A dor que não tem palavras

A dor que não tem palavras

28 de fevereiro de 2022 0 Por Carolina Vila Nova

Nesta vida experimentamos vários tipos de dores. Dores que a vida trás e outras que a gente mesmo planta. Tem a dor da perda, da rejeição, da solidão, da humilhação. Momentos que doem: a saudade, a falta de amor, a incompreensão e também o perder-se de si mesmo.

Eu já vivi a perda de amores. A dor dos amigos que se foram. A distância de quem se amou. Por anos a solidão e a incompreensão. Também entendi o que é a dor do preconceito. Parte da vida marcada pela não aceitação.

Para cada fase, uma dor. As dores da infância eternizadas no subconsciente, as da adolescência e as do confronto com a vida adulta. Eu penso que a vida é um eterno sofrer, pois a mesma nos ensina pela dor. Maneira injusta de se aprender as lições. Com lágrimas e dores, que muitas vezes refletem no corpo, marcam a alma e datam os momentos cruciais de cada história.

Eu temo o sofrer. Receio os sofrimentos que ainda virão, porque não existe vida ou caminho livre de dores. Cabe a cada um, plantar o bem, para se evitar colher o mal. Mas às vezes ocorre o que não se explica. O que não se justifica. Aquilo que ninguém compreende.

Crianças sem pais, pessoas carentes sem amor, velhos solitários. Para quase tudo existe uma palavra. Crianças órfãs, viúvos, estrangeiros, os traídos. Para cada dor, parece haver um nome que se descreve.

Mas hoje uma dor que não é minha me chamou a atenção. A vida levou embora um jovem de vinte e dois anos. Um jovem que eu conheci e levei para brincar algumas vezes. Ele se foi. De forma injusta, a deixar sua mãe com a maior dor de todas. Aquela que nem nome tem.

Um pai ou uma mãe, que perde um filho, não é órfão e nem viúvo. Leva uma dor sem tamanho, sem peso, injusta, longa e sem nome. A dor mais temida. A mais intensa. Não posso imaginar o quão presente ela se faz. O que ela ensina. Se tem propósitos … Que Deus conceda seu colo a todos que a vivenciam.

O meu mais sincero respeito e sentimento. O desejo de que a vida ou a morte lhe traga o consolo com alguma resposta. Da perda que jamais deveria acontecer. O que por natureza deveria ser proibido, mas que nos foge ao controle e qualquer entendimento.

Que Deus seja a palavra e a resposta. O amor que um dia irá compensar o que em nada parece justo.

Para a dor que não nenhuma palavra define, o meu mais sincero e respeitoso silêncio.

Carolina Vila Nova