Canetas emagrecedoras: médica alerta para impactos na pele e necessidade de acompanhamento multidisciplinar
13 de fevereiro de 2026Com aumento de quase 90% no consumo em 2025, medicamentos exigem cuidado integral com a saúde. Medicina estética é aliada fundamental no processo de emagrecimento
O Brasil registrou um aumento de 88% no uso de canetas emagrecedoras em 2025, consolidando-se como o segundo maior mercado do mundo em buscas por medicamentos como Monjauro, Ozempic, Saxenda e Wegovy. O crescimento explosivo acompanha dados alarmantes: 62,6% da população brasileira está com excesso de peso, e a obesidade dobrou, atingindo 25,7% dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.
Diante desse cenário, a médica nutróloga e especialista em dermatologia estética Vanessa Penteado alerta para os efeitos colaterais visíveis do emagrecimento rápido e reforça a importância do acompanhamento médico multidisciplinar. “As canetas emagrecedoras mudaram a história do tratamento da obesidade, mas não é uma caneta estética, é um medicamento. E medicamento precisa de critério”, afirma.
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que hoje também têm indicação formal para obesidade. Elas atuam em hormônios intestinais, principalmente o GLP-1 e, em alguns casos, o GIP, que regulam a saciedade, o esvaziamento gástrico e o controle do apetite. Em termos simples, elas ajudam o cérebro a entender que o corpo já está satisfeito, reduzindo a fome e a compulsão alimentar.
“Vivemos uma verdadeira epidemia de obesidade. Essas medicações trouxeram algo que antes era raro: perda de peso significativa, sustentada e com melhora metabólica real”, destaca a especialista. Os benefícios incluem redução do peso corporal, melhora da glicemia, queda da resistência à insulina, redução do risco cardiovascular e melhora da autoestima. No entanto, a perda de peso rápida pode gerar efeitos colaterais importantes. Entre eles estão náuseas, vômitos, refluxo, constipação, perda de massa muscular (sarcopenia), flacidez facial e corporal e envelhecimento precoce da pele — fenômenos conhecidos como “Ozempic face” e “Ozempic body”.
Para Vanessa Penteado, o impacto na saúde vai além do peso. “Quando bem indicada, a caneta melhora a saúde metabólica. Quando mal indicada, ela pode trocar um problema por outro.”
Terapia regenerativa e preparação da pele
A especialista enfatiza que a medicina estética tem papel essencial nesse processo e destaca uma abordagem que vem ganhando força: a preparação regenerativa da pele antes dos tratamentos específicos. “Eu sempre falo que preciso arar, adubar, para depois plantar. É um conceito que uso muito e que tem sido amplamente discutido nos congressos de medicina estética”, explica.
Segundo a médica, a preparação da pele envolve o uso de laser e terapia regenerativa com exossomos, esperma de salmão e vitaminas. “Aramos a pele para depois plantarmos os tratamentos. Isso é fundamental, principalmente quando pensamos em condições inflamatórias como melasma e acne. Hoje sabemos cada vez mais que precisamos tratar o organismo de dentro para fora, melhorando toda a parte inflamatória, para que o paciente tenha resposta melhor no tratamento e não sofra com efeito rebote.”
Medicina oral: cuidado de dentro para fora
Vanessa Penteado ressalta ainda a importância da medicina oral como complemento aos tratamentos estéticos externos. “Tratar de dentro para fora potencializa os resultados. Quando associamos suplementação adequada e cuidado nutricional aos procedimentos dermatológicos, observamos respostas muito superiores e mais duradouras”, afirma.
Tratamentos corporais em alta
Com o aumento do uso das canetas emagrecedoras, os tratamentos de flacidez corporal estão em alta demanda. A médica aponta as principais tecnologias e protocolos utilizados: ultrassom microfocado, radiofrequência monopolar e bioestimuladores de colágeno, tanto injetáveis quanto linhas de sustentação, como o Aptos.
“Uma região que merece atenção especial é a glútea. Com o emagrecimento rápido, o bumbum cai muito rápido. Temos trabalhado com protocolos que associam bioestimulador de colágeno com preenchimento de ácido hialurônico para manter a harmonia dessa região”, explica Vanessa.
Após o emagrecimento, a pele nem sempre acompanha a perda de volume. O resultado são flacidez, queda de contorno e envelhecimento facial e corporal que impactam não apenas a aparência, mas a autoestima e a qualidade de vida do paciente. “Tecnologias e tratamentos adequados em dermatologia estética ajudam a restaurar harmonia, firmeza e autoestima. Não estamos falando de estética por estética, mas de preservar a saúde da pele como parte fundamental do tratamento”, reforça.
A médica faz um alerta importante para quem está considerando ou já utiliza o medicamento: “As canetas emagrecedoras são uma revolução no tratamento da obesidade, mas não substituem acompanhamento médico, alimentação adequada e cuidado com o corpo como um todo. O acompanhamento multidisciplinar não é um luxo, é uma necessidade”, conclui a especialista.








