A relação dos games com o Metaverso

A relação dos games com o Metaverso

3 de maio de 2022 0 Por Alan Henrique Pardo de Carvalho

*por Alan Carvalho, coordenador do curso de Jogos Digitais da Faculdade Impacta  

Nos últimos tempos, muitas pessoas passaram a pesquisar sobre o que seria um metaverso e como funciona. Esse novo universo imersivo já é uma realidade em diversos lugares, com várias empresas apostando nessa realidade e há uma expectativa de que mais empresas passem a ver como um grande segmento a ser explorado. A própria mudança de nome da empresa Facebook para Meta é um grande indicativo disso.

Mas afinal, o que é metaverso? O que se faz nele e qual o futuro dessa tecnologia? Vamos explicar para você esses tópicos para que você fique antenado em um dos assuntos mais discutidos ultimamente.

O que é metaverso?

Por mais que o termo tenha se popularizado recentemente, o termo “metaverso” tem algumas décadas. Consta que sua primeira aparição tenha sido em 1992, através do livro de ficção científica “Snow Crash”, escrito por Neal Stephenson. No livro o personagem principal, Hiro, é um entregador de pizza na vida real e no mundo virtual é um samurai. 

Metaverso é uma palavra usada para designar uma espécie de mundo virtual por meio do qual tenta-se copiar o mundo real utilizando-se dispositivos digitais, numa combinação de realidade aumentada com ambientes virtuais.

Um dos primeiros jogos que podemos usar como exemplo é o Second Life, jogo que foi destaque nos anos 2000 e que basicamente trazia a ideia de metaverso. Para se ter uma noção, empresas de vários ramos de atividade passaram a adentrar essa realidade virtual, inclusive com agências de bancos e até mesmo funcionários dele.

Com o passar do tempo, outros jogos foram desenvolvidos utilizando-se do mesmo conceito.

Jogos com esse conceito 

É possível que, após eu citar o Second Life como um exemplo de universo imersivo, você já tenha pensado em outros jogos e ambientes que seguem esse mesmo estilo. Ao longo dos anos, diversos foram sendo criados, vários deles com sucesso.

Podemos começar com o Habbo, uma famosa comunidade virtual que se passava em um hotel, no qual havia diversas salas com várias coisas para se fazer. Como esquecer dos desfiles de moda que aconteciam nele? O Habbo foi um grande sucesso por muitos anos e diversas pessoas lembram dele com carinho, um belo exemplo de plataforma de relacionamento virtual.

Um exemplo mais recente de jogo que traz características de um metaverso é o GTA RP ou GTA V RopePlay, um mod do GTA V para PC que transforma o jogo em um RPG online. Em GTA RP, o jogador cria um personagem em uma cidade dentro do GTA, com diversas coisas que relembram ao mundo real, como trabalho, escola, precisar alimentar-se e beber água, coisas que parecem simples, mas que fazem cada vez mais relembrar ao mundo real.

O GTA RP vem fazendo sucesso e empresas passaram a fazer ações dentro do jogo, como no caso do iFood, que por um período permitiu que jogadores entregassem comidas com a famosa bolsa vermelhinha da empresa e até distribuiu códigos para os espectadores aproveitarem. Além de empresas, o jogo também promoveu a vacinação contra a covid-19, buscando lembrar os jovens da importância de se vacinar através de uma campanha de vacinação realizada nos jogadores e até no Carnaval 2021 houve um bloquinho, com abadás, trio elétrico e show musical.

Futuro do metaverso

A expectativa para esse novo universo faz com que seja algo a se prestar atenção. Uma pesquisa realizada pela Gartner, empresa de pesquisa e consultoria de tecnologia, mostra que houve um aumento significativo de ativos nesse ambiente, cerca de 10 vezes mais, entre o início de 2020 e junho de 2021. 

Além disso, a pesquisa afirma que em 2026 haja 2 bilhões de pessoas nesse ambiente virtual e espera-se que o mercado global dele deva atingir quase US$ 42 bilhões até esse mesmo ano. Porém, se você já considera esse valor surreal, irá se surpreender com o relatório da Grayscale, a maior gestora de bitcoins do mundo, que mostra que esse valor, na verdade, pode chegar a US$ 1 trilhão nos próximos anos.

Esperando esse aumento, o vice-presidente da Gartner disse que acredita que 30% das empresas em todo o mundo terão seus produtos e serviços nesse universo imersivo. Além disso, é esperado que grandes marcas já estejam preparando uma infraestrutura nesse novo ambiente para que levem uma experiência agradável ao público.

O metaverso já é uma realidade, ainda que não do tamanho que pode e espera se tornar, mas vários movimentos interessantes tem ocorrido nessa realidade virtual, incluindo cultos religiosos, como por exemplo os da Igreja Batista da Lagoinha, que recentemente lançou um templo nesse universo. Além disso, marcas estão levando produtos para lá, caso da Coca-Cola que lançou uma edição limitada da bebida, nomeada de Byte, e também calças e sapatos da marca, que estão sendo vendidos por lá.

Na mais recente Pesquisa Game Brasil, ficou claro que quase 64% dos jogadores de jogos digitais conhecem algo sobre o multiverso, sendo que existe uma preferência em ver filmes ou participar de shows de música em ambientes digitais ou dentro de jogos. A utilização do metaverso para atividades de educação ou aprendizagem também foi lembrada por mais de 63% dos jogadores, de forma que se pode considerar como uma frente a ser mais estudada e aperfeiçoada.

Assim como já ocorre com o público dos jogos, nesse ambiente as pessoas buscam interagir ao máximo com tudo que está nele disponibilizado e em muitos casos buscando entretenimento, o que pode ser algo no que as marcas devam prestar atenção, abrindo novas possibilidades de negócios e para que reforcem sua presença no meio digital por mais tempo.