As decisões do Criador

As decisões do Criador

3 de julho de 2025 1 Por Redação Em Notícia
Vêm dos textos antigos os relatos da criação. É sempre bom relê-los e aprender com eles, perceber detalhes escondidos em leituras de outrora.
Numa leitura atenta, percebemos as decisões do Criador em relação à sua obra, principalmente ao ser humano, sua “opus magnum Dei”. Quero, neste espaço, trazer algumas reflexões sobre essas decisões.
A primeira decisão é a de criar. O relato nos informa tal decisão: “Também disse Deus: Façamos o homem…”. como um majestoso e misterioso maestro, o Criador resolveu criar. Deus é criativo. Nós podemos der repetitivos, mas Deus é criativo e resolveu criar. A origem da existência humana é fruto de uma decisão, a de criar. Isto é fé. Os textos antigos também afirmam que é pela fé que “entendemos que foi o universo formado pelo “logos” de Deus, de maneira que o invisível veio a existir das coisas que não aparecem”.
A segunda decisão, atrelada à primeira, é a de identificar. O texto antigo diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”. é a “imago Dei”, dizem os estudiosos. Da obra da criação, o ser humano é a única que recebe esta identificação. Fomos criados à imagem e semelhança do Criador. Somos dotados de inteligência, temos consciência de nós mesmos, diferente das demais criaturas.
A terceira decisão do Criador foi a de delegar. O texto antigo diz: “…tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”. É o mandato cultural que recebemos. Recebemos uma delegação, uma missão. A missão de cuidar, preservar, de agir com liderança e responsabilidade na sustentabilidade de toda obra da criação. Sabemos que este mandato sofreu as consequências do distanciamento do homem de seu Criador, relatado também nos textos antigos. Nossa capacidade de atuar com excelência foi tremendamente afetada e até hoje sofremos as consequências deste distanciamento.
A quarta decisão do Criador foi de abençoar. “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a…”. o Criador é sábio e bom. Seu gesto final é de abençoar. Ele cria. Ele identifica. Ele delega. Mas, sobretudo, Ele abençoa. As palavras que saem de sua boca são abençoadoras. Só o ser humano foi alvo desta palavra de bênção. Que privilégio. Que responsabilidade!
A “opus magnum Dei” ainda seria objeto do grande amor do Criador, quando, após o distanciamento escolhido pelo homem, Ele já promete o envio do Redentor. Esta é uma outra decisão. A mais importante e reconfortante. A decisão capaz de nos redimir e reaproximar do Criador. A decisão capaz de produzir uma nova humanidade, um novo homem, com a “imago Dei” restaurada em nós.
É isso!
Reverendo Ailton Gonçalves Dias Filho, Pastor Presbiteriano e Professor da Universidade Mackenzie
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