O prestígio e a celebração da arte de fazer jogos

O prestígio e a celebração da arte de fazer jogos

18 de janeiro de 2022 0 Por Alan Henrique Pardo de Carvalho

Todo e qualquer tipo de indústria popular o suficiente no mainstream tem as suas várias cerimônias de premiação. O Cinema tem o Oscar, a Música tem o Grammy, a Televisão tem o Emmy e assim por diante, somente para listar alguns exemplos. 

Esses eventos solidificam a posição dessas indústrias como gigantes do entretenimento e da cultura no mundo todo, atraindo novas pessoas que possam se interessar nisso tanto pelo ponto de vista de consumidoras, quanto de aspirantes criadores de suas próprias obras no futuro.  

E quanto aos games, eles têm os seus próprios award shows? Sim, e os mesmos continuam tornando-se cada vez maiores a cada ano, espelhando o crescimento do reconhecimento dos jogos e indo bem além daquele antigo preconceito que era um nicho somente para “nerds tímidos”. Por mais que não tenham (ainda) o tamanho das cerimônias citadas anteriormente, eles não deixam de serem verdadeiros espetáculos que celebram a arte de criar jogos e amá-los, prestigiando grandes nomes já consagrados nesse mundo, mas também sem deixar de reconhecer os novos talentos que mais fizeram barulho no ano, provando novamente a força do cenário indie. 

Desses eventos, o maior e mais famoso deles é certamente o The Game Awards, que acontece todo ano em dezembro. A live, que costuma chegar a quase 4 horas de duração, acontece em um grande palco iluminado em Los Angeles, apresentado por Geoff Keighley, um jornalista de games canadense, que teve a vontade de criar algo que ficasse conhecido como “o Oscar dos videogames”. O TGA pode não ser exatamente isso em termos de tamanho, mas certamente é aquele que chega mais perto, com vários patrocinadores apoiando o show, música ao vivo nos intervalos entre categorias (e de grandes nomes, como Imagine Dragons, que apareceram na edição mais recente) e conversas com desenvolvedores, que costumam trazer trailers e teasers para seus mais novos projetos.  

O ambiente é também bem receptivo a desenvolvedores pequenos, como aconteceu na edição de 2020, na qual o jogo indie Hades, da Super Giant, foi indicado para diversas categorias, incluindo a de “Jogo do Ano”. O mesmo aconteceu com Celeste, do estúdio independente Matt Makes Games, no ano de 2018. É importante ressaltar que esse último jogo teve a participação do estúdio paulistano Miniboss em seu desenvolvimento. 

No Brasil não podemos nos esquecer do Festival de Jogos do SBGames, que em 2021 chegou à sua vigésima edição e que possui categorias para jogos desenvolvidos tanto por estudantes como por profissionais independentes e estúdios, e do BIG Festival, considerado o mais importante festival de jogos digitais da América Latina e que conta com concorrentes dos EUA, Europa e Ásia, além de jogos brasileiros e de outros países latinoamericanos. 

Por fim, como uma prova ainda mais contundente da presença crescente dos games na sociedade, o Hugo Awards, consagrado prêmio de obras de ficção científica que existe desde 1953, criou em 2021 a categoria de “Melhor Video Game”, na qual o jogo Hades acabou levando a melhor dessa vez, indo contra outros gigantes igualmente interessantes, como The Last of Us: Part II e Final Fantasy VII Remake

O cenário a princípio pode parecer intimidador com tantos nomes de peso como Sony, Microsoft e Nintendo, sempre aparecendo e recebendo grande parte da atenção na maioria das vezes. Mas é possível crescer por conta própria também, seguir os seus próprios sonhos e desenvolver os projetos que você quer. Basta começar. Não vai ser fácil e mesmo que chegar ao patamar de “Jogo do Ano” possa ser uma meta inatingível, não se pode deixar de lado o fato de que cada novo jogo criado traz uma nova experiência, que tem o potencial de fazer uma diferença positiva na vida das pessoas e muitas vezes de maneiras que sequer imaginamos. Parafraseando Lao Tsé, não se esqueça de que uma grande jornada começa com o primeiro passo.