Cartão de crédito e juros elevados impulsionam endividamento no Brasil; aponta estudo da LCA

Cartão de crédito e juros elevados impulsionam endividamento no Brasil; aponta estudo da LCA

15 de abril de 2026 0 Por Redação Em Notícia
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Estudo aponta que uso de crédito caro, em ambiente de juros elevados, pressiona famílias e eleva inadimplência no país

O aumento da inadimplência das famílias brasileiras nos últimos anos está diretamente associado ao encarecimento do crédito e ao uso crescente de linhas mais onerosas, como cartão de crédito e crédito pessoal. É o que mostra estudo da LCA Consultoria Econômica, que analisa a evolução recente do endividamento e da capacidade de pagamento das famílias no país.

De acordo com a LCA, a inadimplência da carteira de crédito para pessoas físicas atingiu 5,2% em fevereiro de 2026, patamar próximo ao pico histórico de 5,5% registrado em 2012. A alta recente está concentrada nas dívidas com o setor financeiro, especialmente nas linhas de crédito livre, que combinam maior acessibilidade com taxas de juros mais elevadas.

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A inadimplência média dessas modalidades chegou a 6,9% no período. Dentro desse grupo, o cartão de crédito se destaca como principal vetor de deterioração: a inadimplência do rotativo alcança 64,5%, enquanto o parcelado registra 13,1%. Já o crédito pessoal apresenta inadimplência de 8,4%. Em contraste, o crédito direcionado — como financiamento imobiliário e rural — mantém níveis mais baixos, de 3,2%, ainda que com leve alta recente.

Segundo a LCA, o cenário reflete, em grande medida, o ambiente de juros elevados no Brasil, que encarece o custo do crédito e pressiona o orçamento das famílias. Esse efeito é amplificado pelo uso crescente de linhas mais caras, que exigem maior esforço financeiro para pagamento. Hoje, as famílias brasileiras já destinam mais de 9% da renda ao pagamento de juros.

“O problema da inadimplência não parece estar no tamanho do endividamento das famílias, mas na má qualidade desse endividamento, altamente alavancado em dívidas de curto prazo e taxas de juros que estão entre as mais altas do mundo”, afirma Eric Brasil, diretor da LCA e responsável pelo estudo.

Apesar do avanço recente, o nível de endividamento das famílias brasileiras ainda é relativamente baixo em comparação internacional, equivalente a cerca de 34% do PIB. Em países como Estados Unidos e Alemanha, essa proporção é de 69% e 49%, respectivamente. Para a LCA, esse contraste reforça que o principal desafio no Brasil está menos no tamanho da dívida e mais no seu custo e composição.

Bets têm impacto limitado sobre a inadimplência agregada

O estudo também analisa o papel das apostas online no orçamento das famílias e sua possível relação com o aumento da inadimplência. A conclusão é que o impacto agregado do mercado é limitado.

Em 2025, os gastos com bets legais representaram apenas 0,46% do consumo das famílias no PIB, ou R$ 37 bilhões por ano, o equivalente ao gasto com bebidas alcoólicas (R$ 40,5 bilhões), cerca de um quarto do gasto com celulares e acessórios (R$ 152 bilhões) e aproximadamente 5% das despesas com juros das famílias (R$ 696,8 bilhões).

A análise da LCA também mostra que o perfil dos apostadores difere do perfil dos inadimplentes no Brasil. Enquanto os inadimplentes representam 38,1% da população, os apostadores somam 11,8%. Entre os apostadores, há predominância masculina, ao passo que, entre os inadimplentes, há maior equilíbrio entre homens e mulheres. Além disso, mais de 74% dos apostadores têm menos de 40 anos, enquanto mais de 54% dos inadimplentes estão acima dessa faixa etária.

“Os dados indicam que as apostas podem afetar o orçamento de grupos específicos, mas não possuem escala suficiente para explicar o comportamento geral da inadimplência no país, que segue mais diretamente relacionado ao custo do crédito, ao nível de juros e à estrutura do sistema financeiro”, explica Brasil.

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