Como o streaming e o futuro dos games se relacionam

Como o streaming e o futuro dos games se relacionam

7 de dezembro de 2021 0 Por Alan Henrique Pardo de Carvalho

*por Alan Carvalho, coordenador e professor do curso de Jogos Digitais da Faculdade Impacta

Muitos podem não saber, mas de uns tempos para cá uma nova possibilidade surgiu no mercado dos games com a chegada dos streamings de jogos. A grande aposta mais recente se deu a partir do último novembro, em que uma das mais populares plataformas do segmento, a Netflix, passou a oferecer a função para smartphones com Android.

O serviço funciona como se fosse uma nova loja de aplicativos, porém com diversos jogos gratuitos disponíveis para os assinantes. Diferente das séries e filmes, é preciso baixar o que se deseja jogar para iniciar a experiência de ter tudo em um só lugar.

Esta oferta está ligada à mudança de hábitos e rotinas causada pela pandemia. Com ela, o consumo de jogos foi impulsionado. De acordo com pesquisas da 123scommesse, o setor teve um salto em 2020, aumentando 78% em relação ao ano anterior e atingindo quase 30 milhões de horas de jogos.

Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB), atualmente 72% dos brasileiros de todas as idades, gêneros e classes sociais consomem jogos digitais e isso pode representar um grande potencial de crescimento para esses serviços de streaming, com a tecnologia evoluindo, reinventando a si e encontrando novos caminhos para fornecer comodidade e acesso para o público.

Da mesma forma, longe de ser uma ameaça para os desenvolvedores de jogos, esse novo modelo chegou para se consolidar como mais um canal de distribuição e não como algo que venha a se tornar hegemônico. Esta é apenas mais uma das opções de consumo.

Sobre o crescimento do streaming de jogos, é possível que mantenha uma curva ascendente, mas que vai depender das condições de acesso à Internet e dos títulos que estiverem disponíveis para os jogadores nas plataformas. Não se pode dizer que outros modos de distribuição vão desaparecer.

Como em qualquer outro mercado, o público pode ser bem seletivo. Hoje, por exemplo, temos diversas plataformas de streaming no mercado coexistindo livremente. Da mesma forma, não é por isso que os cinemas acabaram. Tudo tem a ver com a experiência e o tipo de conteúdo que a pessoa deseja consumir.

Outro ponto importante é que, pelo menos a Netflix Games, ainda tem muito o que melhorar e desenvolver. Por enquanto, o catálogo ainda não é o dos mais ricos e só é possível jogar por meio do celular Android. Por isso mesmo, é importante mencionar as várias possibilidades de escolha na hora de discutir sobre o futuro dos jogos.

Além disso, o mundo dos games é muito vasto para se limitar a um único serviço de streaming. Existem jogos de realidade aumentada, de sensor de movimento, portáteis e dos mais diferentes gêneros. Sem contar que cada empresa de streaming terá os seus próprios jogos, assim como acontece com os filmes.

Ainda existe muito espaço para o crescimento do setor, inclusive no Brasil, onde um dos grandes desafios dos desenvolvedores é fazer com que a enorme quantidade de jogadores conheça os jogos desenvolvidos pelos estúdios e profissionais independentes brasileiros.

Iniciativas têm surgido e podemos citar como exemplo o recente anúncio do Magazine Luiza, que investirá na produção de jogos nacionais. Nesse cenário, os aplicativos de streaming podem ser até mesmo uma alternativa para fazer com que tais jogos cheguem mais facilmente à população.

Histórico do streaming de games

O burburinho se iniciou nesse fim de ano com a chegada dos games na Netflix, mas isso não é uma novidade. Desde os anos 2000 várias iniciativas interessantes vêm surgindo, com serviços como o Gaikai e o OnLive e, mais recentemente, o Playstation Now, o Google Stadia e o Xbox Cloud Gaming, entre outros que funcionam como um streaming em que é possível comprar, assinar um pacote para baixar jogos ou jogar online com outros usuários.

Quando falamos de streaming, não podemos deixar de lado um outro modelo que tem ganhado popularidade. Não é só o ato de jogar que vem chamando a atenção dos gamers, mas também o ato de assistir outras pessoas jogando e a Twitch é uma das maiores plataformas que provam isso. Nela, usuários podem entrar, assistir outras pessoas jogando e interagir com elas.

Durante a pandemia, ela teve um salto e vem se popularizando, tendo batido o recorde de 12,2 bilhões de horas de jogos assistidos. Nessa mesma onda, outras plataformas que eram deixadas de lado e de pouco conhecimento público também se tornaram mais conhecidas, como é o caso do Facebook Gaming. Assim, esse tipo de plataforma acaba como um grande influenciador que incentiva mais pessoas a aderir aos games.

Campeonatos de jogos online são mais uma demonstração da onda que tem tido mais adeptos e consequentemente mais atenção por parte da mídia para os e-sports nos últimos tempos, veiculando notícias a respeito em jornais, portais famosos e programas de televisão especializados.

É certo que o mercado dos games está se profissionalizando e se consolidando com o passar do tempo — e a tecnologia tem auxiliado nisso. O streaming de jogos, seja para players ou para aqueles que só assistem, é mais uma consequência da digitalização que abre espaço para desenvolvedores de jogos com mais uma forma de distribuição e até de acessibilidade.