Pessoas obesas encontram dificuldade para conseguir emprego?

Pessoas obesas encontram dificuldade para conseguir emprego?

26 de setembro de 2021 0 Por Cícero Mangabeira

Segundo pesquisa do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (dados obtidos do site www.gov.br), a  proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade cresceu mais que dobro no país entre 2003 e 2019, passando de 12,2% para 26,8%. Neste período, a obesidade feminina subiu de 14,5% para 30,2%, enquanto a obesidade masculina passou de 9,6% para 22,8%.

Os dados são do segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A amostragem da pesquisa envolveu 108 mil domicílios no Brasil.

Outro dado mostra que, em 2019, uma em cada quatro pessoas com 18 ou mais anos de idade no Brasil estava obesa, o equivalente a 41 milhões de pessoas. Já o excesso de peso atingia 60,3% da população de 18 anos ou mais de idade, o que corresponde a 96 milhões de pessoas, sendo 62,6% das mulheres e 57,5% dos homens.

A prevalência de excesso de peso aumenta com a idade e ultrapassa os 50% na faixa etária de 25 a 39 anos de idade. Nesta faixa, a proporção de sobrepeso é um pouco mais elevada no sexo masculino (58,3%) do que no feminino (57,0%). No entanto, nos demais grupos etários, os percentuais de excesso de peso eram maiores entre as mulheres.

É considerado como excesso de peso o índice de massa corporal (IMC) maior do que 25. A pessoa obesa, por sua vez, é assim classificada por possuir IMC maior do que 30. O IMC é calculado pelo peso do indivíduo em quilogramas dividido pelo quadrado de sua altura em metros.

De acordo com a responsável pela pesquisa, a técnica do IBGE Flávia Vinhaes, para melhorar esse cenário é preciso ampliar as políticas voltadas para a prevenção e combate à obesidade. “Faltam políticas públicas estruturadas de combate à obesidade e ao excesso de peso, como o incentivo à ingestão de alimentos saudáveis e à prática esportiva”, avaliou.

O tema que irei abordar aqui diz respeito a dificuldade com relação a obesidade e o mercado de trabalho. As pessoas com sobre sobrepeso enfrentam cotidianamente não só o desafio diante de possíveis malefícios na saúde, mas também o preconceito e barreiras encontradas na busca por uma vaga ou uma recolocação no mercado de trabalho.

No mercado de trabalho, além das exigências habituais como saber um segundo idioma, cursos de especialização, experiência e valores… podemos observar o padrão estético entrando na conta, configurando uma vantagem ser uma pessoa magra para aqueles que concorrem à vaga. Acredito que essa forma de preconceito está totalmente errônea, uma vez que a capacidade de agregar à empresa novas ideias, competências que podem ser oferecidas, podem ser trabalhadas paralelamente com a implantação de programas de qualidade corporativa e campanhas no tratamento da obesidade, entre outros.  O sobrepeso não tem relação com a capacidade de desenvolvimento cognitivo e mercadológico, e sim   um caso de saúde pública; sendo um problema a ser tratado e trabalhado, e não com imposição de barreiras para quem sofre com esse mal que aflige as pessoas em todo mundo.

Gostaria de acrescentar que sou um dos autores do primeiro livro no Brasil de propostas efetivas de Qualidade de Vida, intitulado “Qualidade de Vida em Propostas de Intervenção Corporativa”. Foi lançado no ano de 2007 pela Editora Ipes – ISBN: 978-85-98189-24-6. Este livro apresenta trabalhos realizados através do mapeamento dos problemas ocorridos nas empresas e apresenta através da implantação de programas de qualidade de vida a serem implantados, soluções que possam sanar tais problemas; sempre de acordo com as necessidades coletivas verificadas por cada empresa. Meu trabalho neste livro começa a partir da página 45 deste livro. No entanto, oriento a ler todas as propostas, pois os colegas também apresentaram trabalhos maravilhosos acerca deste tema.

Em pesquisa realizada pelo site de emprego Catho (dados extraídos do site: www.exame.com), profissionais em cargos de alta gerência foram questionados acerca do tema. Dos 16 mil entrevistados, 59,1% admitiram ter algum tipo de objeção na hora de contratar funcionários obesos. Os candidatos com “quilinhos a mais” só perdem para quem trocou muito de emprego nos últimos anos (83,0%) e para os fumantes (81,9%).

Ainda segundo o site, além de sair em desvantagem na seleção, pessoas com sobrepeso também ganham menos. Cada ponto a mais no Índice de Massa Corporal (IMC), que determina o equilíbrio entre peso e altura, representa R$ 92 a menos no salário, em comparação com os colegas mais magros. “Talvez as empresas considerem que pessoas com  excesso de peso ou obesidade tendem a faltar mais ao trabalho por questão de saúde, o que ocasionaria a diferença de salário”, diz o gerente de atendimento da Catho Online Lucio Tezotto.

Diante da pesquisa acima citada, fica claro a falta de visão de alguns profissionais com relação a captação de profissionais para sua empresa, ou a empresa para a qual trabalha e é responsável pela captação. É necessário enxergar de uma forma mais racional e ampla. Se a pessoa é obesa; poderá a vir a ter o corpo e peso ideal para sua altura e sua saúde. É importante lembrar também que nem todo sobrepeso implica necessariamente em problemas de saúde significativos.

De qualquer modo, é intolerável que haja este tipo de preconceito, que como já citei, não guarda relação alguma com a capacidade cognitiva e competências do indivíduo. O profissional deverá ser visto pelo que ele poderá agregar à empresa com relação ao mercado, sua missão e  seus valores.