grave ocorra para se mexer. A obra era para ter início este ano e estamos no final. Nada desta obra acontecer. Em casa estamos sem lavar louças, sem banho e comprando água em galões para bebermos e fazermos comida. Minha filha está doente. A médica nos disse ontem que o quadro dela deriva da qualidade da água, provavelmente, ou da falta dela. Em casa compramos água, mas na faculdade ela toma a água servida pelo DAE, que tem forte odor de cloro. Estou considerando comprar água de caminhão pipa, mas isso não é correto. As familias que podem comprar acabam contornando a situação, enquanto as menos favorecidas ficam à mercê do descaso do Sr. Sardelli. Estou desempregado infelizmente e esta opção vai onerar ainda mais minha famiíia, mas não vejo atenção da turma do Sardelli para meu bairro, que sequer é citado como um dos que enfrentam a falta d’água.”
Wilson também informa que está a menos de dois quilômetros da Represa do Salto Grande, uma gigantesca área de manancial, mas que há pelo menos 40 anos encontra-se poluída e que, apesar de ser informado em diversas reuniões com os moradores informando que os municípios que são abastecidos pelo Rio Atibaia e que terminam poluindo a represa terem assinado Termos de Ajuste de Conduta para cessarem com a poluição, ele nunca viu nenhuma ação efetiva da Prefeitura, nem mesmo do DAE executar obras como a instalação de caixas d’água para o bairro ou estações de tratamento d’água.
A dentista e homeopata Dra. Patrícia Villafanha, que mora no Pq. Universitário, localidade que fica entre os bairros Terramérica e Parque Novo Mundo, disse que não é de agora que acontece o problema da falta d’água. “Morei no Parque Novo Mundo e atualmente moro no Parque Universitário. No Novo Mundo era frequente a falta de água, mas aqui no Universitário é desesperador a falta de água e quando tem… a sujeira é um desrespeito. Hoje a água acabou por volta das 09h00. Em média ficamos sem água de 2 a 3 vezes por semana e neste período a falta de água é diária.”
Segundo a moradora, a situação frequente e constante da falta d’água tem alterado a rotina de toda a família: “Hoje acordei as 05h00 para tomar banho e depois meus filhos foram tomar banho, pois temos medo de ficar sem água. Para lavar louça, é na sorte de ter água na torneira. Reservo água em baldes para usar como descarga das privadas. Já chegou ao ponto de pedir para familiares do Bairro São Paulo que tem poço artesiano no prédio, para nos deixar tomar banho. Constrangimento e total falta de respeito!”, enfatiza.
Um reflexo da falta de políticas públicas para enfrentamento das mudanças climáticas e a consequente falta d’água pode ser o êxodo populacional, algo que já vem acontecendo há anos em Americana, quando diversas empresas trocaram a cidade por municípios vizinhos e o mesmo acontece com os cidadãos que sentem-se desrespeitados com o pouco caso da administração e buscam outras cidades para viverem com suas famílias, como nos respondeu a Dra. Patrícia: “Estávamos falando nisto esta semana, mesmo. Ano que vem estamos planejando mudar de cidade. Era um sonho da família de ter uma casa neste bairro, mas está virado um pesadelo”. “Nós não temos possibilidade de fazer obras para nos adequar ao desrespeito que a má administração municipal de Americana nos faz sofrer. Além de escape de esgoto na nossa calçada que com frequência acionamos o DAE para nos socorrer. Ao ponto de vazar esgoto pelo banheiro da sala, inundando todo o piso térreo de nosso sobrado.”
Toda esta situação poderia ser consertada, mesmo com altos índices de polução da Represa do Salto Grande, instalando-se estações de pré-tratamento e tratamento d’água, por meios tradicionais ou ainda com processos de Osmose Reversa, que é mais eficiente e garante mais agilidade, além de excelência em qualidade d’água. Mas, para isso, a autarquia e a administração municipal deveriam ter o interesse em resolver a questão da água da cidade, o que parece não ser o caso. Assim, ficam repetindo o discurso onde tentam se eximir da responsabilidade e dizem que “no decorrer do dia, os locais com mais dificuldade no abastecimento podem mudar” – o tradicional “lavar as mãos” (se houver água) – “e também que essa avaliação das regiões mais afetadas é feita com base nos níveis de água dos reservatórios que abastecem essas regiões”, é o clássico transferir a responsabilidade para a população realizando os rodízios de abastecimento.
Gostaríamos de saber da gestão do Prefeito Chico Sardelli o que de efetivo seu gabinete está fazendo para resolver, solucionar, acabar com este problema crônico da falta d’água de Americana, pois a população cobra sua promessa de campanha que prometia “ÁGUA NA TORNEIRA DE TODAS AS CASAS DE AMERICANA”. O espaço está aberto para o pronunciamento do Prefeito, tanto aqui no portal, quanto na TVIN.
Também aproveito para cobrar dos Vereadores de Americana a instalação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar e apurar as responsabilidades da gestão sobre este problema da falta d’água, levando as devidas responsabilizações a quem for de direito. Também esperamos uma manifestação dos representantes do legislativo municipal.







