Como o universo gamer pode aliviar estresse no trabalho e aumentar produtividade do colaborador

Como o universo gamer pode aliviar estresse no trabalho e aumentar produtividade do colaborador

15 de setembro de 2021 0 Por Redação Em Notícia

**Por Beto Vides – CEO Fundador da Ebrainz – consultoria especializada em conectar pessoas e marcas ao universo de games e eSports.

O ser humano não nasceu para viver sozinho, mas em tempos de pandemia é defendida a necessidade de se distanciar para, futuramente, se juntar novamente. No mundo corporativo, o Home Office – que não é mais novidade – tem sido um grande aliado desde o início das medidas de distanciamento social para conter o avanço do coronavírus. Mas, se por um lado, permitiu que muitas pessoas se abrigassem da Covid-19, por outro o trabalho remoto despertou sensação de solidão, frustações, estresse, ansiedade, entre outros sentimentos somados, inclusive, às incertezas econômicas que norteiam o trabalhador e o País.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no planeta. Estamos falando de 9,3% da população, o equivalente a mais de 18 milhões de brasileiros que sofrem com ansiedade.

Dessa perspectiva, o trabalho – que é uma fonte de vida capaz de conferir identidade ao ser humano tanto no plano pessoal como no social, se abriu também para uma poderosa fonte de adoecimento psicossomático e social, uma vez que o desgaste, o estresse e as condições ambientais do trabalho remoto, para muitas pessoas, estão rompendo o equilíbrio entre vida pessoal e profissional do trabalhador.

Uma porta de saída indica para o universo gamer. Em fevereiro de 2020, a Pesquisa Game Brasil (PGB) realizou a sua 7ª edição com um estudo sobre a quantidade de pessoas que jogam jogos eletrônicos. O estudo constatou que 73,4% da população brasileira utiliza algum jogo on-line para seu entretenimento. Levando em conta que o Brasil tem 209,5 milhões de habitantes, segundo dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são aproximadamente 154 milhões de jogadores no país. Para se ter uma ideia, esse número representa a população da França e da Alemanha somadas.

Com a imersão cada vez maior da tecnologia, uma pessoa após um longo dia de trabalho tende a procurar por jogos como válvula de escape para acalmar e relaxar a sua mente.

Os jogos que não muito tempo atrás eram estigmatizados, hoje são citados por alguns pesquisadores como benéficos para saúde mental. Um exemplo disso é o estudo recente da Microsoft dentro do Xbox Research Accessibility Community Feedback Program, que analisou a relação jogos e saúde mental durante a pandemia. O resultado revelou que 84% dos entrevistados concordaram que os jogos tiveram um impacto positivo na saúde psíquica no ano passado, enquanto 71% disseram que eles os ajudaram a se sentir menos isolados.

Essas descobertas são particularmente ressonantes à medida que as pessoas em todo o mundo marcam o Mês da Conscientização sobre a Saúde Mental em maio, cerca de 16 meses após o início da pandemia.

Como os jogos podem influenciar diretamente no ambiente corporativo? 

Os jogos eletrônicos, em sua maioria, exigem concentração, trabalho em equipe, observação, pensamento lógico e rápido, resolução de problemas, bem como, desenvolve a capacidade de resiliência e tolerância às frustrações. Assim, após o jogador desenvolver essas habilidades construídas no universo on-line, ele pode também aplicá-las na sua rotina do dia a dia e seu ambiente de trabalho.

O Home Office, ganhando cada vez mais espaço nas empresas, tem proporcionado maior flexibilização das jornadas e redução de custos, mas ainda é preciso pensar na saúde mental dos colaboradores. A boa notícia é que os jogos corporativos podem ajudar. Isso porque essa eventual mudança na rotina do trabalho pode até ser positiva, como por exemplo, redução do tempo de deslocamento, otimização do tempo e flexibilização de horários, mas também pode impactar negativamente a relação entre trabalho remoto e saúde mental. O problema mais comum é a sensação de solidão causada pelo distanciamento social. Por não existir mais a rotina de se encontrar pessoalmente com os colegas, líderes e outras pessoas, o contato social é bastante reduzido, gerando este sentimento de isolamento.

É nesse contexto que os jogos não são apenas utilizados como forma de distração. Alguns são criados especificamente para ser conectado às pessoas. Utilizar uma ferramenta de gestão baseada em uma metodologia de jogos traz vários benefícios para empresa e para equipe mesmo estando distanciados. O game é capaz de engajar os trabalhadores e despertar neles a sensação de pertencimento, e isso tem impacto positivo na saúde mental, em um ambiente onde todo mundo já está cansado, desanimado e irritado com o distanciamento social.

Isso nos desperta para uma nova compreensão do que aprendemos nas aulas de filosofia: o ser humano é um animal social, disse Aristóteles. Somos mais felizes juntos, mesmo que à distância. As empresas que se lembram disso saem ganhando. Seus colaboradores também.