Síndrome  de Burnout: uma doença que assola cada vez mais a classe trabalhadora

Síndrome de Burnout: uma doença que assola cada vez mais a classe trabalhadora

21 de março de 2022 0 Por Cícero Mangabeira

A Síndrome de Burnout é uma doença psíquica relacionada diretamente ao trabalho e que vem afetando cada vez mais a classe trabalhadora, tendo sido acentuada durante a pandemia do Covid-19. Por ser uma doença ocupacional, está relacionada a acidente de trabalho. Como toda doença ocupacional incapacitante, recebido o diagnóstico, o trabalhador deverá ser afastado de suas atividades profissionais. 

A partir de 01 de janeiro deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou uma nova classificação para a Síndrome de Burnout. A classificação para esse transtorno será CID 11, e passou a ser considerada doença decorrente do trabalho a ser tratada de forma diferente.

Por se tratar de uma doença ocupacional, o departamento de Recursos Humanos da empresa deverá emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), tal como prevê a Lei 8.213/1991 – Artigo 19. Caso o trabalhador permaneça afastado por mais de 15 dias, será garantida a estabilidade no emprego por 12 meses a partir da alta médica.

Vale salientar que a Síndrome de Burnout diferencia de outras doenças psiquiátricas,  como a depressão e o estresse,  a seguir definidas:

  • A Síndorme de Burnout é decorrente de estresse crônico e necessariamente tem relação com ambiente de trabalho;
  • A Depressão é uma doença psiquiátrica crônica, que afeta pessoas de todas as idades;
  • O Estresse é uma reação fisiológica do corpo a circunstâncias que exigem ajustes comportamentais.

Segundo o ministério da saúde (gov.br/saúde/pt-br) essa doença é definida da seguinte forma:

Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. 

A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, bancários, dentre outros.

A Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir.

Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.

Principais sintomas da Síndrome de Burnout:

  • Envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos, cansaço excessivo e tonturas.
  • Estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o início da doença.  
  • Cansaço excessivo, físico e mental.
  • Dor de cabeça frequente.
  • Alterações no apetite.
  • Insônia.
  • Dificuldades de concentração.
  • Sentimentos de fracasso e insegurança.
  • Negatividade constante.
  • Sentimentos de derrota e desesperança.
  • Sentimentos de incompetência. 
  • Alterações repentinas de humor.
  • Necessidade de isolamento social e afastamento do ambiente de trabalho.

Normalmente esses sintomas surgem de forma leve, mas tendem a piorar com o passar dos dias. Por essa razão, muitas pessoas acham que pode ser algo passageiro. Para evitar problemas mais sérios e agravamento da doença, é fundamental buscar apoio profissional assim que notar qualquer sinal.

Forma de diagnóstico:

Para o diagnóstico da Síndrome de Burnout, é necessário passar por avalição de médicos especialistas, no caso, o psiquiatra e o psicólogo, que irão identificar essa possível doença e orientar a melhor forma do tratamento, conforme cada caso.

Muitas pessoas não buscam ajuda médica por não saberem ou não conseguirem identificar todos os sintomas e, por muitas vezes, acabam negligenciando a situação sem saber que algo mais sério pode estar acontecendo.

Amigos próximos e familiares podem ser bons pilares no início, ajudando a pessoa a reconhecer sinais de que precisa de ajuda. 

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até o tratamento medicamentoso.

Os Centros de Atenção Psicossocial, um dos serviços que compõe a RAPS, são os locais mais indicados.

Tratamento para Síndrome de Burnout:

O tratamento da Síndrome de Burnout é feito basicamente com psicoterapia, mas também pode envolver medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos).

O tratamento normalmente surte efeito entre um e três meses, mas pode perdurar por mais tempo, conforme cada caso.

Mudanças nas condições de trabalho e, principalmente, mudanças nos hábitos e estilos de vida são fatores imprescindíveis para uma melhora no quadro.

Após diagnóstico médico, é fortemente recomendado que a pessoa tire férias e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas – amigos, familiares, cônjuges etc.

SINAIS DE PIORA:  Os sinais de piora do Síndrome de Burnout surgem quando a pessoa não segue o tratamento adequado.

Nos casos mais graves, a pessoa pode desenvolver uma depressão, que muitas vezes pode ser indicativo de internação para avaliação detalhada e possíveis intervenções médicas.

Formas de prevenção:

A melhor forma de prevenir a Síndrome de Burnout são estratégicas que diminuam o estresse e a pressão no trabalho. Condutas saudáveis evitam o desenvolvimento da doença, assim como ajudam a tratar sinais e sintomas logo no início.

As principais formas de prevenir a Síndrome de Burnout são:

  • Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal.
  • Participe de atividades de lazer com amigos e familiares.
  • Faça atividades que “fujam” à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema.
  • Evite o contato com pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros.
  • Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo.
  • Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo, natação, leitura de um livro, assistir a um filme, etc.
  • Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental.
  • Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica.

Por fim, devo ressaltar a importância do debate deste tema e os cuidados que devem ser tomados. Muitas pessoas estão sofrendo em silêncio. É necessário que departamento de Recursos Humanos da empresa busque realizar palestras aos seus colaboradores para que sejam alertados da busca de tratamento e até mesmo comunicar a empresa de eventuais sentimentos de fadiga e desânimo. Também, é preciso que este assunto seja cada vez mais abordado para que pessoas que estejam sofrendo deste mal venham a ter tratamento o mais rápido possível para que essa doença não venha agravar e afetar de forma prolongada a qualidade de vida e a saúde.