Vereadores denunciam ao Ministério Público votação de Lei de Licenciamento Ambiental em Santa Bárbara d’Oeste

Vereadores denunciam ao Ministério Público votação de Lei de Licenciamento Ambiental em Santa Bárbara d’Oeste

26 de novembro de 2025 0 Por Redação Em Notícia

Parlamentares Carlos Fontes, Wilson da Engenharia e Paulo Monaro alegam que tramitação do PL nº 168/2025 desrespeitou princípios legais por ausência de audiência pública e de pareceres técnicos

A aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 168/2025, que estabelece novas regras para o licenciamento ambiental no município de Santa Bárbara d’Oeste, motivou uma denúncia formal junto ao Ministério Público (MP). Os vereadores Carlos Fontes, Wilson da Engenharia e Paulo Monaro protocolaram a representação, argumentando que o rito de aprovação na Câmara Municipal violou princípios legais e constitucionais.

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A votação ocorreu durante a 43ª Reunião Ordinária da Casa, realizada na tarde de 25 de novembro. O projeto, de autoria do Poder Executivo, foi aprovado por 14 votos a 4. Votaram contra o texto os vereadores Monaro, Fontes, Engenharia e Felipe Corá, em protesto contra o rito de tramitação.

Alegação de Vício Processual

Segundo os documentos anexados à representação, o PL foi protocolado em 12 de novembro e, em apenas 13 dias, foi levado ao plenário para votação, sem a realização de audiência pública e sem a devida apresentação de pareceres técnicos ambientais. Os vereadores classificaram o prazo como insuficiente para uma análise minuciosa.

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Na manhã da sessão, o vereador Paulo Monaro protocolou um ofício solicitando a realização de uma audiência pública para o dia 8 de dezembro, argumentando que o tema possui impacto direto na política ambiental municipal e exige a participação popular. O pedido, contudo, não foi acatado pela Mesa Diretora, e a base governista rejeitou as tentativas de adiamento da votação.

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A ausência de consulta pública e de estudos técnicos ambientais é apontada como um vício grave no processo legislativo. No ofício enviado ao MP, os parlamentares afirmam que a condução acelerada pode violar princípios como a publicidade, a motivação e a prevenção ambiental, previstos na legislação federal e na Lei Orgânica Municipal.

Histórico e Crítica da Oposição

A denúncia salienta que um projeto anterior do Executivo sobre o tema, o PL 35/2025, foi retirado de pauta por falta de audiência pública e substituído pelo PL 168/2025. O novo texto, no entanto, foi encaminhado diretamente para votação sem promover o debate comunitário necessário, o que reforça, para os vereadores, a necessidade de verificação da regularidade do procedimento por parte do Ministério Público.

O vereador Paulo Monaro classificou a condução da votação como um “abuso de poder” da presidência da Câmara, afirmando que a rejeição ao adiamento compromete a transparência do Legislativo.

O projeto aprovado define diretrizes, normas, prazos, fiscalização e taxas para o licenciamento de empreendimentos de potencial impacto ambiental local. Vereadores da oposição, no entanto, alertaram para a presença de expressões vagas — como o uso do termo “poderá” — em alguns trechos do texto, o que, segundo eles, pode gerar interpretações subjetivas e fragilizar a segurança jurídica das políticas ambientais.

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