Empresas distribuem mais de R$ 150 milhões em comissões
3 de agosto de 2026Através de agências igual a COMU, empresas como a Maxfem se conectam com afiliados no Tiktok Shop Brasil
A expansão do comércio pelas redes sociais começa a produzir uma nova categoria de profissionais no Brasil. São criadores de conteúdo que transformam vídeos, transmissões ao vivo e recomendações de produtos em uma fonte de receita baseada em resultados.
Nesse cenário, a Maxfem, marca brasileira voltada ao segmento de bem-estar feminino, e a COMU, ecossistema especializado na formação e gestão de criadores, passaram a ocupar uma posição de destaque no TikTok Shop.
Segundo informações apresentadas pelas empresas, o ecossistema de marcas e afiliados administrado pela operação já teria distribuído mais de R$ 150 milhões em comissões. O valor considera a remuneração destinada aos criadores responsáveis por gerar vendas por meio de conteúdos publicados nas plataformas. O montante, no entanto, não foi submetido a auditoria independente.
O modelo é relativamente simples. O criador seleciona um produto disponível no programa de afiliados, produz um vídeo ou realiza uma transmissão ao vivo e recebe uma porcentagem quando a publicação resulta em uma venda válida. No TikTok Shop, a remuneração dos afiliados é calculada a partir do valor bruto qualificado das mercadorias atribuídas aos conteúdos publicados.
A diferença em relação à publicidade tradicional está no fato de que o criador não depende necessariamente de um contrato fixo com a marca. Também não precisa comprar estoque, organizar entregas ou desenvolver um produto próprio. A remuneração está diretamente relacionada à capacidade de produzir conteúdo, alcançar o público e gerar conversões.
Maxfem transformou afiliados em canal de distribuição
A Maxfem ingressou no TikTok Shop com uma estratégia baseada em conteúdo nativo, transmissões ao vivo e participação de afiliados. Um estudo de caso publicado pelo próprio TikTok for Business informa que a empresa adotou comissões de 20% em seus produtos como forma de atrair criadores e ampliar a distribuição dos conteúdos.
De acordo com o levantamento, o TikTok Shop chegou a representar 78% das vendas da Maxfem na BlackFriday de 2025. A empresa também registrou redução de 40% no custo por aquisição e faturamento 170% superior à meta inicialmente definida para o canal.
A estratégia mostra como pequenas e médias marcas podem substituir parte da dependência de campanhas publicitárias convencionais por uma rede descentralizada de vendedores digitais. Em vez de concentrar o investimento em poucas personalidades conhecidas, o modelo permite que centenas ou milhares de criadores testem diferentes formatos, discursos e públicos.
O resultado de cada participante, entretanto, pode variar significativamente. Número de seguidores, frequência de publicação, capacidade de comunicação, escolha dos produtos, índices de devolução e alterações nas regras das plataformas influenciam diretamente a remuneração. O modelo de atuação, portanto, não representa garantia de renda.
COMU profissionaliza a atividade dos criadores
COMU atua como intermediária entre empresas, produtos e produtores de conteúdo. A organização se apresenta como uma das principais agências de TikTok Shop do país e informa reunir aproximadamente 10 mil criadores em sua comunidade, com treinamentos, mentorias, acesso a amostras e campanhas de marcas.
Publicações da empresa indicam que sua operação ultrapassou R$ 1 bilhão em vendas para marcas e passou a administrar centenas de empresas e milhares de criadores. Esses números são divulgados pela própria organização e devem ser interpretados como dados institucionais.
A função da agência não se limita a aproximar influenciadores e anunciantes. A estrutura inclui análise de desempenho, seleção de produtos, orientação sobre conteúdos, relacionamento com marcas e acompanhamento das regras comerciais da plataforma.
O trabalho também contribui para a profissionalização de uma atividade que, durante muitos anos, esteve associada apenas a influenciadores com grandes audiências. No comércio por conteúdo, perfis menores podem alcançar resultados relevantes quando conseguem demonstrar produtos de forma convincente e estabelecer uma relação de confiança com o público.
Uma possível mudança na renda das famílias
Para parte dos participantes, as comissões podem representar apenas um complemento de renda. Para outros, a atividade pode evoluir para uma ocupação principal, especialmente quando existe regularidade nas vendas.
O impacto pode ser mais significativo entre pessoas que precisam trabalhar de casa, moradores de cidades com poucas oportunidades formais, mães responsáveis pelos cuidados dos filhos e jovens que já possuem familiaridade com a produção de vídeos.
A entrada nesse mercado exige poucos recursos materiais quando comparada à abertura de um negócio tradicional. Um telefone celular, acesso à internet e capacidade de produzir conteúdo podem ser suficientes para iniciar os testes. Essa acessibilidade, no entanto, não elimina a necessidade de planejamento, transparência publicitária, educação financeira e cumprimento das regras de cada plataforma.
O crescimento do setor acompanha uma mudança mais ampla no comportamento de consumo. Lançado no Brasil em maio de 2025, o TikTok Shop integrou descoberta, conteúdo, pagamento e venda dentro do mesmo ambiente digital. Nos primeiros cinco meses da operação brasileira, o volume médio diário de mercadorias vendido por transmissões ao vivo cresceu 21 vezes, segundo informações da plataforma divulgadas pela imprensa.
Próxima etapa será a Shopee
Após a consolidação da operação no TikTok Shop, Maxfem e COMU informam que estão ampliando a estratégia para a Shopee. O objetivo é aplicar a experiência adquirida com vídeos, criadores e vendas por indicação em um marketplace já estabelecido entre os consumidores brasileiros.
A Shopee mantém um programa próprio de afiliados. Nele, os participantes selecionam produtos, criam links personalizados e recebem comissões pelas compras atribuídas às suas recomendações.
Website: https://maxfem.com.br/




