Ataque de Israel ao Irã atinge assembleia dos especialistas e instalações nucleares em meio a transição de Poder
3 de março de 2026Ataques coordenados por Israel e Estados Unidos visam desarticular o processo de sucessão após a morte do Aiatolá Ali Khamenei; AIEA confirma danos estruturais em Natanz e conselho interino assume comando do país
Uma série de incursões aéreas atribuídas às forças de Israel e dos Estados Unidos atingiu, nesta terça-feira (3), o edifício da Assembleia dos Especialistas na cidade de Qom. O órgão é o corpo deliberativo responsável pela eleição do Líder Supremo da República Islâmica. A ofensiva ocorre em um momento crítico de vácuo de poder, após a confirmação da morte do Aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no último sábado em decorrência de bombardeios anteriores.
Alvos Estratégicos e Sucessão Interrompida
O ataque em Qom teria visado uma reunião de altos clérigos que buscavam definir o sucessor de Khamenei. Embora o número exato de baixas entre os 88 membros da Assembleia permaneça indeterminado, fontes de defesa israelenses confirmaram ao Times of Israel que o edifício era um alvo prioritário. Paralelamente, em Teerã, a sede principal do órgão e edifícios da Presidência e do Conselho de Segurança Nacional também foram bombardeados.
Diante da instabilidade, o Irã anunciou o início de uma transição institucional. Um conselho interino de liderança, composto pelo presidente Masoud Pezhakian, pelo chefe do Judiciário e por um jurista do Conselho dos Guardiões, exercerá o comando administrativo até que uma liderança permanente seja ratificada. Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido e apontado como potencial sucessor, teria sobrevivido à ofensiva e estaria coordenando assuntos de Estado, segundo agências locais.
Infraestrutura Nuclear e Industrial
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou danos estruturais nos edifícios de acesso da central subterrânea de enriquecimento de combustível em Natanz. Contudo, o órgão regulador da ONU informou que, até o momento, não foram detectados vazamentos radiológicos.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram comunicado informando que a campanha aérea atingiu instalações industriais destinadas à produção de mísseis balísticos em diversas províncias. No setor logístico, o Aeroporto de Mehrabad, em Teerã, foi parcialmente inativado após ataques às suas pistas e hangares.
Dimensão Humanitária e Combates Navais
A escalada do conflito resultou em severas baixas civis e danos colaterais. O governo iraniano reportou a morte de 175 pessoas, majoritariamente crianças, em um ataque a uma unidade escolar na cidade de Minab. No âmbito familiar do antigo Líder Supremo, foi confirmada a morte de sua esposa, Mansoureh Bagherzadeh, além de outros familiares próximos em ataques realizados no último final de semana.
No plano tático, o conflito expandiu-se para o domínio naval:
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Golfo Pérsico: Drones navais iranianos atingiram petroleiros, enquanto a frota dos EUA mantém bloqueio em áreas estratégicas.
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Operações Terrestres: Relatos do veículo al-Arabiya indicam a possibilidade de incursões de forças especiais israelenses em solo iraniano, caracterizando a primeira fase de operações terrestres na região.
Estratégia de Desestabilização Interna
Analistas de defesa apontam que a seleção de alvos como delegacias de polícia, centros de detenção e bases da milícia Basij (braço da Guarda Revolucionária) reflete uma estratégia coordenada para enfraquecer o aparato de segurança interna do regime. O objetivo seria neutralizar a capacidade de repressão estatal para incentivar levantes populares.
Autoridades dos EUA e de Israel classificaram a conjuntura como uma “oportunidade histórica” para a reestruturação política do país, embora organizações de direitos humanos manifestem preocupação com o risco iminente para a população civil e detentos em instalações de segurança visadas.







