A evolução gráfica dos games

A evolução gráfica dos games

18 de maio de 2022 0 Por Alan Henrique Pardo de Carvalho

*por Alan Carvalho, coordenador do curso de Jogos Digitais da Faculdade Impacta

Os jogos estão presentes em nossas vidas há mais de 60 anos, sendo uma das primeiras aparições em 1958 graças ao físico Willian Higinbotham. Porém, nesse caso o jogo não foi desenvolvido para um público consumidor como conhecemos, mas sim como uma forma de manter os visitantes do laboratório de Brookhaven entretidos. Cabe ressaltar que Tennis for Two, o nome do jogo, era jogado em um osciloscópio e não em um computador.

Mesmo sendo um jogo desenvolvido para um ambiente restrito, a ideia acabou saindo de Brookhaven e se espalhou para vários lugares, entre eles o conhecido Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde Steve Russell, Martin Graetz e Wayne Wiitanen criaram em 1961 um dos primeiros jogos para computador, SpaceWar!. Russell escreveu a primeira versão do jogo e depois contou com as contribuições de Peter Samson, Dan Edwards e Martin Graetz, todos estudantes do já citado instituto. SpaceWar! era feito para dois jogadores, cada um controlando a sua nave espacial e tentando abater o seu adversário.

É claro que em 60 anos muita coisa mudou no mundo. Imagine as mudanças que ocorreram nesse setor, altamente baseado em tecnologia. Quanto mais a tecnologia se torna acessível, mais avanços e possibilidades aparecem para os jogos, incluindo a qualidade gráfica que atrai muitos jogadores e é sobre isso que vamos tratar hoje, a evolução dos gráficos nos jogos.

Antes de mais nada é importante entender que, mesmo com a evolução tecnológica que possibilitou a utilização de gráficos mais elaborados e até fotorealistas, existem diversas preferências entre os jogadores e estilos como a pixel art são amados por muitas pessoas ao redor do mundo. Além disso, a qualidade de um jogo não deve ser medida unicamente pela complexidade de seus gráficos, pois outros fatores como o áudio e características de jogabilidade influenciam muito na experiência do jogador.

A evolução dos gráficos

O surgimento da TV em cores foi um grande divisor de águas e os jogos não deixariam de se beneficiar disso. O primeiro jogo a ser bem sucedido com um gráfico full color veio ao mundo em 1979, sendo o arcade Galaxian, lançado pela Namco e que depois daria origem a um dos grandes clássicos dos anos 1980 que foi Galaga. Nos anos seguintes o display RGB (red-green-blue) tornou-se quase que obrigatório e esteve presente em grande parte dos jogos desenvolvidos nessa década.

Dois métodos eram usados para renderizar as imagens na tela, sendo eles raster, por meio do qual a imagem é criada através de pontos na tela (pixels), como se fosse um mosaico, e vector, com a imagem sendo criada através de pontos de controle e curvas entre eles, definidas por meio de fórmulas matemáticas.

Imagens raster são bem claras e permitem uma boa transmissão na mudança de cores, tons e sombras, mas ocupam maior espaço principalmente se for necessária uma maior resolução e perdem qualidade quando suas dimensões são aumentadas. As imagens vector ocupam menos espaço de armazenamento e podem ser redimensionadas facilmente, sem perda de definição, mas as transições de cores ficam prejudicadas.

O final da década de 1980 foi marcado pela chegada dos consoles de quarta geração (16 bits), com mais capacidade de memória e melhor processamento que permitiriam avanços interessantes no que diz respeito à qualidade das imagens, como maior quantidade de cores disponíveis, técnicas como parallax e sprites que podiam ser tratados de forma individual, sendo possível mover imagens na tela com um maior dinamismo.

Uma técnica muito interessante surgida no mundo dos jogos ainda nos anos 1980, mas bem utilizada a partir do final dessa década e popularizada nos anos 1990, foi a digitized sprites, que consistia na utilização de imagens digitalizadas de pessoas reais para criar personagens em jogos como no famoso e clássico jogo de luta Mortal Kombat, de 1992, que continua sendo considerado um dos maiores jogos de todos os tempos.

Ainda nos anos 1990 com o Super Nintendo foi possível ver um jogo 3D, mesmo que com polígonos simples e sem texturas, sendo Star Fox de 1993. Nesse jogo, criado pela Nintendo e que inaugurou uma série de jogos de tiro de nave espacial, foi usado no cartucho um chip Super FX, que era um coprocessador que permitia ao console renderizar melhor os gráficos. A Sega viria com o Sega Virtua Processor (SVP) para o Mega Drive, mas que encarecia muito os jogos e por isso acabou não se popularizando, embora tenha aberto espaço para mais desenvolvimentos.

Já a quinta geração dos consoles, iniciada em 1993 e representada principalmente pelo PlayStation, pelo Nintendo 64 e pelo Sega Saturn, traria grandes avanços na qualidade dos gráficos, tendo estabelecido de vez a entrada do 3D nos jogos e incluindo o uso de texturas, vídeos full motion, maiores resoluções e quantidade de cores. Nesse período foi possível acompanhar uma batalha entre os CDs (compact discs) e os cartuchos como meios de armazenamento, sendo esses últimos utilizados pelo Nintendo 64, com diversas implicações.

As gerações posteriores de consoles trouxeram mais avanços na qualidade gráfica, com processadores dedicados e maior capacidade de armazenamento e mesmo os portáteis têm tido sua evolução, guardadas as devidas proporções, ainda que outros recursos tenham passado a um grau de importância maior, como a conectividade por exemplo.

Não podemos nos esquecer da evolução dos gráficos nos PCs, com as placas de vídeo dedicadas que elevaram em muito a capacidade dos computadores pessoais em lidar com gráficos 3D de grande resolução, com milhões de cores e aplicar diversas técnicas de manipulação de imagens, antes vistas apenas nos principais consoles ou em workstations profissionais de alto custo.

Pode-se perceber essa evolução na qualidade dos gráficos ao longo do tempo em várias séries de jogos, como FIFA (atualmente EA Sports FIFA) por exemplo, e novos aprimoramentos podem ser esperados, inclusive combinando os gráficos com outros estímulos sensoriais e possibilidades muito interessantes. Quem sabe assunto para um futuro próximo?