Game jam:  por que você deveria participar de uma

Game jam:  por que você deveria participar de uma

30 de novembro de 2021 0 Por Alan Henrique Pardo de Carvalho

*Por Alan Carvalho, coordenador do curso de Jogos Digitais da Faculdade Impacta

Muitas pessoas que se interessam em aprender sobre o desenvolvimento de jogos pedem dicas. E, realmente, há várias recomendações a serem compartilhadas. Mas sem dúvidas, participar de uma game jam é uma das que merecem muita atenção. É mais ou menos como aquela ideia de “você precisa visitar essa cidade pelo menos uma vez na sua vida”.

Porém, o que seria uma game jam?

É possível que você já tenha ouvido falar, visto ou até participado de uma jam session. Esta é quando músicos se reúnem e começam a tocar sem ensaio, solos improvisados ou mesmo músicas bem conhecidas. As bandas também usam jams para experimentar, estimular sua criatividade e não são raras jams sessions que resultam em novas músicas.

Esse conceito perpassou o setor musical e foi levado para o mundo do desenvolvimento de games por meio do que passou a ser conhecido como game jam, ou seja, um evento no qual gamedevs (desenvolvedores de jogos) formam equipes na hora, ou já entram com suas equipes e tem como objetivo a criação de games.

Os participantes são, geralmente, conhecidos como jammers. A primeira game jam que se tem notícia foi a 0th Indie Game Jam, que aconteceu em março de 2002 a partir da iniciativa de dois desenvolvedores para incentivar a inovação e a experimentação na indústria de jogos.

Atualmente, há vários tipos de game jams e elas são realizadas durante o ano inteiro, seja em formato presencial, online ou híbrido. Uma game jam presencial conta com um local definido, como uma faculdade, casa de algum amigo ou, até mesmo, dentro de um trem, como é o caso da Train Jam, cuja duração é de 52 horas em uma viagem entre Chicago e San Francisco, que antecede o grande evento anual, o Game Developers Conference (GDC, sigla em inglês).

Se for no formato online, cada jammer desenvolve de onde quiser e todos se comunicam pela própria Internet, muitas vezes usando um servidor do Discord. Já em uma game jam híbrida, podem ter tanto jammers no local físico previamente definido quanto fora dali, todos conectados pela web.

Em 2020 e 2021, em função da pandemia, as game jams têm sido realizadas online e existe uma grande expectativa de que, em 2022, possamos ter novamente eventos presenciais e híbridos.

Vários tipos de jogos podem ser criados em um evento como esse, inclusive jogos de mesa, como os de tabuleiro ou de cartas, por exemplo, e a experimentação é uma de suas características.

Outro ponto importante é que, normalmente, os jogos que serão desenvolvidos precisam respeitar um tema, que costuma ser informado apenas no início da jam. O que faz com que imagens e áudio precisem ser realmente criados durante o evento, enquanto o jogo está sendo desenvolvido. Trazendo, assim, uma dinâmica muito interessante a uma game jam.

A game jam costuma ter uma duração curta, com os jogos sendo desenvolvidos em dois ou três dias, o que é muito interessante, pois traz a oportunidade dos jammers exercitarem habilidades muito relevantes, como administrar o tempo, lidar com pressões e definir muito bem o escopo do jogo. Até porque, se eles forem tentar desenvolver algo de grande complexidade, é bem provável que terminem a jam, mas não consigam entregar um jogo completo.

Saber trabalhar em equipe é outra habilidade de grande relevância nesse setor. Por isso, participar de game jams pode contribuir — e muito — para quem deseja desenvolver competências no ramo. Como o tempo geralmente é curto, o trabalho coletivo torna-se essencial, com as equipes sendo formadas por jammers de diferentes perfis e talentos. Alguns exemplos são programadores, ilustradores, sound designers, compositores, game designers, produtores e assim por diante.

É comum que algumas dessas funções sejam desempenhadas por mais de uma pessoa, mas não há dúvida de que desenvolver um jogo em uma equipe será uma experiência muito mais interessante do que realizar tudo sozinho.

Agora, falando sobre as equipes, elas podem começar com jam já constituídas ou serem formadas no início do evento. É comum que jammers cheguem no início da game jam sem fazer parte de uma equipe, mas logo encontrem uma em que possam colaborar.

Assim, conhecendo novas pessoas com quem podem desenvolver outros projetos ou até mesmo fazer amizades duradouras. Game jams são eventos bem acolhedores, principalmente as que não são competitivas.

Diferente de muitos hackathons, que possuem um viés mais competitivo, essa é outra característica das game jams cooperativas. O que facilita muito a interação entre as equipes. Algumas delas permitem até mesmo que um jammer participe de mais de uma equipe. Por outro lado, dependendo das motivações de cada um, as mais competitivas podem ser mais atraentes.

Pode ser que alguém esteja se perguntando: qual o nível de conhecimento ou experiência que são necessárias para participar de algo tão dinâmico como uma game jam?

No caso de uma game jam competitiva, em que haverá algum tipo de prêmio para o melhor jogo, será mais difícil encontrar jammers sem conhecimento ou experiência, assim como uma dinâmica mais interativa entre equipes. Algumas bastante conhecidas são a Game Jam+, organizada por brasileiros, e a Ludum Dare.

Por outro lado, em uma game jam não competitiva, como a Women Game Jam ou a Global Game Jam, todos que têm interesse em desenvolver jogos são bem-vindos, desde entusiastas, estudantes e profissionais.

Há várias formas de contribuir no desenvolvimento de um jogo sem que seja necessário dominar ferramentas ou linguagens. Pessoalmente, conheço pessoas com absolutamente nenhum conhecimento em desenvolvimento de jogos que participaram de uma game jam e foi uma ótima primeira experiência.

Então, se você tem interesse no desenvolvimento de jogos, encontre uma game jam da qual possa participar, procure saber os detalhes a seu respeito e inscreva-se. Além das que eu citei, vários outros eventos podem ser encontrados no site itch.io. Garanto que será uma grande oportunidade de se divertir, conhecer pessoas, aprender e ainda terminar a maratona com um jogo desenvolvido, que ainda poderá ser utilizado para fortalecer o seu portfólio.

Alan Carvalho é Mestre em Tecnologia, Professor e Coordenador do Curso de Jogos Digitais da Faculdade Impacta.