Postos de Combustíveis da Região de Campinas têm sócios investigados na Operação Carbono Oculto

Postos de Combustíveis da Região de Campinas têm sócios investigados na Operação Carbono Oculto

8 de outubro de 2025 0 Por Redação Em Notícia
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Levantamento cruza dados da ANP com apurações do Gaeco e Ministério Público de SP, revelando que nove estabelecimentos estão ligados a indivíduos e empresas alvo por crimes tributários e lavagem de dinheiro do PCC

Ao menos nove postos de combustíveis na região de Campinas possuem em seu quadro societário pessoas físicas ou jurídicas que foram alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto. A operação investiga uma organização suspeita de cometer crimes tributários e lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A informação é resultado de um levantamento que cruzou dados dos cadastros da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com as apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo.

O Gaeco aponta os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, como líderes da organização.

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Detalhamento dos Envolvimentos

Rede Alpha e Ligações com o PCC: Três postos de combustível estão ligados à sociedade de Bruno Sato Alves Pereira, Door Participações Ltda. e Alkon Participações S. A., associadas à Rede Alpha. Os estabelecimentos incluem duas unidades em Americana (na Av. Carmine Feola e na Rua Igaratá) e uma em Santa Bárbara d’Oeste (na Av. Tiradentes), este último com bandeira Ipiranga.

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Segundo o Gaeco, Ricardo Romano, com ligações ao PCC, teria ingressado nesta sociedade. Bruno Sato também seria sócio de outro suspeito com vínculos à facção. A Ipiranga informou ter notificado a sociedade para prestar esclarecimentos e afirmou que, caso irregularidades sejam confirmadas, tomará as medidas cabíveis, reiterando seu repúdio a práticas ilícitas.

Vínculos com Mohamad Hussein Mourad (“Primo”): Outros estabelecimentos apresentam ligações diretas ou indiretas com o líder Mohamad Hussein Mourad:

  • Pedro Furtado Gouveia Neto, da GGX Global Participações S. A., que possui postos em Americana (Av. da Saudade) e Hortolândia (Rua Argolino de Moraes). A GGX é ligada a Mohamad, e Neto é citado com “vínculos aparentes na investigação”. No posto de Hortolândia, compõe a sociedade Himad Abdallah Mourad, suposto “testa de ferro” de Mohamad.
  • Um posto na Av. da Amizade, em Sumaré, tem como sócio Gustavo Nascimento de Oliveira, que, segundo o Gaeco, seria “laranja” de Mohamad por participar de empresas utilizadas nos crimes.
  • Uma unidade na Avenida Rebouças, em Sumaré, tem entre seus sócios a Latuj Participações Ltda., também ligada a Mohamad.

Outro Sócio Investigado: Dois postos têm Luiz Ernesto Franco Monegatto como sócio, um em Americana (Rua Anhanguera) e outro em Hortolândia (Av. Anhanguera). Monegatto possui sociedade em empresas suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro.

A reportagem não conseguiu localizar as defesas empresários e sociedades citados nas investigações.

Nota de Esclarecimento

A Door Participações S.A., controladora da rede de postos Alpha, e Bruno Sato Alves Pereira esclarecem que não possuem nenhum vínculo, participação ou responsabilidade nos fatos investigados pela chamada Operação Carbono Oculto.

A Door Participações reitera que:

– Todos os postos que integram a rede operam com licenças, registros e contratos regulares junto às autoridades competentes e às distribuidoras parceiras e passam pelas fiscalizações de praxe;

– Coopera integralmente com as autoridades sempre que requisitada e está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos necessários;

– A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e as boas práticas de mercado.

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