20/02: Dia nacional de combate às drogas e ao alcoolismo alerta para um problema de saúde pública no Brasil
19 de fevereiro de 2026Especialistas alertam: por trás do consumo, muitas vezes há sofrimento emocional e contextos de vulnerabilidade
O consumo de álcool e outras drogas no Brasil segue como um desafio de saúde pública e social, com impactos que vão muito além de uma escolha individual. Relatórios de 2025, com base no 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), indicam que mais de 11,7 milhões de brasileiros vivem com transtorno por uso de álcool. O levantamento também mostra que a experimentação começa cedo: cerca de 56% da população relatou ter consumido bebidas alcoólicas antes dos 18 anos, ainda na adolescência.
Entre os jovens, o uso de substâncias ilícitas também preocupa. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que aproximadamente 7,4% já fizeram uso desse tipo de substância, reforçando que o fenômeno atravessa diferentes faixas etárias e contextos sociais.
Para especialistas, esses números evidenciam não apenas a dimensão do problema, mas também a necessidade de olhar para além da substância. Muitas vezes, o consumo está associado a sofrimento emocional profundo, vulnerabilidade e tentativas de lidar com dores internas que nem sempre são visíveis.
A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, alerta que reduzir o tema à falta de força de vontade é um erro comum e perigoso. “Muitas vezes, a substância aparece como uma forma de anestesia emocional temporária”, afirma. Segundo ela, o uso pode surgir como tentativa de aliviar ansiedade, solidão, exaustão ou experiências traumáticas, especialmente em cenários onde faltam suporte e rede de apoio.
Mariana também destaca que fatores culturais e sociais exercem forte influência. “O álcool, em alguns contextos, vira um mediador para lidar com inseguranças e pressões sociais, como se fosse necessário para relaxar ou pertencer”, pontua.
O professor de Psiquiatria da Afya Goiânia, Luís Carlos Bochenek, reforça que a dependência deve ser compreendida como um transtorno de saúde mental multifatorial. “A dependência química não é fraqueza. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as chances de recuperação e de reconstrução de vínculos”, destaca.
Bochenek explica que é comum que álcool e drogas sejam usados como tentativa de aliviar sintomas psíquicos difíceis até de nomear. “A substância aparece como um alívio imediato, mas pode abrir caminho para um quadro de dependência”, alerta.
Para os especialistas, o enfrentamento mais eficaz passa por uma abordagem humana e ampla, que não foque apenas na substância, mas também no que está por trás dela: emoções, história de vida, ambiente social e acesso ao cuidado.
10 Orientações dos especialistas de cuidado para usuários e familiares
- Reconheça o que está por trás do impulso Antes de focar na substância, pergunte: o que estou tentando aliviar agora?
- Busque apoio antes que vire isolamento O uso problemático costuma crescer no silêncio. Conversar pode ser o primeiro passo.
- Observe padrões, não episódios Perceba quando acontece: após dias difíceis? para dormir? em situações sociais?
- Reduza o julgamento e aumente a escuta Evite “é só parar”. Troque por: “como você tem se sentido?”
- Fortaleça pequenas redes de cuidado Um contato de confiança ou espaço seguro já faz diferença.
- Procure alternativas de regulação emocional Respiração, caminhada, escrita, terapia, música e pausas reais ajudam.
- Não espere para buscar ajuda Psicoterapia, CAPS AD e grupos de apoio são caminhos possíveis.
- Entenda que recaídas fazem parte de processos complexos Mudança não é linear. O importante é manter acompanhamento.
- Cuide da exaustão e do excesso de cobrança Rotinas sem descanso aumentam a a vulnerabilidade emocional.
- Saiba onde buscar suporte profissional gratuito O Sistema Único de Saúde(SUS) oferece atendimento especializado, como os CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD).








