Anvisa autoriza dentistas a prescreverem Mounjaro
10 de dezembro de 2025Medicamento de alto impacto metabólico, usado para obesidade e diabetes, pode ser prescrito por dentistas especializados em odontologia do sono; Especialistas alertam para riscos sistêmicos e necessidade de acompanhamento multidisciplinar
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) no tratamento da apneia obstrutiva do sono em pacientes obesos. Essa nova diretriz abriu a possibilidade de que cirurgiões-dentistas, especialmente aqueles que atuam na área de odontologia do sono, possam prescrever o fármaco.
A medida encontra respaldo na Lei nº 5.081/66, que concede aos dentistas a prerrogativa legal de indicar medicamentos relacionados à sua área de atuação. Contudo, a mudança gerou um intenso debate na classe profissional, com especialistas alertando para os riscos, responsabilidades e a possibilidade de excessos na prática clínica.
Posicionamento do CFO e Alerta de Riscos
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) reconheceu a permissão legal de prescrição, mas emitiu um alerta sobre o rigor técnico necessário. A tirzepatida é um fármaco sistêmico de alto impacto metabólico, tradicionalmente empregado no manejo de diabetes e obesidade.
O CFO reforça que a prescrição, embora permitida quando vinculada ao tratamento odontológico da apneia, não deve ser vista como uma autorização irrestrita. O profissional deve estar capacitado para avaliar o quadro geral de saúde do paciente, entender as possíveis interações medicamentosas e, preferencialmente, atuar em um contexto multidisciplinar que inclua médicos do sono, endocrinologistas e nutricionistas.
A principal preocupação dos especialistas reside nos riscos sistêmicos associados à tirzepatida, que incluem:
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Náuseas intensas, vômitos e alterações gastrointestinais.
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Perda de peso acelerada e risco de pancreatite.
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Impacto na glicemia e potencial para interações medicamentosas complexas.
Adicionalmente, os efeitos colaterais como desidratação e vômitos podem repercutir diretamente na saúde bucal, causando boca seca, erosão dentária e maior vulnerabilidade a cáries.








